{"id":1450,"date":"2016-10-13T12:16:50","date_gmt":"2016-10-13T15:16:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/?p=1450"},"modified":"2016-10-13T12:20:56","modified_gmt":"2016-10-13T15:20:56","slug":"1450-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/1450-2\/","title":{"rendered":"Seca atinge planta\u00e7\u00f5es e alimentos chegam at\u00e9 100% mais caros para os consumidores"},"content":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1via Maia e Rafael Campos<\/p>\n<figure id=\"attachment_1451\" aria-describedby=\"caption-attachment-1451\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020162324-1.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1451\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1451\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020162324-1.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: Antonio Cunha\/CB\/D.A Press. \" width=\"800\" height=\"504\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020162324-1.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020162324-1-300x189.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020162324-1-768x484.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020162324-1-350x221.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020162324-1-550x347.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020162324-1-230x145.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1451\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Antonio Cunha\/CB\/D.A Press.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O amarelado da seca em outubro tornou-se uma colora\u00e7\u00e3o nova para a propriedade do agricultor Rodrigo Barzotto Werlang, 38 anos, localizada em Planaltina. Acostumado a ver p\u00e9s de milho altos nessa \u00e9poca do ano, ele espera o aval de S\u00e3o Pedro para come\u00e7ar uma outra safra. \u201cSe estiv\u00e9ssemos em um ano normal, todo esse terreno estaria verde\u201d, garante. Rodrigo e outros milhares de agricultores do Distrito Federal s\u00e3o personagens da hist\u00f3ria da mais expressiva crise h\u00eddrica vivida na capital do pa\u00eds. Os produtores sofrem duas press\u00f5es: a falta de chuva e a redu\u00e7\u00e3o da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para as planta\u00e7\u00f5es no intuito de n\u00e3o atrapalhar o abastecimento nas resid\u00eancias. Nesta semana, os principais reservat\u00f3rios da capital do pa\u00eds \u2013 Barragem do Descoberto e Santa Maria &#8211; chegaram aos volumes mais baixos da exist\u00eancia. H\u00e1 previs\u00e3o de que o Descoberto chegue a 25% e se inicie a cobran\u00e7a de um valor a mais na fatura mensal de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Na gest\u00e3o do escasso recurso h\u00eddrico, os produtores tiveram que aprender a revezar a \u00e1gua, a deixar campos sem planta\u00e7\u00e3o e a abrir m\u00e3o da safrinha. Segundo dados da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural do Distrito Federal (Emater), na seca de 2016 houve queda de 70% na produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e diminui\u00e7\u00e3o de 30% da \u00e1rea plantada. As produ\u00e7\u00f5es de milho e feij\u00e3o foram as mais afetadas, assim como as hortali\u00e7as sentiram o peso da falta de \u00e1gua. O resultado come\u00e7a a refletir no pre\u00e7o de itens da feira, como tomate, milho, chuchu e batata que chegaram a subir at\u00e9 100%.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/crise-hidrica-avanca-e-consumidores-estao-preocupados-com-valor-mais-na-fatura-de-agua\/\" target=\"_blank\">Leia mais sobre a crise h\u00eddrica no Distrito Federal<\/a><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o alarmante que, pela primeira vez na hist\u00f3ria do DF, um canal rural teve que ser fechado para evitar desabastecimento de \u00e1gua ao consumo humano. O acesso fica na regi\u00e3o do Descoberto e a \u00e1gua era usada para cultivo de plantas de paisagismo. \u201cCom a baixa do reservat\u00f3rio, priorizamos o abastecimento das casas e as planta\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, explica Hudson Rocha de Oliveira, coordenador de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Reguladora de \u00c1guas, Energia e Saneamento do DF (Adasa).<\/p>\n<p>Outros canais agr\u00edcolas, como o Santos Dumont, no Pipiripau, em Planaltina, e o Roteador, na Bacia do Descoberto, pr\u00f3ximo a Ceil\u00e2ndia e \u00c1guas Lindas (GO), tiveram as vaz\u00f5es reduzidas, dessa forma, os produtores est\u00e3o com menos acesso \u00e0 \u00e1gua. No Santos Dumont, a quantidade do l\u00edquido dispon\u00edvel para a agricultura caiu pela metade e no Roteador a queda foi de 30%. A sa\u00edda encontrada pelos agricultores foi o revezamento &#8211; a propriedade fica 24 horas com acesso a \u00e1gua e 48 horas sem. Nas fazendas localizadas na regi\u00e3o do Rio Preto, em Planaltina, onde h\u00e1 propriedades maiores e com uso de piv\u00f4, a solu\u00e7\u00e3o foi mais radical: como a vaz\u00e3o do Ribeir\u00e3o Extrema estava baixa, todos os grandes produtores suspenderam as planta\u00e7\u00f5es desde julho para n\u00e3o ligar os equipamentos de irriga\u00e7\u00e3o e abriram m\u00e3o da safrinha.<\/p>\n<p>Para evitar que as estiagens prejudiquem a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no futuro, a estrat\u00e9gia tra\u00e7ada pela Adasa consiste em combater as perdas no transporte da \u00e1gua. No Santos Dumont, por exemplo, nos 20 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, a perda \u00e9 de 40%, esse volume de \u00e1gua dissipada seria suficiente para abastecer cidades com o porte como o de Planaltina e Brazl\u00e2ndia. Por isso, a ag\u00eancia tem projetos para transformar os canais que correm a c\u00e9u aberto em tubula\u00e7\u00f5es para diminuir a perda de \u00e1gua no trajeto do rio \u00e0 propriedade.<\/p>\n<p>Enquanto os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos pensam na melhor gest\u00e3o para que os recursos sejam suficientes para todos, os produtores come\u00e7am a se adaptar a escassez vivida na pele. \u201cA falta d\u2019\u00e1gua come\u00e7ou a ser sentida em outubro de 2015, porque choveu pouco. At\u00e9 ent\u00e3o, os reservat\u00f3rios estavam normais. Mas, em abril deste ano a situa\u00e7\u00e3o foi se agravando e come\u00e7amos a ter pouca \u00e1gua para os sistemas de irriga\u00e7\u00e3o\u201d, comenta o produtor Rodrigo Werlang, que vive no PADF, em Planaltina. \u201cPerdi entre 30% a 40% na safra que ainda nem foi plantada, porque, como ainda n\u00e3o pude come\u00e7ar, vou plantar atrasado. Na passada, tivemos perdas que chegaram a 80% por falta de \u00e1gua\u201d, garante Werlang, que est\u00e1 h\u00e1 34 anos na regi\u00e3o e diz que jamais viu uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1452\" aria-describedby=\"caption-attachment-1452\" style=\"width: 554px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020161944.jpg\" rel=\"attachment wp-att-1452\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1452\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020161944.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: Antonio Cunha\/CB\/D.A Press. Brasil. Bras\u00edlia - DF\" width=\"554\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020161944.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020161944-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020161944-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020161944-350x232.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020161944-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/consumidor\/wp-content\/uploads\/sites\/11\/2016\/10\/CBPFOT121020161944-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 554px) 100vw, 554px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1452\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Antonio Cunha\/CB\/D.A Press. Brasil. Bras\u00edlia &#8211; DF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A 70km dali, o drama se repete. Desde 1970, a ch\u00e1cara na Estrutural em que vive o pai do agricultor Eur\u00edpedes Ferreira da Silva, 54 anos, tem uma cisterna. \u201cNunca ela havia ficado sem \u00e1gua. Este ano, secou pela primeira vez\u201d, relata. Desde que come\u00e7ou a plantar em seu pr\u00f3prio terreno, em 1986, tem no cuidado com as nascentes um dos seus objetivos como produtor. \u201cMas essa atitude \u00e9 de poucos. Est\u00e3o destruindo nascentes, cavando po\u00e7os e ningu\u00e9m preserva nada. A \u00e1gua da minha ch\u00e1cara n\u00e3o est\u00e1 contaminada pelo Lix\u00e3o (da Estrutural) porque eu cuido\u201d. Eur\u00edpedes, que produz, entre outros vegetais, mandioca e quiabo, diz que, caso a situa\u00e7\u00e3o se repita no ano que vem, ele vai desistir da lavoura. \u201c\u00c9 triste, mas sem \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto de Meteorologia, o ano de 2016 ainda sofre as consequ\u00eancias das pouca chuva e das altas temperaturas do ano passado. Em 2015 chouve 19% a menos do que a m\u00e9dia. Neste ano, nos nove primeiros meses choveu mais do que no mesmo per\u00edodo do ano anterior. Entretanto, n\u00e3o foi o suficiente para recompor a perda.<\/p>\n<p><strong>Itens mais caros na feira<\/strong><\/p>\n<p>O reflexo da escassez de \u00e1gua na agricultura come\u00e7a a chegar na feira e nos supermercados. Produtos mais dependentes de \u00e1gua como milho, quiabo, chuchu, ab\u00f3bora, batata-doce e tomate est\u00e3o mais caros, segundo o \u00edndice semanal divulgado pela Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF). O impacto nos pre\u00e7os s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 mais expressivo por conta da crise econ\u00f4mica que o pa\u00eds vive, que levou a diminui\u00e7\u00e3o do consumo de alimentos e forma\u00e7\u00e3o de estoque. \u201cMas se a produ\u00e7\u00e3o estivesse normalizada, certamente, o pre\u00e7o dos alimentos estariam mais em conta\u201d, analisa Adalmyr Morais Borges, coordenador de opera\u00e7\u00f5es da Emater.<\/p>\n<p>O tomate chegou a subir 100% em setembro. O quiabo, 43,37% na primeira semana de outubro, assim como o chuchu chegou a 26,46% e a batata, 22%. O milho tamb\u00e9m subiu e impacta na cria\u00e7\u00e3o de animais, uma vez que o gr\u00e3o \u00e9 o principal elemento da ra\u00e7\u00e3o. Assim, leite, ovos e carne tamb\u00e9m sofrem com a queda de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O economista da Ceasa-DF Jo\u00e3o Bosco Soares Filho explica o peso da crise econ\u00f4mica para composi\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. \u201cVoc\u00ea tem de olhar produtos espec\u00edficos porque a cesta, no geral, n\u00e3o tem recuperado seu valor de mercado\u201d. A cesta que ele cita \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o de produtos analisada mensalmente pelo setor de estat\u00edstica da Ceasa.<\/p>\n<p>Marcos Franco, engenheiro agr\u00f4nomo da Ceasa, explica, no caso do mercado do DF, a crise h\u00eddrica local e nacional influenciam no pre\u00e7o dos produtos. \u201cApenas 25% do que \u00e9 comercializado na Ceasa \u00e9 produzido no DF, o restante vem de fora\u201d.<\/p>\n<p>Presidente do Sindicato dos Produtores Org\u00e2nicos do Distrito Federal (Sindiorg\u00e2nicos), \u00c9der Diniz, lembra que mesmo com esse tipo de planta\u00e7\u00e3o, com manejo sustent\u00e1vel da \u00e1gua, a crise h\u00eddrica tem causado preju\u00edzos. \u201cH\u00e1 culturas que, antes, recebiam duas regas di\u00e1rias e agora s\u00f3 recebem uma\u201d, conta. O especialista garante que os itens de ciclos longos, como as frutas, sentir\u00e3o o impacto da falta d\u2019\u00e1gua em 2017. \u201cPor isso, temos intensificado o uso racional dos mananciais, inclusive conversando com quem n\u00e3o trabalha com org\u00e2nicos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1via Maia e Rafael Campos &nbsp; O amarelado da seca em outubro tornou-se uma colora\u00e7\u00e3o nova para a propriedade do agricultor Rodrigo Barzotto Werlang, 38 anos, localizada em Planaltina. 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