{"id":170,"date":"2024-05-27T09:49:16","date_gmt":"2024-05-27T12:49:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/?p=170"},"modified":"2024-05-27T09:56:10","modified_gmt":"2024-05-27T12:56:10","slug":"tem-chumbo-no-vinho-ou-nas-tacas-de-cristal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/2024\/05\/27\/tem-chumbo-no-vinho-ou-nas-tacas-de-cristal\/","title":{"rendered":"Tem chumbo no vinho ou nas ta\u00e7as de cristal?"},"content":{"rendered":"<p><strong>O leitor Rudinei pergunta: \u201cj\u00e1 ouvi que algumas c\u00e1psulas de garrafas de vinho s\u00e3o ou eram feitas de chumbo ou estanho, e que esse material \u00e9 t\u00f3xico e perigoso para o ser humano, e por isso retirar toda a c\u00e1psula talvez fosse at\u00e9 melhor do que cort\u00e1-la no gargalo para n\u00e3o correr o risco de algum res\u00edduo do recorte se soltar e ir parar na ta\u00e7a. O que h\u00e1 de verdade sobre isso? Fato ou fake?\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na sua origem a utiliza\u00e7\u00e3o da c\u00e1psula tinha o objetivo b\u00e1sico de proteger a rolha de corti\u00e7a do ataque de roedores ou insetos. Tamb\u00e9m para evitar que ficassem muito \u00famidas e mofassem. Posteriormente acrescentou-se uma fun\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, como um complemento aos r\u00f3tulos do vinho.<\/strong><\/p>\n<p><strong>E o chumbo e o estanho eram baratos, male\u00e1veis e cumpriam muito bem este papel de prote\u00e7\u00e3o da rolha. O estanho antigo podia conter quantidades vari\u00e1veis \u200b\u200bde chumbo, j\u00e1 o estanho moderno, de fabricantes s\u00e9rios, geralmente cont\u00e9m pouqu\u00edssimo chumbo, mas n\u00e3o confio nos produtos mais antigos. <\/strong><\/p>\n<p><strong>E estes metais, principalmente o chumbo, foram utilizados durante s\u00e9culos at\u00e9 o <\/strong><strong>in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990<\/strong>, <strong>quando cresceram os receios sobre a possibilidade <\/strong><strong>de, <\/strong><strong>ao se abrir a garrafa, res\u00edduos de chumbo ca\u00edssem no vinho, alterando o seu sabor, sendo que esta absor\u00e7\u00e3o prolongada causaria a <\/strong><strong>intoxica\u00e7\u00e3o do consumidor com<\/strong> <strong>s\u00e9rios danos \u00e0 sua sa\u00fade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 1996 os EUA proibiram a utiliza\u00e7\u00e3o das c\u00e1psulas com chumbo em seu territ\u00f3rio e a importa\u00e7\u00e3o de garrafas que o utilizassem. Logo diversos outros pa\u00edses adotaram a mesma postura.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma pausa para um momento de nostalgia, lembro de ter cortado o dedo umas duas vezes com estas navalhas de chumbo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O envenenamento por chumbo geralmente n\u00e3o possui sintomas iniciais, mas a exposi\u00e7\u00e3o prolongada pode causar problemas significativos com sintomas como fraqueza, fadiga, enjoo, c\u00f3licas, v\u00f4mitos e dores de cabe\u00e7a. Atacando o c\u00e9rebro e o sistema nervoso causando<\/strong><strong> letargia, coma e at\u00e9 a morte. A doen\u00e7a se chama <\/strong><strong>Saturnismo ou plumbismo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima em mais de 5 milh\u00f5es de mortes anuais por conta da contamina\u00e7\u00e3o por chumbo. Mas calma a culpa n\u00e3o \u00e9 do vinho. O metal est\u00e1 presente, muitas vezes em quantidade acima da estabelecida na legisla\u00e7\u00e3o <\/strong><strong>nos mais diversos produtos desde maquiagens, enlatados a tintas.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>O limite m\u00e1ximo estabelecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) a partir da vindima de 2022 \u00e9 de\u00a00,10 mg\/L. At\u00e9 2012 o limite era de 0,20 mg\/L, o dobro.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas de onde surge este chumbo no vinho se a c\u00e1psulas modernas s\u00e3o de outros materiais? O aparecimento dele no vinho se deve a uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores na etapa da vinifica\u00e7\u00e3o, desde a absor\u00e7\u00e3o do chumbo presente na terra; polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica; \u00e1gua; contato com materiais impuros durante as etapas da vinifica\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o dentro das vin\u00edcolas. A utiliza\u00e7\u00e3o de bentonite (um tipo de argila utilizada na filtragem) e a aguardenta\u00e7\u00e3o dos vinhos fortificados tamb\u00e9m podem trazer esta contamina\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um pouco de hist\u00f3ria. No Imp\u00e9rio Romano para corrigir a acidez e ado\u00e7ar os vinhos era produzido o \u201csapa&#8221; uma esp\u00e9cie de xarope obtido ao ferver o suco de uva n\u00e3o fermentado, at\u00e9 reduzir a um ter\u00e7o do volume inicial. Ficando com uma grande concentra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facares. Mas isto era feito em recipientes que continham chumbo e o liquido ficava contaminado com acetato de chumbo com n\u00edveis 200 vezes superiores aos hoje aceitos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas tudo que j\u00e1 est\u00e1 ruim pode piorar. Os romanos descobriram uma maneira de transformar este a\u00e7\u00facar de chumbo em cristais, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/carlota-joaquina-rainha-ninfomaniaca-que-inventou-caipirinha.phtml\">a\u00e7\u00facar<\/a> cristal. Mas n\u00e3o demonizem apenas o vinho, at\u00e9 quem s\u00f3 bebia \u00e1gua se contaminava, uma vez que os canos que a transportavam tamb\u00e9m eram de chumbo. Esta heran\u00e7a romana dos canos de chumbo tamb\u00e9m provocou uma epidemia de contamina\u00e7\u00e3o em Londres.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo alguns pesquisadores at\u00e9 a surdez de Beethoven pode ser consequ\u00eancia do envenenamento por chumbo devido ao consumo de vinhos baratos em que eram adicionados chumbo para melhorar o sabor.<\/strong> <strong>Para piorar os rem\u00e9dios que tomava para curar os efeitos da intoxica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m continham chumbo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como imagino que voc\u00eas saibam o cristal \u00e9 vidro com a adi\u00e7\u00e3o de algum metal e o chumbo sempre foi o mais utilizado. E o que acontece quando utilizamos ta\u00e7as, decanters ou garrafas de cristal? Vem a\u00ed uma m\u00e1 not\u00edcia, o cristal libera chumbo nas bebidas. Mas a quantidade vai se relacionar com dois fatores principais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Primeiro vai depender da porcentagem de chumbo presente no cristal. Depois, muito importante, o tempo de contato com a bebida. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O vinho em um decanter ou garrafa deste tipo de cristal, ap\u00f3s uma hora ter\u00e1 o seu teor de chumbo duplicado e multiplicado por tr\u00eas ap\u00f3s quatro horas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Nas ta\u00e7as h\u00e1 a expectativa que n\u00e3o haja tempo para a contamina\u00e7\u00e3o. Mas para que se arriscar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas existe uma solu\u00e7\u00e3o para a utiliza\u00e7\u00e3o tranquila das ta\u00e7as, decanters e garrafas, \u00e9 o chamado cristal ecol\u00f3gico onde o <\/strong><strong>tit\u00e2nio entra como o metal da sua composi\u00e7\u00e3o, e ainda s\u00e3o mais resistentes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Portanto respondendo ao Rudinei: c\u00e1psulas de chumbo s\u00e3o prejudicais \u00e0 sa\u00fade? <\/strong><strong>Fato ou fake? FATO!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leitor Rudinei pergunta: \u201cj\u00e1 ouvi que algumas c\u00e1psulas de garrafas de vinho s\u00e3o ou eram feitas de chumbo ou estanho, e que esse material \u00e9 t\u00f3xico e perigoso para o ser humano, e por isso retirar toda a c\u00e1psula talvez fosse at\u00e9 melhor do que cort\u00e1-la no gargalo para n\u00e3o correr o risco de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":154,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[49,42,50,44,45,51,48,47,46,43],"class_list":["post-170","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-duvidas-mais-frequentes","tag-beethoven","tag-chumbo","tag-cristal","tag-decanter","tag-garrafa","tag-imperio-romano","tag-oiv","tag-oms","tag-sapa","tag-taca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/users\/154"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":171,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170\/revisions\/171"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}