Impulsionado pelas quatro indicação de O Agente Secreto ao Oscar, o debate sobre os rumos da categoria de Melhor Filme volta a ganhar fôlego, inclusive quando o assunto é erotismo. Embora historicamente associada a grandes dramas e narrativas solenes, a principal disputa da premiação também já consagrou obras em que sexo, desejo e descoberta sexual ocupam lugar central.
Em alguns casos, a sensualidade se impõe de forma direta; em outros, aparece como subtexto, atmosfera ou gesto. Há ainda filmes que alcançaram reconhecimento crítico justamente por transformar o erotismo em linguagem cinematográfica sofisticada. Confira uma seleção de produções já indicadas à categoria de Melhor Filme do Oscar que contêm cenas picantes:
Dirigido por Ryan Coogler (Pantera Negra: Wakanda Para Sempre), Pecadores tornou-se o filme mais indicado da história do Oscar, com 16 nomeações na edição de 2026, incluindo Melhor Filme, Direção, Ator e Roteiro Original — superando recordes de clássicos como Titanic e La La Land.
Ambientado em 1932 no Delta do Mississippi, o longa combina elementos de terror, vampirismo, música e tensão social, seguindo dois irmãos gêmeos (interpretados por Michael B. Jordan) que retornam à sua cidade natal e se deparam com forças sobrenaturais que ameaçam a comunidade negra pós-segregação racial.
A produção também é notória por cenas com forte carga visual e atmosfera visceral — incluindo momentos provocantes entre Jordan e Hailee Steinfeld, com uma cena de cuspe na boca — que geraram debates sobre o modo como sensualidade e horror podem se cruzar para sublinhar temas de desejo, poder e sobrevivência humana.
Vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2025, Anora é um romance dramático dirigido por Sean Baker, estrelado por Mikey Madison como Anora “Ani”, uma dançarina exótica do Brooklyn que se envolve com Vanya (Mark Eydelshteyn), filho impulsivo de um oligarca russo.
Lançado após estrear no Festival de Cannes, onde ganhou a Palma de Ouro, o filme acompanha a jornada emocional de Ani desde o mundo do entretenimento adulto até um relacionamento que começa como transação e se transforma em um vínculo íntimo complexo, explorando o sexo em dinâmicas de poder e classe.
Com um olhar cru e humano sobre trabalho sexual, poder e paixão, Anora usa a sexualidade como lente para discutir classe, autonomia e identidade, e conquistou vários prêmios da temporada, incluindo Oscar de Melhor Atriz para Mikey Madison e Melhor Roteiro Original para Baker.
Dirigido por Yorgos Lanthimos e adaptado do romance de Alasdair Gray, Pobres Criaturas (Poor Things) é uma fantasia surreal estrelada por Emma Stone como Bella Baxter, uma jovem ressuscitada por um cientista interpretado por Willem Dafoe.
A narrativa segue Bella enquanto ela foge com um advogado (Mark Ruffalo) e embarca em uma odisseia de autodescoberta, enfrentando preconceitos sociais e explorando sua própria sexualidade de forma curiosa, livre e emancipada.
A obra foi amplamente aclamada por suas performances e originalidade, premiada com o Leão de Ouro em Veneza, indicada ao Oscar 2024 e celebrada por suas reflexões sobre identidade, poder e o prazer sem vergonha que Bella experimenta ao longo de sua jornada.
Dirigido por Yorgos Lanthimos, este drama de época se passa na corte da rainha Anne (Olivia Colman) e explora a rivalidade entre a duquesa Sarah Churchill (Rachel Weisz) e a cortesã Abigail Hill (Emma Stone). A trama mistura política, poder e sedução em um retrato ácido da manipulação e desejo.
As cenas de sexo sáfico entre as protagonistas, sustentadas por rumores históricos sobre a sexualidade da rainha, são usadas tanto como expressão de intimidade quanto como ferramenta de controle e manipulação no jogo político do século 18.
Dirigido por Guillermo del Toro, este conto fantástico de amor entre uma zeladora muda (Sally Hawkins) e uma criatura anfíbia desafia convenções de romance e erotismo. Embora contenha cenas de amor e desejo, o filme explora também a atração pelo “outro”, tocando temas como empatia, diferença e conexão sensorial entre espécies — além do fetiche por criaturas fantasiosas (teratofilia). A obra mostra cenas de mastrubação e sexo entre a mulher e o homem peixe.
Sob a direção de Luca Guadagnino, este drama acompanha o verão intenso vivido por Elio (Timothée Chalamet) e Oliver (Armie Hammer) na Itália dos anos 1980, marcado por um despertar emocional e sexual profundo. A sequência com um pêssego tornou-se icônica, simbolizando o desejo adolescente em meio a uma narrativa sensorial de primeiro amor.
Explorando a estrutura familiar e os conflitos íntimos, o filme dirigido por Lisa Cholodenko narra o casamento de Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore) que é abalado pela presença do doador de esperma Mark (Mark Ruffalo), criando tensões que envolvem atração, identidade e desejo.
Em um mergulho psicológico, Darren Aronofsky retrata a obsessão de uma bailarina (Natalie Portman) pelo papel em O Lago dos Cisnes. O filme usa a sexualidade — incluindo uma cena de sexo entre Portman e Mila Kunis — como meio de explorar a fragmentação da identidade sob pressão artística e psicológica.
Dirigido por Ang Lee, este drama marcou época ao retratar um romance homossexual intenso e reprimido entre dois cowboys (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal), cujo desejo é moldado por limitações sociais. Sua abordagem honesta da intimidade gay em Hollywood mainstream ampliou representações do amor e do desejo masculino.
O musical dirigido por Baz Luhrmann ambienta a paixão trágica entre Christian (Ewan McGregor) e Satine (Nicole Kidman) no cabaré parisiense, explorando o erotismo glamouroso e burlesco do entretenimento boêmio do início do século 20.
Essa comédia romântica estrelada por Juliette Binoche e Johnny Depp usa o chocolate como metáfora de desejo e tentação ao trazer uma chocolateria para uma cidade conservadora, onde sexualidade e prazer sensorial desafiam normas sociais.
O filme de Sam Mendes critica a falsa moral da classe média ao seguir Lester (Kevin Spacey), obcecado pela jovem Angela (Mena Suvari). Cenas como a banheira com pétalas se tornaram ícones da cultura pop ao explorar desejo e frustração. O longa rendeu críticas por envolver um homem adulto envolvido com uma menor de idade, justificando como uma crítica a falsa moralidade de famílias de classe média dos Estados Unidos.
Misturando Shakespeare (Joseph Fiennes) e romance com Gwyneth Paltrow, o filme usa o sexo e a paixão como força criativa que inspira a própria arte do dramaturgo, elevando o erotismo à gênese do clássico Romeu e Julieta. Foi vencedor de sete Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz.
O épico de James Cameron transformou o romance entre Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) em um símbolo de paixão juvenil, com cenas como o sexo no carro e o desenho nu eternizadas na cultura cinematográfica. “Pinte-me como uma de suas garotas francesas”, eternizou Rose ao usar apenas um colar para posar.
Este drama romântico de Jerry Zucker popularizou a cena icônica de cerâmica entre Demi Moore e Patrick Swayze, mostrando como a intimidade física pode ser profundamente sensual mesmo sem nudez explícita, sustentada pela conexão emocional.
Dirigido por Adrian Lyne, o thriller acompanha o caso extraconjugal entre Dan (Michael Douglas) e Alex (Glenn Close), onde a intensa química sexual se entrelaça com obsessão e perigo, explorando os limites entre desejo e consequências.
Esse drama de Paul Mazursky foi inovador ao mostrar Erica (Jill Clayburgh) reconstruindo sua vida após o divórcio e abraçando sua sexualidade de maneira aberta e honesta, rompendo com estigmas sociais da época.
Dirigido por Bob Fosse, em meio à Berlim dos anos 1930, o musical usa a vida nos cabarés para explorar bissexualidade, desejo e política, com um triângulo amoroso que reflete liberdade sexual e efervescência cultural.
Este retrato da juventude americana mostra o despertar sexual dos jovens de forma direta e sem glamour, capturando as incertezas, curiosidades e impulsos que marcam a passagem para a vida adulta.
Estrelado por Elizabeth Taylor, o épico histórico retrata Cleópatra como uma figura poderosa e sedutora em um ambiente de intrigas e paixões. Fora das telas, o romance real de Taylor com Richard Burton, seu co-protagonista como Marco Antônio, alimentou ainda mais a aura sensual em torno da produção clássica.
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