{"id":291,"date":"2013-02-07T19:02:00","date_gmt":"2013-02-07T21:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/quase_metade_dos_consumidores_de_carros_chamados_para_recall_nao_vao\/"},"modified":"2013-02-07T19:02:00","modified_gmt":"2013-02-07T21:02:00","slug":"quase_metade_dos_consumidores_de_carros_chamados_para_recall_nao_vao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/quase_metade_dos_consumidores_de_carros_chamados_para_recall_nao_vao\/","title":{"rendered":"Quase metade dos consumidores de carros chamados para recall n\u00e3o v\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-consumidor\/b56192cbf9ec7525bad36e374b4001d1.jpg\">  <\/p>\n<p>  Mais de seis milh\u00f5es de ve\u00edculos no Brasil foram convocados para algum tipo de recall nos \u00faltimos 10 anos e quase a metade dos consumidores afetados &#8211; 44,72% &#8211; n\u00e3o procurou as montadoras ou importadoras para trocar a pe\u00e7a defeituosa. O que significa que 2,7 milh\u00f5es de autom\u00f3veis entre carros, motos, caminh\u00f5es e \u00f4nibus podem estar circulando nas pistas brasileiras com algum tipo de defeito. Entre as pe\u00e7as que teriam que ser trocadas est\u00e3o importantes itens de seguran\u00e7a como o sistema de freios, de rodas, cinto de seguran\u00e7a e airbag.     <\/p>\n<p>  De acordo com relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o Procon de S\u00e3o Paulo, de 2002 a 2012, 82 campanhas para troca de alguma pe\u00e7a do sistema de freios foram realizadas, afetando 604.589 ve\u00edculos. Por\u00e9m, 35,48% dos consumidores convocados n\u00e3o procuraram a fabricante para trocar o item defeituoso. No caso do sistema de airbag, o \u00edndice \u00e9 ainda mais preocupante. Apenas 15,78% dos donos de ve\u00edculos participaram das 16 campanhas feitas.     <\/p>\n<p>  O descuido preocupa autoridades e especialistas de tr\u00e2nsito. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito perigosa porque um ve\u00edculo defeituoso oferece risco para todo mundo, n\u00e3o s\u00f3 para o condutor do carro como para todos os que est\u00e3o no tr\u00e2nsito\u201d, afirma Paulo C\u00e9sar Marques, professor de engenharia de tr\u00e1fego da Universidade de Bras\u00edlia.     <\/p>\n<p>  Para que mais consumidores participem das campanhas de recall e acidentes sejam evitados, desde mar\u00e7o de 2011 est\u00e1 em vigor uma portaria do Departamento Nacional de Tr\u00e2nsito (Denatran) que obriga as montadoras a enviar relat\u00f3rios com a quantidade de atendimentos realizados. A informa\u00e7\u00e3o recebida \u00e9 processada pelo Denatran e inclu\u00edda no sistema do Registro Nacional de Ve\u00edculos Automotores (Renavam).     <\/p>\n<p>Se passar um ano do in\u00edcio da campanha de recall e o propriet\u00e1rio do ve\u00edculo n\u00e3o fizer a troca da pe\u00e7a, a informa\u00e7\u00e3o de que o recall n\u00e3o foi feito naquele carro ficar\u00e1 registrada no Certificado de Registro e Licenciamento de Ve\u00edculo. O documento \u00e9 substitu\u00eddo a cada ano, ap\u00f3s o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Ve\u00edculos Automotores (IPVA). Dessa forma, um futuro comprador do carro usado saber\u00e1 que o autom\u00f3vel que est\u00e1 adquirindo passou por recall e se ele foi feito ou n\u00e3o pelo antigo propriet\u00e1rio.     <\/p>\n<p>Caso o ve\u00edculo seja posteriormente levado para reparo, a informa\u00e7\u00e3o sobre o recall ser\u00e1 atualizada na documenta\u00e7\u00e3o. Lembrando que o consumidor deve receber um documento que comprove o comparecimento ao recall, com detalhes do conserto e dados do atendimento.     <\/p>\n<p>&nbsp;Motivos     <\/p>\n<p>A falta de informa\u00e7\u00e3o e a dificuldade para fazer o recall s\u00e3o dois fatores apontados por especialistas para justificar a aus\u00eancia de parte dos consumidores nos recalls. Muitas vezes os propriet\u00e1rios dos ve\u00edculos nem ficam sabendo da campanha, seja porque a montadora fez um an\u00fancio pequeno, seja porque o comunicado circulou em hor\u00e1rios que o consumidor n\u00e3o costuma assistir televis\u00e3o ou ouvir r\u00e1dio, por exemplo.     <\/p>\n<p>  Outro problema que desestimula o consumidor \u00e9 a dificuldade log\u00edstica que as montadoras t\u00eam para fazer o recall. Isso ocorre porque boa parte do parque industrial automotivo est\u00e1 concentrado em S\u00e3o Paulo e nem sempre as montadoras conseguem repassar a toda a rede de concession\u00e1rias a quantidade de pe\u00e7as necess\u00e1rias em pouco tempo. A demora para chegar a pe\u00e7a em determinada cidade tamb\u00e9m contribui para o desest\u00edmulo do consumidor em fazer o recall.     <\/p>\n<p>  A arquiteta Lea Tiemi Justiniano, 42 anos, por exemplo, s\u00f3 conseguiu fazer o recall depois de tr\u00eas meses do comunicado da campanha. Ela viu pela TV que o carro dela, um Sentra Nissan autom\u00e1tico precisaria trocar o conector de bateria devido a um problema de f\u00e1brica. Logo em seguida, a arquiteta entrou em contato com a concession\u00e1ria local, conforme orienta\u00e7\u00e3o do an\u00fancio. A concession\u00e1ria informou ent\u00e3o que entraria em contato com a propriet\u00e1ria para agendar a troca da pe\u00e7a.     <\/p>\n<p>  Passados quase tr\u00eas meses do contato de Lea com a concession\u00e1ria, ela recebeu uma liga\u00e7\u00e3o da Nissan de S\u00e3o Paulo avisando que a pe\u00e7a chegaria a Bras\u00edlia dentro de poucos dias, portanto, ela j\u00e1 poderia ligar para marcar o conserto na concession\u00e1ria. \u201cFoi o que eu fiz e aconteceu. Assim que eu soube do recall fiquei um pouco preocupada porque eu viajo com as crian\u00e7as. Al\u00e9m disso, nunca tinha tido um carro autom\u00e1tico e n\u00e3o sabia quais seriam as poss\u00edves consequ\u00eancias de manter a pe\u00e7a defeituosa\u201d, conta.     <\/p>\n<p>  Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) a falta de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a principal causa da aus\u00eancia dos consumidores nas campanhas de recall. A associa\u00e7\u00e3o acredita que falta a\u00e7\u00e3o mais en\u00e9rgica dos governos em alertar a popula\u00e7\u00e3o. \u201cOs an\u00fancios oferecidos pelas empresas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para abranger todos os consumidores e o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor determina que os estados, os munic\u00edpios e a Uni\u00e3o tamb\u00e9m ajudem a informar\u201d, afirma Daniel Mendes, advogado do Idec. Ele argumenta que n\u00e3o h\u00e1 neglig\u00eancia do consumidor. \u201cO consumidor n\u00e3o vai arriscar sofrer um acidente sabendo que tem como trocar a pe\u00e7a ou a mercadoria\u201d, analisa Daniel.     <\/p>\n<p>  O diretor geral do Procon-DF, Oswaldo Morais, defende que a parte do governo e dos Procons est\u00e3o sendo bem executadas. \u201cO que a lei obriga est\u00e1 sendo cumprido pelo estado e pelas empresas. O que est\u00e1 faltando \u00e9 o interesse do consumidor em buscar a execu\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o\u201d, argumenta. Oswaldo explica que o consumidor que tiver dificuldades para realizar o recall pode procurar o Procon e fazer a reclama\u00e7\u00e3o.     <\/p>\n<p>Para saber mais   <\/p>\n<p>A palavra recall, de origem inglesa, \u00e9 utilizada no Brasil para indicar o procedimento, previsto em lei, de chamar de volta os consumidores em raz\u00e3o de defeitos verificados em produtos ou servi\u00e7os colocados no mercado, evitando, assim, a ocorr\u00eancia de acidentes de consumo. O chamamento (recall), ou Aviso de Risco, tem por objetivo proteger e preservar a vida, sa\u00fade, integridade e seguran\u00e7a do consumidor, bem como evitar preju\u00edzos materiais e morais.     <\/p>\n<p>O que diz a lei     <\/p>\n<p>O recall est\u00e1 previsto no artigo 10 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor. A lei determina que a empresa \u201cn\u00e3o poder\u00e1 colocar no mercado produto ou servi\u00e7o que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade \u00e0 sa\u00fade e seguran\u00e7a\u201d. Caso a empresa coloque um produto no mercado e depois perceba que ele pode colocar a sa\u00fade do consumidor em risco, ela deve comunicar o fato imediatamente \u00e0s autoridades competentes e aos consumidores por meio de an\u00fancios publicit\u00e1rios. Esses an\u00fancios devem ser veiculados na imprensa, r\u00e1dio e televis\u00e3o. Uni\u00e3o, estados, munic\u00edpios e o Distrito Federal dever\u00e3o tamb\u00e9m informar os consumidores sobre o recall.     <\/p>\n<p>Numer\u00e1ria   <\/p>\n<p>6.258.946     <\/p>\n<p>Total de ve\u00edculos que passaram por campanha de recall no Brasil nos \u00faltimos 10 anos     <\/p>\n<p>440     <\/p>\n<p>Campanhas de recall&nbsp; de ve\u00edculos nos \u00faltimos 10 anos     <\/p>\n<p>77,6%     <\/p>\n<p>Das campanhas de recall dos \u00faltimos 10 anos foram de ve\u00edculos     <\/p>\n<p>2.799.141     <\/p>\n<p>Quantidade de consumidores que n\u00e3o fizeram o recall de ve\u00edculos no Brasil nos \u00faltimos 10 anos     <\/p>\n<p>44,72%     <\/p>\n<p>Dos consumidores n\u00e3o fizeram os recalls nos \u00faltimos 10 anos     <\/p>\n<p>358.895     <\/p>\n<p>Total de ve\u00edculos que passaram por campanha de recall no Brasil em 2012     <\/p>\n<p>87,7% dos recalls realizados em 2012 eram de ve\u00edculos     <\/p>\n<p>Defeito&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; % de afetados que n\u00e3o fizeram o recall<br style=\"font-style: italic\">     <\/p>\n<p>Freios&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 35,48%     <\/p>\n<p>Projeto \/ fabrica\u00e7\u00e3o\/ montagem do ve\u00edculo&nbsp;&nbsp;&nbsp; 95,53%     <\/p>\n<p>Sistema de combust\u00edvel&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 32,42%     <\/p>\n<p>Sistema de dire\u00e7\u00e3o&nbsp;&nbsp;&nbsp; 46,56%     <\/p>\n<p>Suspens\u00e3o e amortecedores&nbsp;&nbsp;&nbsp; 48,13%     <\/p>\n<p>Itens el\u00e9tricos&nbsp; (adaptador, bateria, interruptor, transformador)&nbsp;&nbsp;&nbsp; 78,56%     <\/p>\n<p>Tra\u00e7\u00e3o (c\u00e2mbio, embreagem, eixo)&nbsp;&nbsp;&nbsp; 32,07%     <\/p>\n<p>Motor&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 78,82%     <\/p>\n<p>Rodas&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 35,71%     <\/p>\n<p>Cinto de seguran\u00e7a&nbsp;&nbsp;&nbsp; 47,41%     <\/p>\n<p>Sistema de fechamento (de portas, vidros, cap\u00f4, capota, teto solar, etc)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 75,2%     <\/p>\n<p>Airbag&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 84,22%     <\/p>\n<p>Acelera\u00e7\u00e3o&nbsp;&nbsp;&nbsp; 21,46%     <\/p>\n<p>Arrefecimento&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 33,49%     <\/p>\n<p>Limpador de p\u00e1ra-brisa&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 15,88%     <\/p>\n<p>Chassi&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 43,27%     <\/p>\n<p>Piloto Autom\u00e1tico&nbsp;&nbsp;&nbsp; 78,91%     <\/p>\n<p>* Fonte: Procon-SP \/\/ A porcentagem refere-se ao per\u00edodo de 01\/01\/2002 a 30\/01\/2013     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais de seis milh\u00f5es de ve\u00edculos no Brasil foram convocados para algum tipo de recall nos \u00faltimos 10 anos e quase a metade dos consumidores afetados &#8211; 44,72% &#8211; n\u00e3o procurou as montadoras ou importadoras para trocar a pe\u00e7a defeituosa. 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