Durante muito tempo, o sexo no cinema brasileiro foi filmado como espetáculo: corpos expostos, cenas intensas, enquadramentos que privilegiavam o desejo masculino. Paralelamente a essa tradição, porém, surgiram obras que deslocam o foco e colocam as mulheres no centro da própria experiência erótica. Nessas narrativas, o prazer não é ornamento nem provocação gratuita, mas sim conflito, descoberta, ruptura e reconstrução.
Por isso, o Blog Daquilo separou filmes que compartilha a sexualidade feminina como protagonista. Algumas fantasiam, outras experimentam, outras reagem a traumas ou frustrações, mas o debate sobre autonomia e autoconhecimento prevalece. Confira:
Dirigido por Júlia Rezende, o filme acompanha Mari (Letícia Colin), que vive um casamento estável e monogâmico com Rafa (Dan Ferreira). A rotina começa a ser tensionada quando ela se aproxima dos vizinhos Fred (Tulio Starling) e Isis (Bárbara Paz). Sem filhos, o casal vive um relacionamento aberto. O contato desperta questionamentos profundos e impulsiona Mari a explorar novas possibilidades, ressignificando sua visão sobre compromisso, desejo e liberdade.
Baseada no livro de Sue Hecker, a obra apresenta Babi (Giovanna Lancelotti), que descobre a traição do noivo às vésperas do casamento. Abalada, ela inicia um envolvimento com um juiz vivido por Leandro Lima, por quem sente forte atração. Classificada como produção erótica, a obra reúne mais de dez cenas de sexo e coloca o prazer da protagonista em primeiro plano ao longo da narrativa.
Simone (Sol Miranda) é uma jovem advogada negra que faz vídeos íntimos na internet como forma de sustentar os estudos. Depois de um tempo longe das transmissões, decide voltar às lives e passa a se interessar por práticas de BDSM. Inspirado na máxima de que “se algo existe, há pornografia sobre isso” (a chamada regra 34), o longa dirigido por Julia Murat acompanha o embate interno da personagem diante das fronteiras entre prazer, violência e legalidade — e a dificuldade de definir onde começam e terminam seus próprios limites.
Dirigido e roteirizado por Helena Ignez, a ficção biográfica recria a viagem feita ao Marrocos, em 1970, pela artista e sexóloga Jarda Ícone (Helena Ignez) e pelo ativista de direitos humanos Lírio Terron (Ney Matogrosso). O percurso marca uma virada na trajetória de Jarda, que se tornaria referência nos debates sobre sexualidade feminina. O filme transforma essa experiência em uma narrativa sensorial sobre desejo, corpo e autonomia, temas que ela continua compartilhando com mulheres até hoje.
Embora transite pelo terror e pela fantasia, o filme premiado de Juliana Rojas e Marco Dutra não abre mão do erotismo ao retratar o envolvimento entre patroa e empregada, interpretadas por Marjorie Estiano e Isabél Zua. A cena de sexo entre as duas nasce de um jogo de poder, mas evolui para uma descoberta intensa do prazer.
Alice (Ingrid Guimarães) é uma executiva dedicada ao trabalho e pouco conectada à própria vida íntima. Sua rotina muda quando é abandonada pelo marido e conhece a vizinha Marcela (Maria Paula), dona de um sex shop, que a apresenta ao universo dos brinquedos eróticos. Ao experimentar os produtos, Alice vive seu primeiro orgasmo e inicia um processo de reconexão com a própria sexualidade. A trilogia homônima é dirigida por Roberto Santucci e Júlia Rezende.
Ícone da pornochanchada, gênero do cinema brasileiro que misturava comédia popular e erotismo leve, o filme de Neville d’Almeida acompanha Solange (Sônia Braga), que, após ser estuprada na noite de núpcias, decide retomar o controle sobre sua sexualidade. Ela passa a se envolver com homens desconhecidos dentro de uma lotação, ainda nutrindo sentimentos pelo marido, mas sem desejar mais nada com ele. Ainda que produzido sob a ótica masculina característica da época, o longa coloca em cena uma personagem movida exclusivamente pelo próprio desejo, protagonizando aventuras que têm como eixo central seu prazer.
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