{"id":338,"date":"2024-08-01T10:58:55","date_gmt":"2024-08-01T13:58:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/?p=338"},"modified":"2024-08-01T11:16:22","modified_gmt":"2024-08-01T14:16:22","slug":"338","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/2024\/08\/01\/338\/","title":{"rendered":"Como o sorvete acendeu o rastilho do movimento de libera\u00e7\u00e3o feminina no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Como o sorvete acendeu o rastilho do movimento de libera\u00e7\u00e3o feminina no Brasil <\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-340 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-2-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"603\" height=\"857\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-2-211x300.jpg 211w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-2-550x783.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-2-230x328.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 603px) 100vw, 603px\" \/><\/p>\n<p>No ano de 1834, no Rio de Janeiro, nem a ilumina\u00e7\u00e3o das ruas com lampi\u00f5es j\u00e1 havia sido completada. D. Pedro II ainda n\u00e3o exercia o comando do Imp\u00e9rio, que neste ano passaria de uma Reg\u00eancia Trina para a de um \u00fanico Regente.<\/p>\n<p>Mas o calor dos ver\u00f5es cariocas j\u00e1 estava l\u00e1 e o empreendedor e comerciante Louren\u00e7o Fallas resolveu oferecer aos seus clientes um produto que eles n\u00e3o conheciam e nem sabiam que precisavam muito, o refrescante e gelado sorvete.<\/p>\n<p>Assim, em 23 de agosto de 1834, inaugurou duas lojas, as primeiras sorveterias do pa\u00eds, uma no Largo do Pa\u00e7o e a outra na Rua do Ouvidor.<\/p>\n<p>J\u00e1, ap\u00f3s 132 anos, em 1966 fui estudar no Col\u00e9gio Estadual Amaro Cavalcante no Largo do Machado. E l\u00e1, em um dos lados do quadril\u00e1tero do Largo, tinha um Bob\u2019s, a primeira rede de lanchonetes deste estilo americano que tivemos no Brasil. Voltava para casa a p\u00e9 para economizar um dinheirinho para comprar uma casquinha de sorvete. Eram apenas 3 sabores, baunilha, chocolate e o misterioso pistache. Nunca tinha ouvido falar dele, mas o sorvete era verde, logo deduzi, pistache era abacate em italiano.<\/p>\n<p>Mas, l\u00e1 em 1834, as m\u00e1quinas de fazer gelo ainda n\u00e3o haviam sido inventadas, produzir sorvete nos tr\u00f3picos n\u00e3o seria uma atividade simples. O gelo tinha de ser importado e a primeira carga, de 217 toneladas, veio de Boston, EUA, a bordo do navio Madagascar.<\/p>\n<p>Nas sorveterias os blocos de gelo eram conservados cobertos por serragem nas chamadas casas de gelo, dep\u00f3sitos subterr\u00e2neos, alguns no sop\u00e9 do Morro do Castelo,\u00a0que permitiam sua preserva\u00e7\u00e3o por de 4 a 5 meses.<\/p>\n<p>N\u00e3o consegui confirmar, mas acredito que o sorvete na \u00e9poca era uma raspadinha de gelo acrescida do suco das nossas frutas tropicais, sendo que o sorvete de pitanga era o preferido do Imperador D. Pedro II.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o havia como conservar o sorvete gelado depois de pronto, assim o seu consumo deveria ser imediato. Para que isso fosse poss\u00edvel as sorveterias anunciavam a hora certa em que ele seria servido. Os primeiros consumidores reclamaram do sorvete \u201cqueima a l\u00edngua!\u201d Mas logo se acostumaram.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-341 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-1-1-300x87.jpg\" alt=\"\" width=\"1040\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-1-1-300x87.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-1-1-768x222.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-1-1-1024x296.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-1-1-800x231.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-1-1-550x159.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/08\/22-sorvete-1-1-230x66.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 1040px) 100vw, 1040px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um efeito colateral totalmente inesperado foi que as mulheres, para quem tudo era proibido, inclusive frequentar os bares, caf\u00e9s e confeitarias, at\u00e9 ent\u00e3o reservados apenas para os homens, passaram a ir juntas nestes estabelecimentos para provarem a deliciosa novidade.<\/p>\n<p>Desta forma, para tomar sorvete as mulheres somaram suas for\u00e7as e praticaram um dos primeiros atos de rebeldia contra a estrutura social vigente, e talvez, at\u00e9 sem saber, iniciaram o movimento brasileiro para a libera\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os temas pelos quais me deslumbro e me despertam interesse, e as palavras, seus significados e etimologia est\u00e3o no p\u00f3dio. Ent\u00e3o fui procurar a origem do nome &#8220;sorvete&#8221;.<\/p>\n<p>Do \u00e1rabe &#8220;shurba&#8221;, suco de frutas, viajou e chegou na Turquia como &#8220;sherbet&#8221;, para designar as bebidas frias. Vai para c\u00e1 e vai para l\u00e1, passou pela It\u00e1lia como \u201csorbetto\u201d e, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, se encontrou na Fran\u00e7a como &#8220;sorbet&#8221;.<\/p>\n<p>Chegando no Brasil, numa soma de sorver, forma de consumir, mais o sorbet franc\u00eas, o nome do produto se transformou em sorvete. Vamos ent\u00e3o ter o prazer de sorver um sorvete!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o sorvete acendeu o rastilho do movimento de libera\u00e7\u00e3o feminina no Brasil No ano de 1834, no Rio de Janeiro, nem a ilumina\u00e7\u00e3o das ruas com lampi\u00f5es j\u00e1 havia sido completada. D. 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