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O vinho tem muita história nas Olimpíadas – V Um elixir revigorante leva à vitória

Vamos trazer aqui algumas curiosidades acerca da relação entre vinho e as olimpíadas.

O vinho tem muita história nas Olimpíadas – V

Um elixir revigorante leva à vitória

Quando assistimos a organização das Olimpíadas mais recentes não podemos imaginar a bagunça das primeiras edições. E a de 1904, em St. Louis-EUA, está no topo do pódio neste quesito.

Para que o caos fosse completo foi necessária uma conjunção de fatores, como a sua realização simultânea com a Feira Mundial de 1904, a alta temperatura registrada e um organizador supremacista branco, James E. Sullivan, que além de racista era adepto da pseudociência, como veremos mais adiante.

E a Maratona, sempre ela, foi onde todo o caos se encontrou. Considerando que a temperatura estava elevada, os registros indicam 32,2º., Sullivan resolveu pesquisar os efeitos da “desidratação proposital” e assim colocou apenas um posto de água no percurso.

Para piorar, como a corrida era realizada em estradas não pavimentadas, os carros que transportavam os fiscais levantaram nuvens de poeira que sufocaram os participantes e vários deles foram abandonando a prova. Cães selvagens perseguiram um dos corredores. Desclassificaram o primeiro a cruzar a linha de chegada porque descobriram que ele tinha pegado uma carona de carro por cerca de 16 km.

Em muitos aspectos foi a pior Maratona da história, a mais baixa proporção entre o número de atletas na largada (32) e os que conseguiram concluir a prova (14).  O tempo do vitorioso foi o lamentável 3h28m45s, quase 30 minutos mais lento que o registrado na Olimpíada anterior.

E o vencedor? O corredor Thomas Hicks. Durante a prova, exausto e desidratado pedia por água para a sua equipe de apoio, que o seguia em um carro, no lugar da água proibida, lhe ofereciam um elixir revigorante fruto da mais avançada pseudociência. Vejam a receita: clara de ovo, conhaque e estricnina (tem quem utilize como veneno de rato).

A ideia era ressuscitar o indivíduo para que ele completasse o percurso, não podemos dizer que não funcionou, mas Thomas começou a ter alucinações. Cruzou a linha de chegada com uma desidratação grave e tendo perdido quase que 4kg. Já saiu de maca para ser tratado.

E onde o vinho entra nesta história? O conhaque é um filho do vinho, elaborado a partir da sua destilação.

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