Comprou seu vibrador? Depois do frio na barriga da estreia, vem o gesto de cuidado. Saber como limpar, guardar e respeitar o material do brinquedo é essencial não apenas para que o objeto dure mais, mas também para preservar a saúde íntima e evitar irritações ou infecções. Aos que desejam entender como cuidar melhor do toy e de si mesmo, a sexóloga Alessandra Araújo respondeu algumas dúvidas comuns na hora de manusear o pertence íntimo. Confira:
Higienização: hora, frequência e produtos adequados
Após o uso, a higienização do vibrador deve ser imediata para evitar que fluidos corporais sequem e formem um biofilme bacteriano. “O procedimento padrão envolve lavar o acessório em água corrente morna, aplicar o agente de limpeza em toda a superfície externa e cavidades, enxaguar abundantemente e realizar a secagem completa com papel toalha descartável ou toalha de algodão exclusiva e limpa”, guia.
Clinicamente, a água morna e o sabão neutro (glicerinado e sem fragrância) são eficazes para a remoção de resíduos biológicos na maioria dos materiais, conforme Alessandra. “Produtos específicos (toy cleaners) são convenientes por possuírem propriedades de secagem rápida e serem formulados para não agredir materiais sensíveis, mas não são estritamente obrigatórios para garantir a higiene, desde que o sabão neutro seja bem enxaguado para não alterar o pH da mucosa vaginal ou anal”, acresenta.
A higienização deve ocorrer obrigatoriamente em dois momentos: antes e depois de cada uso. “A limpeza prévia remove poeira e micro-organismos acumulados durante o armazenamento, enquanto a limpeza posterior remove fluidos e secreções que serviriam de meio de cultura para patógenos.”
Particularidades dos materiais
Cada material ainda exige um cuidado específico na hora da limpeza. Devido às respectivas propriedades, deve-se ter cuidado para não aplicar produtos que corroem a porosidade do vibrador. Alessandra explica como limpar brinquedos feitos de materiais diferentes:
- Silicone, vidro e metal: São materiais não porosos. A limpeza é mais simples e eficaz, pois os patógenos não penetram na estrutura do objeto.
- Borracha, TPE, TPR e jelly: São materiais porosos. Eles possuem microcavidades que abrigam bactérias e fungos mesmo após a lavagem. Exigem desinfecção mais rigorosa e, idealmente, o uso de preservativos durante o contato com o corpo para evitar contaminação profunda.
Esterilização por fervura
Há ainda quem prefira ferver o sex toys para garantir uma esterilização completa. No entanto, o método só é apropriado em alguns casos. Segundo a sexóloga, a fervura de 3 a 5 minutos é segura apenas para acessórios feitos de silicone de grau médico (100%), vidro borossilicato ou aço inoxidável, desde que não possuam componentes eletrônicos, motores ou baterias.
“Nunca ferva objetos de borracha, plástico comum ou Jelly, pois eles liberam substâncias tóxicas ou derretem”, alerta.
Brinquedos vulneráveis a água e com motor interno
Itens que não são à prova d’água e/ou têm motor interno jamais devem ser submersos. A técnica correta é a limpeza por fricção. “Utilize um pano limpo umedecido com água e sabão neutro para limpar apenas a parte externa que entra em contato com a mucosa”, instrui Alessandra. “Em seguida, passe um pano umedecido apenas com água para remover o sabão e seque imediatamente para evitar que a umidade penetre no compartimento do motor.”
Álcool, sprays e lenços umedecidos
Mesmo que de fácil acesso e praticidade, o uso de álcool 70% e sprays antibacterianos agressivos não é recomendado para a limpeza de sex toys, pois pode causar a degradação química do silicone (tornando-o pegajoso) e ressecar materiais porosos, gerando fissuras, de acordo com a especialista.
Já os lenços umedecidos comuns frequentemente contêm perfumes e álcool que podem causar vaginites ou irritações anais. “Recomenda-se apenas produtos específicos para acessórios ou o binômio água e sabão neutro”, resume Alessandra.
Armazenamento seguro
Após a limpeza, vem a parte de guardar o brinquedo, momento no qual os cuidados continuam. Primeiramente, o acessório deve estar totalmente seco antes do armazenamento para evitar a proliferação de fungos. O melhor jeito de armazená-los, conforme a sexóloga, é individualmente em sacos de tecido respirável (algodão ou cetim). “Evite sacos plásticos ou recipientes herméticos que retêm umidade”, acrescenta.
Além disso, brinquedos de silicone não devem tocar outros de silicone, pois podem ocorrer reações químicas que deformam ambos os objetos.
Sex toy compartilhado
Compartilhar sex toys ainda exige cuidados extras de higiene, já que a divisão sem barreira física é um vetor direto de transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Os cuidados obrigatórios incluem a higienização completa entre o uso de uma pessoa e outra e a participação de um preservativo novo para cada parceiro, substituindo-o sempre que o brinquedo trocar de usuário ou de cavidade (ex: da anal para a vaginal).
Sinais de que o brinquedo deve ser descartado
Algumas vezes, um sex toy pode representar um risco à saúde, não podendo mais ser salvo por higienização e armazenamento correto. Alessandra destaca que o descarte deve ser imediato caso o objeto apresente fissuras, rachaduras ou descascamento: “Locais de acúmulo bacteriano impossíveis de higienizar.”
A textura pegajosa ou derretida também é um sinal de alerta. “Indica instabilidade química do material”, justifica a especialista. Odor persistente e desagradável ainda pode sinalizar uma contaminação bacteriana interna ou degradação do polímero. Vazamento de pilhas, oxidação no compartimento interno, reações alérgicas ou irritações repetitivas após o uso encerram a lista de sinais indicativos de que o brinquedo pode ser danoso.
Alessandra exemplifica acessórios que devem ser descartados após o uso ou que possuem vida útil limitada pela impossibilidade de desinfecção segura:
Itens de uso único e descarte imediato
- Anéis vibratórios com bateria interna: Dispositivos com motores e baterias não selados que sofrem oxidação se lavados. A porosidade do material externo impede a remoção de fluidos que penetram nas frestas do compartimento eletrônico.
- Masturbadores do tipo Egg: Feitos de polímeros de baixa densidade (TPE) com alta porosidade. As texturas internas complexas impossibilitam a higienização completa de sêmen e lubrificante, tornando-os meios de cultura bacteriana.
- Esponjas sexuais (Soft Tampons): Materiais absorventes projetados para reter sangue e secreções. A tentativa de lavagem e reuso oferece risco crítico de Síndrome do Choque Séptico e infecções severas.
- Acessórios comestíveis: Itens à base de açúcares ou gelatina. Sofrem degradação biológica rápida e nunca devem ser reutilizados ou lavados, pois o contato com a mucosa altera o pH e favorece o surgimento de candidíase.
Itens semi-descartáveis (Materiais porosos)
- Brinquedos de Jelly ou PVC macio: Materiais de baixo custo que absorvem odores e fluidos corporais. Devem ser descartados ao primeiro sinal de mudança na textura (ficar pegajoso), odor persistente ou descoloração, pois liberam resíduos químicos (ftalatos) e retêm micro-organismos que a lavagem comum não elimina.
- Para garantir a durabilidade e a segurança, recomenda-se substituir esses itens por acessórios de silicone de grau médico, vidro ou metal, que permitem esterilização completa.

