{"id":1028,"date":"2025-08-11T08:00:52","date_gmt":"2025-08-11T11:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/?p=1028"},"modified":"2025-08-11T22:15:43","modified_gmt":"2025-08-12T01:15:43","slug":"conversando-com-stephanie-de-paula-artista-criadora-de-rotulos-de-vinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/2025\/08\/11\/conversando-com-stephanie-de-paula-artista-criadora-de-rotulos-de-vinhos\/","title":{"rendered":"CONVERSANDO COM STEPHANIE DE PAULA, ARTISTA CRIADORA DE R\u00d3TULOS DE VINHOS"},"content":{"rendered":"<p>Vamos conversar com a STEPHANIE LOCIKS DE PAULA, nascida em Tel\u00eamaco Borba &#8211; Paran\u00e1, \u00a0veio para Bras\u00edlia com 8 anos. Designer de moda e artista pl\u00e1stica, apaixonada por m\u00fasica cl\u00e1ssica e pintura, \u00e9 a criadora de v\u00e1rios r\u00f3tulos para vinhos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1031 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-4-300x165.jpeg\" alt=\"\" width=\"1078\" height=\"593\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-4-300x165.jpeg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-4-550x302.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-4-230x126.jpeg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-4.jpeg 719w\" sizes=\"auto, (max-width: 1078px) 100vw, 1078px\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8211; Fale um pouco da sua viv\u00eancia nas artes pl\u00e1sticas. <\/strong><\/p>\n<p>Eu desenho desde os cinco anos. Nunca tive uma forma\u00e7\u00e3o formal em artes pl\u00e1sticas, me formei em Design de Moda \u2014 meu aprendizado sempre foi olhar, escutar e sentir. O tra\u00e7o sai no tempo dele, como uma resposta espont\u00e2nea ao mundo \u00e0 minha volta. \u00c9 um processo muito vivo, guiado pela intui\u00e7\u00e3o, pelo som, pela cor, pela \u201cimpress\u00e3o\u201d. O que me move \u00e9 essa impress\u00e3o que o mundo deixa em mim. E o que eu ilustro nasce desse impacto direto, quase sem filtro, como se fosse uma tradu\u00e7\u00e3o imediata de uma experi\u00eancia sensorial.<\/p>\n<p>Uma das experi\u00eancias mais marcantes da minha trajet\u00f3ria foi o projeto com a Orquestra Sinf\u00f4nica do Teatro Nacional, em Bras\u00edlia. Eu cresci assistindo aos concertos, e aquele ambiente sempre foi um lugar de encantamento para mim. Anos depois, voltei ali como artista \u2014 e tudo mudou de perspectiva. Durante os concertos, me sentava no escuro com um bloco de 250 p\u00e1ginas e um l\u00e1pis, desenhando ao vivo o que acontecia diante dos meus olhos \u2014 os m\u00fasicos, os instrumentos, os movimentos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1032 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-5-300x196.jpeg\" alt=\"\" width=\"1117\" height=\"730\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-5-300x196.jpeg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-5-550x359.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-5-230x150.jpeg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-5.jpeg 719w\" sizes=\"auto, (max-width: 1117px) 100vw, 1117px\" \/><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o usava fotografias, nem refer\u00eancias externas. Era tudo feito na hora, num processo quase de improviso, como se eu estivesse tocando junto com eles. Minha m\u00e3o respondia ao som com o tra\u00e7o. \u00c0s vezes fazia quatro desenhos por noite, \u00e0s vezes vinte.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o que nasceu disso \u2014 Sinestesia: cores e sons respondem um ao outro \u2014 foi uma tentativa de materializar sensa\u00e7\u00f5es que me habitam desde crian\u00e7a. As cores que vejo quando ou\u00e7o certos compositores, a atmosfera emocional dos concertos, tudo isso ganhou forma em aquarelas e estampas. Mais do que ilustrar, eu queria dar uma \u201ccara de casa\u201d \u00e0 orquestra, que naquele momento estava sem palco fixo. Foi meu jeito de agradecer por tudo o que recebi ali.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Como foi que aconteceu esta conex\u00e3o com o mundo do vinho? <\/strong><\/p>\n<p>A conex\u00e3o com o mundo do vinho aconteceu de forma muito org\u00e2nica \u2014 Sempre apreciei o vinho n\u00e3o s\u00f3 como bebida, mas como uma arte particular. Um elemento que ativa todos os cinco sentidos: o som do l\u00edquido sendo servido, os aromas que despertam mem\u00f3rias, o toque do copo, o sabor que muda com o tempo e, claro, a beleza da cor.<\/p>\n<p>Ele sempre me fascinou por isso \u2014 por ser uma experi\u00eancia completa, quase como uma pintura que se dissolve na boca. Quando comecei a trabalhar com aquarelas, percebi que havia uma semelhan\u00e7a forte entre o que escorre no papel e o que escorre na ta\u00e7a: a fluidez, as manchas, os acidentes belos que n\u00e3o se controlam. Era como se o vinho j\u00e1 estivesse ali, no meu processo criativo, antes mesmo do convite surgir. Marca de vinho no papel Aquarelas org\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando fui chamada para ilustrar r\u00f3tulos inspirados na m\u00fasica brasileira, foi como se tudo se encaixasse. A aquarela j\u00e1 vinha antes do tra\u00e7o \u2014 como o vinho que vem antes da conversa \u2014 e os tra\u00e7os, como a m\u00fasica, vinham depois, para dar ritmo e forma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1030 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"1113\" height=\"787\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2-300x212.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2-768x543.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2-1440x1018.jpg 1440w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2-800x566.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2-550x389.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2-230x163.jpg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-2.jpg 1754w\" sizes=\"auto, (max-width: 1113px) 100vw, 1113px\" \/><\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, entendi que o vinho, assim como a arte, \u00e9 sobre presen\u00e7a. Sobre o agora. E isso mudou completamente minha forma de criar. Sempre que me chamam para ilustrar um r\u00f3tulo, eu busco compreender a ideia por tr\u00e1s daquela cria\u00e7\u00e3o. Quero saber o que inspirou o vinho, que sabores ele carrega, qual atmosfera ele quer evocar. \u00c0s vezes provo, outras vezes escuto \u2014 porque toda garrafa tem uma inten\u00e7\u00e3o, uma hist\u00f3ria, e meu papel \u00e9 dar forma visual a isso. N\u00e3o se trata apenas de ilustrar um sabor, mas de traduzir uma experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Tenho a impress\u00e3o que voc\u00ea gostaria de ter vivido na d\u00e9cada de 60. Seus figurinos, as m\u00fasicas que acompanham suas publica\u00e7\u00f5es, discos de vinil. \u00c9 isso mesmo? <\/strong><\/p>\n<p>Com certeza. A d\u00e9cada de 60 me habita \u2014 n\u00e3o s\u00f3 como refer\u00eancia est\u00e9tica, mas como um sentimento. Amo tudo nesse per\u00edodo: a m\u00fasica, os vestidos, as cores vibrantes, as estampas ousadas, e principalmente o esp\u00edrito livre e experimental que atravessava a arte, a moda, a arquitetura e o pensamento.<\/p>\n<p>E talvez isso tamb\u00e9m explique meu amor por Bras\u00edlia \u2014 a cidade onde vivi a maior parte da minha vida, e que nasceu nos anos 60. Ela carrega no concreto o mesmo idealismo dessa d\u00e9cada: linhas limpas, horizontes abertos, formas futuristas e ao mesmo tempo profundamente po\u00e9ticas. Bras\u00edlia \u00e9 uma esp\u00e9cie de aquarela modernista que virou cidade. E eu cresci vendo beleza nisso.<\/p>\n<p>Tenho verdadeira paix\u00e3o pelo vinil, por esse universo anal\u00f3gico. Escutar um disco \u00e9 quase um ritual de presen\u00e7a: escolher o \u00e1lbum, levantar a agulha, ouvir o chiado antes da melodia. \u00c9 como se o tempo voltasse a ter peso e textura. Me conecto com isso.<\/p>\n<p>Os anos 60 me influenciam n\u00e3o como nostalgia, mas como linguagem viva. Muitos dos figurinos que uso no dia a dia (a maioria de brech\u00f3s), as m\u00fasicas que acompanham minhas publica\u00e7\u00f5es, e at\u00e9 as paletas das minhas aquarelas carregam esse DNA visual e sonoro. Essa d\u00e9cada respirava um impulso de reinven\u00e7\u00e3o. Havia algo de doce e radical na forma como se criava \u2014 e na f\u00e9 inabal\u00e1vel de que a arte podia redesenhar o mundo. Ainda acredito nisso.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Mais uma inveja minha, como treinou t\u00e3o bem os seus cachorros? Os meus tocam o terror!<\/strong><\/p>\n<p>Criei um canal para ajudar as pessoas com seus c\u00e3es, principalmente a cria\u00e7\u00e3o de c\u00e3es grandes em espa\u00e7os urbanos. O canal WOLFCLAN surgiu exatamente dessa necessidade: criar um Pastor Alem\u00e3o em apartamento e n\u00e3o encontrar quase nenhuma informa\u00e7\u00e3o real, pr\u00e1tica e afetuosa sobre isso.<\/p>\n<p>Antes disso, eu trabalhei um bom tempo em um hotel para c\u00e3es \u2014 o que me ajudou muito a observar o comportamento dos animais, as din\u00e2micas de matilha, as rea\u00e7\u00f5es, os gatilhos&#8230; Enfim, tudo que n\u00e3o se aprende em manual.<\/p>\n<p>Assim como aprendi a ilustrar, foi na observa\u00e7\u00e3o e na pr\u00e1tica que comecei a treinar meus c\u00e3es. Li livros, vi v\u00eddeos, testei m\u00e9todos, errei, acertei, e fui adaptando ao nosso ritmo de vida. Hoje, atrav\u00e9s do canal, a gente compartilha isso com quem tamb\u00e9m quer viver grandes hist\u00f3rias com um c\u00e3o \u2014 mesmo dentro da cidade<\/p>\n<p>Meus c\u00e3es s\u00e3o parte essencial do meu processo criativo. A conviv\u00eancia com eles inspira n\u00e3o s\u00f3 minhas ilustra\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m pequenas tirinhas que publico nas redes sociais, onde transformo comportamentos e express\u00f5es do dia a dia em cenas po\u00e9ticas, c\u00f4micas ou emocionantes. Eles me ajudam a olhar o cotidiano com mais sensibilidade \u2014 e humor. Al\u00e9m disso, recebo encomendas para ilustrar pessoas e seus c\u00e3es, um jeito especial de eternizar esse amor canino e celebrar a conex\u00e3o \u00fanica entre eles.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1033 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-1-1-300x251.jpg\" alt=\"\" width=\"1043\" height=\"872\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-1-1-300x251.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-1-1-768x643.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-1-1-800x670.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-1-1-550x461.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-1-1-230x193.jpg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/08\/entrevista-STEPHANIE-pintora-r\u00f3tulos-1-1.jpg 1267w\" sizes=\"auto, (max-width: 1043px) 100vw, 1043px\" \/><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/st.depaula\/\">(9) Instagram<\/a> &#8211; \/st.depaula\/<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/results?search_query=+WOLFCLAN\">WOLFCLAN &#8211; YouTube<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos conversar com a STEPHANIE LOCIKS DE PAULA, nascida em Tel\u00eamaco Borba &#8211; Paran\u00e1, \u00a0veio para Bras\u00edlia com 8 anos. 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