{"id":910,"date":"2022-05-06T07:00:25","date_gmt":"2022-05-06T10:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=910"},"modified":"2022-05-06T14:12:05","modified_gmt":"2022-05-06T17:12:05","slug":"comida-afetiva-em-live","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2022\/05\/06\/comida-afetiva-em-live\/","title":{"rendered":"Comida Afetiva em Live"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro\u00a0 &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211;\u00a0Nossas mem\u00f3rias giram em torno da mesa e da comida. De temperos e sabores.<\/p>\n<p>Receitas de av\u00f3 e de m\u00e3e trazem sempre uma carga afetiva especial.<\/p>\n<p>Quando elas erram no sal, esquecem o jeito de fazer pratos tradicionais ou se atrapalham nas festas de fam\u00edlia, soa o alerta.\u00a0 Algo est\u00e1 fora da ordem.<\/p>\n<p>Visitas a especialistas se sucedem e o medo de instala. Diagn\u00f3sticos de dem\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de aceitar. \u00c9 dolorosa a perda cotidiana da m\u00e3e como a gente conhecia.<\/p>\n<p>Natais, anivers\u00e1rios familiares e dia das m\u00e3es se tornam menos euf\u00f3ricos sem o pulso das matriarcas. Mudam as prioridades e rotinas.<\/p>\n<p>No caso das m\u00e3es, quando existem cadernos com caligrafia caprichada e muitos pingos de gordura e ovo a tarefa \u00e9 mais leve. Mas o que era pr\u00e1tica cotidiana, um\u00a0 jeito de fazer\u00a0 &#8220;de cabe\u00e7a&#8221; n\u00e3o se recupera mais.\u00a0 E com isso, se\u00a0 perde um pouco da hist\u00f3ria de vida e da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Algumas de n\u00f3s tentam regatar as receitas, os temperos e sabores. E manter tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ana Castro, por exemplo, mergulhou no universo das receitas que aprendeu com a m\u00e3e. E manteve o card\u00e1pio das festas que tanto empolgavam sua m\u00e3e, a Normita.<\/p>\n<p>Quando o avan\u00e7o do Alzheimer passou a atrapalhar a alimenta\u00e7\u00e3o, esse resgate das comidas de inf\u00e2ncia e das festas baianas , ajudou a m\u00e3e a voltar a comer.<\/p>\n<p>Estava se perdendo na mem\u00f3ria o equilibrar da comida no talher, o mastigar e\u00a0 mesmo o\u00a0 engolir. A ponto de chegar ao diagn\u00f3stico de desnutri\u00e7\u00e3o e indica\u00e7\u00e3o do uso de sonda para alimentar a Normita (gastrostomia).<\/p>\n<p>Uma pessoa com dem\u00eancia costuma enfrentar perda progressiva de habilidades. Entre elas a de se alimentar.<\/p>\n<p>Pode recusar alimentos que gostava. Ou devorar doces e reclamar sempre que est\u00e1 com fome. Brincar com a comida, pegar com a m\u00e3o. Fazer bagun\u00e7a.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode demorar horas em uma refei\u00e7\u00e3o. Sem contar os engasgos que apavoram as cuidadoras.<\/p>\n<p>Na medida que as fases da doen\u00e7a avan\u00e7am, as refei\u00e7\u00f5es do familiar com dem\u00eancia costumam ser fonte de frustra\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia para quem cuida. Seja familiar ou profissional.<\/p>\n<p>Inspirada no livro &#8220;Tratamento Paliativo da Doen\u00e7a de Alzheimer&#8221;,\u00a0de Garry Martin e Marwan Sabbagh (2011),\u00a0Ana Castro investiu no que os autores consideram &#8220;alimento de conforto&#8221;. Ou seja , tudo que a m\u00e3e fosse capaz de aceitar, tolerar ou comer.<\/p>\n<p>Oferecia pequenas refei\u00e7\u00f5es em diversos hor\u00e1rios, com alimentos macios e doces, mais f\u00e1ceis de aceitar. Descobriu que era melhor a aceita\u00e7\u00e3o de comida que dispensasse talheres. Em pequenos formatos.<\/p>\n<p>Investiu em todos tipo de fruta e alimento que remetesse \u00e0 inf\u00e2ncia na Bahia. Os aromas de canela, dend\u00ea, p\u00e3o e bolos iam abrindo o apetite da Normita.<\/p>\n<p>Mais que alimenta\u00e7\u00e3o, comer restabelecia liga\u00e7\u00f5es afetivas.<\/p>\n<p>Outro caminho foi identificar tudo que pudesse distrair ou irritar, uma da propostas do livro. TV, ru\u00eddos, risadas altas ou conversas paralelas. At\u00e9 uma lou\u00e7a com muitos detalhes pode desviar a aten\u00e7\u00e3o de um paciente com dem\u00eancia.<\/p>\n<p>A ajuda de uma nutricionista \u00e9 de grande valia,\u00a0 mas poucos profissionais t\u00eam experi\u00eancia com pacientes com dem\u00eancia e suas variantes.\u00a0 E pouca flexibilidade para desconsiderar as dietas restritivas por conta de patologia como diabetes ou colesterol alto.<\/p>\n<p>O que a alimenta\u00e7\u00e3o de conforto prop\u00f5e \u00e9, em primeiro lugar, identificar o que a pessoa gostava de comer.<\/p>\n<p>Reconhecer as prefer\u00eancias alimentares \u00e9 sinal de respeito ao paciente e \u00e0s suas origens culturais e \u00e9tnicas.<\/p>\n<p>Cabe \u00e0 fam\u00edlia tra\u00e7ar um hist\u00f3rico de nutri\u00e7\u00e3o. Churrasco ou sushi? Farinha, macarr\u00e3o ou arroz ? Que frutas e legumes mais provocam sorrisos e sinais de prazer?<\/p>\n<p>Da mesma forma,\u00a0 caretas e recusas apontam nossos erros. H\u00e1 quem rejeite o arroz &#8220;sujo&#8221; de caldo de feij\u00e3o. Oferecer num pratinho separado com feij\u00e3o pode dar certo.<\/p>\n<p>A varia\u00e7\u00e3o de texturas, cores, de temperatura e de apresenta\u00e7\u00e3o ajudam a garantir os valores nutricionais.<\/p>\n<p>D\u00e1 trabalho. E \u00e9 um imenso desafio quando se trata de uma institui\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 gratificante conferir os resultados. Normita, por exemplo,\u00a0 se alimentou muito bem e com prazer at\u00e9 o fim dos seus dias.<\/p>\n<p>E a Ana\u00a0 Castro repete at\u00e9 hoje as deliciosas receitas da m\u00e3e para a fam\u00edlia, amigas e amigos.<\/p>\n<p>Neste s\u00e1bado, v\u00e9spera do dia das m\u00e3es, o Coletivo Filhas da M\u00e3e em parceria com o Site Cuida de Mim vai realizar uma live sobre Cozinha Afetiva a partir das 15h.<\/p>\n<p>Ana Castro,\u00a0 Miriam Morata e Carmem Ferrari prometem uma tarde com divers\u00e3o, risadas,\u00a0 comida especial e muito afeto. A live\u00a0 poder\u00e1 ser assistida no canal do YouTube Filhas da M\u00e3e Coletivo.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma pequena amostra do projeto &#8220;Comida Afetiva&#8221; que o Coletivo Filhas da M\u00e3e est\u00e1 organizando.<\/p>\n<p>A partir do financiamento coletivo\u00a0 no site\u00a0 Vakinha virtual, o Coletivo pretende compartilhar este legado em v\u00eddeos no seu canal do YouTube e,\u00a0 talvez, at\u00e9 em livro.<\/p>\n<p>Para isso estamos formalizando nossa associa\u00e7\u00e3o. Mas isso \u00e9 conversa pro pr\u00f3ximo Blog&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro\u00a0 &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211;\u00a0Nossas mem\u00f3rias giram em torno da mesa e da comida. De temperos e sabores. Receitas de av\u00f3 e de m\u00e3e trazem sempre uma carga afetiva especial. Quando elas erram no sal, esquecem o jeito de fazer pratos tradicionais ou se atrapalham nas festas de fam\u00edlia, soa o alerta.\u00a0 Algo est\u00e1 fora da ordem. 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