Como o frio afeta o desejo sexual — e como usá-lo a favor da intimidade

Compartilhe

Com a chegada do inverno, o frio pode desencadear uma certa preguiça e até uma queda no desejo sexual. Isso acontece porque o corpo humano prioriza sua própria regulação térmica, quando os vasos sanguíneos se contraem para preservar o calor interno — gerando menor circulação nas extremidades e até nas regiões erógenas, o que pode impactar a sensibilidade, a excitação e até a lubrificação.

Além disso, o inverno também provoca aumento na produção de melatonina — o hormônio do sono —, fazendo com que o corpo sinta mais sonolência, letargia e desejo por descanso, sono, acolhimento… e não necessariamente por sexo, explica a sexóloga e psicologa Alessandra Araújo. A tendência de se recolher no frio também influencia na produção de serotonina e dopamina, neurotransmissores diretamente ligados ao prazer, à motivação e ao bem-estar.

“É por isso que o frio gera uma combinação de preguiça, menor energia e até leve queda do desejo sexual”, pontua a especialista. “Mas aqui vale um ponto interessante: essa mesma necessidade de aconchego, proximidade e calor pode ser transformada em gatilho para a intimidade, desde que o casal se permita criar um ambiente confortável. Ou seja, se o corpo pede descanso e acolhimento, é possível transformar isso em desejo — talvez de um sexo mais lento, mais carinhoso, mais sensorial e cheio de conexão.”

Segundo Alessandra, com a contração dos vasos sanguíneos, o toque é percebido de forma diferente — às vezes mais intensa, às vezes mais desconfortável, dependendo da temperatura e do local do corpo. Para a lubrificação não ficar comprometida na temporada, a sexóloga indica se hidratar, usar lubrificantes à base de água ou silicone e investir em boas preliminares para o corpo esquentar.

As posições que favorecem o contato corporal, onde os corpos ficam mais juntinhos, são mais convidativas no frio. “Conchinha, de ladinho, papai e mamãe, ou sentados frente a frente são exemplos perfeitos. Elas mantêm mais pontos de contato, aquecem e ainda trazem uma dose extra de intimidade e conexão”, Alessandra indica.

O uso de cobertores e aquecedores pode interferir no prazer se bem utilizados. A especialista argumenta que o conforto térmico ajuda o corpo a relaxar: “Estar com frio, tremendo, desconfortável, ativa o sistema de alerta do cérebro e, assim, o corpo prioriza a sobrevivência, não o prazer. Então, sim: pode transar debaixo do cobertor, usar aquecedor, velas quentinhas… Tudo que torne o ambiente aconchegante ajuda a potencializar a experiência.”

Caso a preguiça de tirar a roupa domine, a sexóloga aconselha o uso da criatividade: peças que permitam acesso fácil, lingeries quentinhas, roupões macios, meias e até o toque sobre a roupa são opções interessantes. “A intimidade não depende necessariamente de estar completamente nu — ela se constrói no encontro dos corpos e dos desejos”, opina.

No frio, é comum tomar banhos quentes, usar roupas mais apertadas e tecidos que abafam — o que pode aumentar o risco de infecções, especialmente fúngicas. Alessandra propõe manter a região íntima seca, escolher roupas íntimas de algodão sempre que possível, evitar ficar muito tempo com roupas úmidas e manter a hidratação.

Embora o frio por si só não cause alterações hormonais no Brasil — já que o Sol e a absorção da vitamina D não são alterados no nosso inverno —, a temperatura influencia em hábitos relacionados a libido. Segundo o urologista Diogo Mendes, a fertilidade não é comprometida com o frio e comportamentos que o acompanham, mas certos cuidados devem ser tomados a fim de evitar infecções.

Para o médico, o maior problema é a negligência da higiene nas partes íntimas, porque no frio as pessoas tendem a diminuir a frequência de banhos. “O inverno se caracteriza pela secura do ar, que exige a hidratação íntima também”, destaca. “Apesar do frio, é fundamental manter a limpeza diária, pelo menos duas vezes ao dia.”

“O frio convida para brincadeiras sensoriais: explorar temperaturas (gelo, bebidas quentinhas, óleos de massagem), investir em lingeries diferentes, tecidos macios, vendas, jogos de poder e submissão, ou até fantasias que envolvem personagens mais “agasalhados”. Além disso, o simples fato de estar enrolado no cobertor, brincando, conversando, já pode ser o gatilho para experiências mais íntimas e até mais divertidas”, a especialista estimula.

Bianca Lucca

Posts recentes

Comprou seu vibrador? Guia essencial para cuidar do toy e da saúde íntima

Comprou seu vibrador? Depois do frio na barriga da estreia, vem o gesto de cuidado.…

23 horas atrás

Coreorgasmo: o ápice involuntário durante exercícios físicos

Da academia para a cama? Uma situação inusitada transformou uma aula comum de pilates em…

23 horas atrás

Femboys: por que homens afeminados ganham espaço no desejo feminino

Homens afeminados ganharam protagonismo com a chegada de Juliano Floss no BBB 26. O dançarino, que namora…

3 dias atrás

Desodorante preso no ânus expõe riscos do uso inadequado no sexo anal

Um caso relatado nas redes sociais pelo cirurgião coloproctologista Daniel Brosco reacendeu o debate sobre como…

3 dias atrás

Sexo transcentrado: prazer, desejo e afeto como ato político

Desmistificar a transexualidade como um corpo que apenas sofre também é uma pauta a ser…

3 dias atrás

Quais países fazem mais sexo? Brasil figura no top 10

Antes de reforçar estereótipos ou brincar com a fama internacional do brasileiro, os números ajudam…

5 dias atrás