{"id":918,"date":"2022-05-13T07:00:50","date_gmt":"2022-05-13T10:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=918"},"modified":"2022-05-12T07:43:45","modified_gmt":"2022-05-12T10:43:45","slug":"uma-corrida-de-obstaculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2022\/05\/13\/uma-corrida-de-obstaculos\/","title":{"rendered":"Uma Corrida de Obst\u00e1culos"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Uma corrida de obst\u00e1culos \u00e9 o que uma cuidadora enfrenta a cada consulta m\u00e9dica de um familiar com dem\u00eancia.<\/p>\n<p>Isso ocorre no atendimento\u00a0 particular, no conv\u00eanio ou na rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>H\u00e1 in\u00fameros desafios. Seja de locomo\u00e7\u00e3o, seja para administrar a agita\u00e7\u00e3o da pessoa enferma nas longas esperas pela consulta.<\/p>\n<p>Ou ainda nos momentos pr\u00e9vios \u00e0 sa\u00edda de casa com algu\u00e9m que tenha dem\u00eancia, pois envolvem preparar e levar lanche, \u00e1gua, fraldas e\u00a0 medicamentos, etc.<\/p>\n<p>A maratona n\u00e3o termina ao final de consulta m\u00e9dica, com\u00a0 receitas e pedidos de exames em m\u00e3os.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo exames simples de urina e sangue podem ser aterrorizantes para o familiar com dem\u00eancia. O mesmo vale para crian\u00e7as e adultos especiais.<\/p>\n<p>Na maioria dos laborat\u00f3rios e cl\u00ednicas de exames falta conhecimento sobre as diferentes enfermidades. E, sem forma\u00e7\u00e3o, faltam os cuidados necess\u00e1rios com essas pessoas.<\/p>\n<p>A pressa em concluir os procedimentos nem sempre permite um atendimento respeitoso.<\/p>\n<p>O cardiologista da m\u00e3e da Ana\u00a0 desistiu de pedir mapeamento\u00a0 do cora\u00e7\u00e3o pela dificuldade de manter o aparelho Holter na paciente por 24 horas.<\/p>\n<p>Exames de imagem que exigem colabora\u00e7\u00e3o da paciente eram sofridos para m\u00e3e e filha. E ainda tinham que vencer a proibi\u00e7\u00e3o de acompanhante.<\/p>\n<p>Comandos simples como subir na maca, segurar a respira\u00e7\u00e3o, ficar im\u00f3vel, n\u00e3o fazem sentido para a maioria dos pacientes.<\/p>\n<p>H\u00e1 pacientes que ficam agressivos, como as vezes ocorria com a m\u00e3e da Cosette. Outros gritam, denunciam agress\u00f5es imagin\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nem todos os prestadores de servi\u00e7o\u00a0 entendem que cada ser humano \u00e9 \u00fanico e precisa ser tratado de acordo com sua realidade.<\/p>\n<p>Mariane cuida h\u00e1 20 anos da m\u00e3e com dem\u00eancia vascular e h\u00e1 45 do filho adulto, com S\u00edndrome de Down. Ela conhece essa dura realidade.<\/p>\n<p>Foi no SUS que encontrou suporte qualificado h\u00e1 5 anos quando a m\u00e3e passou a ser atendida pelo\u00a0 N\u00facleo de Aten\u00e7\u00e3o Domiciliar (NRAD).<\/p>\n<p>O NRAD \u00e9 um programa do Governo do Distrito Federal que presta servi\u00e7o na casa de pacientes acamados. T\u00e9cnicas de enfermagem, enfermeiras e m\u00e9dicas\u00a0 treinadas e h\u00e1beis conseguem atender, colher material fazer exames na cama da paciente.<\/p>\n<p>&#8220;Me sinto muito segura. Fez diferen\u00e7a na vida de toda a fam\u00edlia &#8221; diz Mariane ao contar que a m\u00e3e rejeitava se deitar nas consultas e exames por sofrer de dor na coluna.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo pelo plano de sa\u00fade, s\u00e3o poucos\u00a0 os profissionais que encontramos com preparo, nas consultas e interna\u00e7\u00f5es. A maioria n\u00e3o dedica cuidado e paci\u00eancia para atender as pessoas com necessidades especiais e dem\u00eancias&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Mariane encontrou a sensibilidade de uma cardiologista que ajudou o filho a perder o medo das agulhas. &#8220;Eram necess\u00e1rias 4 a 5 pessoas para imobilizarem o Paulo&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Foi o que ocorreu com a m\u00e3e da Cosette, que precisava de manter a cabe\u00e7a elevada por conta da queda brusca de press\u00e3o. E apesar dos avisos a cada mudan\u00e7a de equipe, dos avisos nos prontu\u00e1rios, mesmo em UTI, baixavam a cama para os procedimentos.<\/p>\n<p>Nas interna\u00e7\u00f5es, muitos t\u00e9cnicos recorrem \u00e0 coleta de urina por sonda na primeira dificuldade. N\u00e3o levam em conta nem a vergonha da paciente idosa pela exposi\u00e7\u00e3o nem a dor que v\u00e3o causar.<\/p>\n<p>A ginecologista Gislaine nem sempre consegue impedir que fa\u00e7am coleta dessa forma nas muitas idas da Dona Lelinha aos hospitais. Pelo risco de infec\u00e7\u00e3o e pelo trauma.<\/p>\n<p>Cuidadora em tempo integral da m\u00e3e, a m\u00e9dica consegue amostras de urina com ajuda de uma\u00a0 &#8220;comadre&#8221; ap\u00f3s uma boa higieniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea genital.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ana e Cosette recorriam aos coletores de urina para crian\u00e7a, que aderem \u00e0 genitailia.<\/p>\n<p>No Coletivo Filhas da M\u00e3e, atrav\u00e9s de sua rede de\u00a0 troca de informa\u00e7\u00e3o,\u00a0 as cuidadoras descobrem e compartilham jeitinhos de obter amostra de fezes nas fraldas, dicas para retirar sangue, dar vacina , entre outros desafios cotidianos.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o das dem\u00eancias\u00a0 exige que profissionais da sa\u00fade sejam capacitados a lidar com elas e suas especificidades.<\/p>\n<p>Exige tamb\u00e9m que novas tecnologias permitam formas menos invasivas de exames. Raio x em macas altas, estreitas e geladas s\u00e3o desumanas para um paciente idoso,\u00a0 com pneumonia. E com dem\u00eancia, aumenta o sofrimento.<\/p>\n<p>Essa era uma das\u00a0 brigas da Ana a cada interna\u00e7\u00e3o do padrasto com problemas pulmonares. Um exame de v\u00eddeo colonoscopia exigia interna\u00e7\u00e3o hospitalar. E os de bexiga, bastante invasivos, estressavam paciente e acompanhantes.<\/p>\n<p>H\u00e1 avan\u00e7os no reconhecimento dos direitos dos pacientes.\u00a0 Mas,\u00a0 para pessoas com necessidades especiais ou com algum tipo de dem\u00eancia, ainda h\u00e1 um longo caminho a trilhar.<\/p>\n<p>Em tempo: Voc\u00ea j\u00e1 participou da campanha &#8220;Formalize o Coletivo Filhas da M\u00e3e &#8220;?\u00a0 Entre no <a href=\"https:\/\/www.vakinha.com.br\/2826664\">https:\/\/www.vakinha.com.br\/2826664<\/a>\u00a0e contribua com o financiamento coletivo.<br \/>\nVoc\u00ea tamb\u00e9m pode ajudar\u00a0 diretamente enviando pix. (E-mail) 2826664@vakinha.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Uma corrida de obst\u00e1culos \u00e9 o que uma cuidadora enfrenta a cada consulta m\u00e9dica de um familiar com dem\u00eancia. Isso ocorre no atendimento\u00a0 particular, no conv\u00eanio ou na rede p\u00fablica. H\u00e1 in\u00fameros desafios. Seja de locomo\u00e7\u00e3o, seja para administrar a agita\u00e7\u00e3o da pessoa enferma nas longas esperas pela consulta. 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