{"id":442,"date":"2024-10-07T21:34:19","date_gmt":"2024-10-08T00:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/?p=442"},"modified":"2024-10-08T10:00:58","modified_gmt":"2024-10-08T13:00:58","slug":"o-cheiro-da-chuva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/2024\/10\/07\/o-cheiro-da-chuva\/","title":{"rendered":"O cheiro da chuva"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-444 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/10\/chuva-300x169.jpeg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"493\" \/><\/p>\n<p><strong>O cheiro da chuva<\/strong><\/p>\n<p>Finalmente choveu, da janela do meu escrit\u00f3rio vem o cheiro de terra molhada. Batemos o n\u00e3o muito agrad\u00e1vel recorde de dias de seca em Bras\u00edlia, 166, que s\u00f3 perdem para os 3922 dias em que o Teatro Nacional est\u00e1 fechado. Quem \u00e9 daqui do quadradinho j\u00e1 ligou para os amigos para avisar que na sua regi\u00e3o come\u00e7ou a chover, \u00e9 uma festa coletiva quando este cheiro da terra molhada nos envolve.<\/p>\n<p>Sempre achei que o cheiro da chuva ap\u00f3s uma longa esta\u00e7\u00e3o seca \u00e9 distinto do das chuvas mais constantes. Fui dar um Google sobre o cheiro da chuva e descobri que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 verdade como tamb\u00e9m tem uma explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Se \u00e9 ci\u00eancia, vamos consultar um cientista. Entrevistei o professor e pesquisador Robert Miller, do Departamento de Biologia Celular da UnB.<\/p>\n<p>&#8211; O primeiro cheiro da chuva ap\u00f3s a esta\u00e7\u00e3o da seca \u00e9 diferente?<\/p>\n<p>&#8211; O cheiro terroso da chuva ap\u00f3s uma longa esta\u00e7\u00e3o seca \u00e9 distinto, tanto que podemos sentir o cheiro da chuva antes mesmo dela chegar. Esse cheiro terroso \u00fanico \u00e9 chamado de &#8220;Petricor&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; E a que se deve o Petricor?<\/p>\n<p>&#8211; O que realmente estamos detectando nesse odor terroso s\u00e3o v\u00e1rias mol\u00e9culas org\u00e2nicas, numerosas e vari\u00e1veis, que incluem \u00e1cido palm\u00edtico e \u00e1cido este\u00e1rico, que podem ser extra\u00eddos de rochas secas, solo e argila e, ainda a geosmina, que se origina de bact\u00e9rias Gram-positivas. A geosmina, seu nome vem Geo = terra mais Osme = odor, o &#8220;aroma da terra&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Pode falar um pouco mais sobre a geosmina?<\/p>\n<p>&#8211; A geosmina \u00e9 um l\u00edquido incolor que pertence a uma grande fam\u00edlia de \u00f3leos terpen\u00f3ides. Outros exemplos dessas mol\u00e9culas podem ser encontrados na canela, no cravo e no eucalipto. Somos extremamente sens\u00edveis ao cheiro da geosmina, sendo capazes de detect\u00e1-la em concentra\u00e7\u00f5es inferiores a 10 partes por trilh\u00e3o. Isso equivale a uma colher de ch\u00e1 em 200 piscinas ol\u00edmpicas! Quando gotas de chuva atingem o solo, bolhas de ar podem aprisionar a geosmina, que subsequentemente estoura no topo de cada gota de chuva, liberando pequenos aeross\u00f3is no ar. Este aroma \u00e9 muito agrad\u00e1vel, mas se o encontramos no vinho ou na \u00e1gua dar\u00e1 um gosto indesej\u00e1vel e ser\u00e1 um grande desafio a sua elimina\u00e7\u00e3o. Mas, o mais importante, \u00e9 o seu potencial para pesquisas.<\/p>\n<p>&#8211; Como assim?<\/p>\n<p>&#8211; O cheiro de terra molhada, na verdade, \u00e9 principalmente de geosmina &#8211; mol\u00e9cula de esp\u00e9cies de Streptomyces &#8211; que s\u00e3o grandes produtores de antibi\u00f3ticos, respondendo por at\u00e9 80% de todos os produtos bioativos naturais com aplica\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica ou agroqu\u00edmica. E s\u00e3o\u00a0bem presentes nos solos do Cerrado. Ou seja, o cheiro\u00a0\u00e9 um indicador da presen\u00e7a de N esp\u00e9cies\u00a0novas de Streptomyces e seus antibi\u00f3ticos\u00a0ainda n\u00e3o descobertos &#8211; um marcador do potencial do Cerrado.<\/p>\n<p>O cerrado n\u00e3o para de nos surpreender com a sua riqueza.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, meus caros leitores, voc\u00eas j\u00e1 podem se exibir chamando este cheirinho bom de terra molhada, na primeira chuva ap\u00f3s a seca, de petricor.<\/p>\n<p>Falando em chuva e vinho, sabiam que existe um vinho da chuva? Na Ilha da Madeira, Portugal, \u00e9 produzido o <strong>Rainwater<\/strong>, segundo a lenda o seu nome se deve a um barril de vinho que estava em uma praia aguardando o embarque para as col\u00f4nias americanas, por alguma raz\u00e3o o barril estava sem sua tampa e uma chuva durante a noite o diluiu em parte o tornando mais leve e refrescante, o que muito agradou a quem o consumiu. Assim o acaso criou mais um estilo do Vinho Madeira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cheiro da chuva Finalmente choveu, da janela do meu escrit\u00f3rio vem o cheiro de terra molhada. Batemos o n\u00e3o muito agrad\u00e1vel recorde de dias de seca em Bras\u00edlia, 166, que s\u00f3 perdem para os 3922 dias em que o Teatro Nacional est\u00e1 fechado. Quem \u00e9 daqui do quadradinho j\u00e1 ligou para os amigos para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":154,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[81,82,16],"class_list":["post-442","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blend-de-temas","tag-chuva","tag-rainwater","tag-vinho-madeira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/users\/154"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=442"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":446,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/442\/revisions\/446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}