{"id":871,"date":"2022-04-11T07:59:53","date_gmt":"2022-04-11T10:59:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=871"},"modified":"2022-04-11T07:59:08","modified_gmt":"2022-04-11T10:59:08","slug":"das-delicadezas-do-dia-a-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2022\/04\/11\/das-delicadezas-do-dia-a-dia\/","title":{"rendered":"Das Delicadezas do Dia a Dia"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Para muitas m\u00e3es, cuidar de um beb\u00ea significa uma sucess\u00e3o de rotinas extenuantes e invis\u00edveis. Entre elas\u00a0 alimentar, vestir,\u00a0 fazer adormecer, manter limpo, seguro e com sa\u00fade.<\/p>\n<p>Acrescente a isso todas as repetitivas atividades que envolvem o cuidado: lavar, passar, cozinhar,\u00a0 manter a casa limpa, fazer compras ou cuidar do or\u00e7amento dom\u00e9stico. Ufa!<\/p>\n<p>Nem todas m\u00e3es conseguem incluir brincadeiras, leituras , m\u00fasica, dan\u00e7ar e dar risadas nesse turbilh\u00e3o cotidiano.<\/p>\n<p>Adultos com dem\u00eancia n\u00e3o podem\u00a0 (e n\u00e3o devem) ser tratados como crian\u00e7as,\u00a0 mas demandam igual aten\u00e7\u00e3o e exaurem quem cuida pela sobrecarga f\u00edsica e emocional di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Diferente das crian\u00e7as que aprendem, as\u00a0 cuidadoras familiares se deparam com um cotidiano de perdas e frustra\u00e7\u00f5es por n\u00e3o poderem &#8220;curar\/salvar&#8221; o seu familiar.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s tarefas de acalmar e confortar, muitas cuidadoras engolem a tristeza de ver as perdas cognitivas do\u00a0 familiar enfermo. O ato de &#8220;engolir a dor&#8221; pode se transformar em sintoma e, mais tarde,\u00a0 produzir doen\u00e7as em quem cuida.<\/p>\n<p>Tudo isso ocorre em\u00a0 meio ao \u00e1rduo trabalho de convencer a\u00a0 pessoa com dem\u00eancia a fazer alguma atividade, como tomar banho, tomar rem\u00e9dio, fazer fisioterapia ou mesmo comer.<\/p>\n<p>O\u00a0 Sistema L\u00edmbico e o processo degenerativo das dem\u00eancias trazem\u00a0 v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es e modifica\u00e7\u00f5es nos pacientes.\u00a0Na escala de perdas, esta \u00e9 uma das \u00e1reas que se mant\u00e9m acessa permitindo uma nova viv\u00eancia \u00e0s pessoas enfermas. A \u00e1rea sensorial fica mais evidente para o toque, o tato, as cores, a express\u00e3o facial e a emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil encontrar um espa\u00e7o para o belo, para o l\u00fadico no dia a dia do cuidar. \u00c9 um desafio para quem cuida e para quem recebe os cuidados.\u00a0 Mas permite momentos de leveza e encantamento que aliviam a dureza da rotina desgastante, como mostram os relatos abaixo.<\/p>\n<p>A cuidadora familiar Toshiko Araki, por exemplo, descobriu com ajuda da m\u00e9dica que o vermelho faz bem \u00e0 m\u00e3e, Dona Yaeko, de 83 anos. Traz energia e alegria. Um caminho que a cromoterapia j\u00e1 vem apontando h\u00e1 anos para melhorar a qualidade de vida das pessoas, saud\u00e1veis ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Ana\u00a0 Castro percorreu o mesmo caminho\u00a0 com sua m\u00e3e,\u00a0 Normita. Lembrando que restaurantes abusam do vermelho para despertar o apetite, ela ousou ao forrar um sof\u00e1 e poltronas nessa cor.<\/p>\n<p>A m\u00e3e da Ana\u00a0 se sentia num trono de rainha e acariciava os bra\u00e7os da poltrona com alegria. Depois vieram a pia vermelha,\u00a0 vestidos estampados e jogos americanos com detalhes nesta cor. E as fitas de lead no quarto para mudar as cores antes do sono.<\/p>\n<p>A Ana aprendeu a ofertar todo tipo de textura para estimular o tato. Macias,\u00a0 \u00e1speras, rijas. Caprichar na oferta de novidades, como enrolar biscoitos ou por doces nas forminhas, entraram na rotina.<\/p>\n<p>A m\u00fasica passou a ser uma linguagem cotidiana. Al\u00e9m das sess\u00f5es de musicoterapia, fazia rimas para se comunicar com a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Na cozinha, recorreu aos sabores e aromas que mais agradavam Normita, como as comidas de inf\u00e2ncia na Bahia. Pipoca e picol\u00e9 deixaram de ser apenas alimentos. Despertavam mem\u00f3rias e emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dend\u00ea , cravo, canela, frutos do mar e as frutas tropicais. Quando conseguiu comprar sapotis , provocou uma satisfa\u00e7\u00e3o t\u00e3o intensa que Normita beijava as frutas. Perguntava se era mesmo para ela e se podia comer.<\/p>\n<p>A m\u00e3e da Cosette Castro, enquanto podia se locomover, caminhava muito durante o dia. Sair a passear com ela (v\u00e1rias vezes dia dia) mostrando flores e \u00e1rvores, explorando cheiros, cores e texturas era uma forma de manter a conex\u00e3o de Carmencita com o mundo. Com o avan\u00e7o da doen\u00e7a e o uso da cadeira de rodas, os passeios ficaram mais curtos, mas ainda assim ajudaram a trazer luz e cor ao cotidiano.<\/p>\n<p>No turbilh\u00e3o das demandas do cuidado, parece ut\u00f3pico falar em frui\u00e7\u00e3o, est\u00e9tica, sensa\u00e7\u00f5es. Mas despertar os sentidos, cheiros, cores, sabores e tato, como mostram os estudos sobre dem\u00eancia, pode ser terap\u00eautico para doentes e tamb\u00e9m para suas cuidadoras.<\/p>\n<p>Cafun\u00e9, apertos de m\u00e3os ou massagens podem ajudar muito. Assim como compartilhar uma boa m\u00fasica e rir com uma chanchada dos anos 50 (ou outro estilo de filme) podem tornar o dia mais leve. Para quem cuida e tamb\u00e9m para quem recebe cuidados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Para muitas m\u00e3es, cuidar de um beb\u00ea significa uma sucess\u00e3o de rotinas extenuantes e invis\u00edveis. Entre elas\u00a0 alimentar, vestir,\u00a0 fazer adormecer, manter limpo, seguro e com sa\u00fade. Acrescente a isso todas as repetitivas atividades que envolvem o cuidado: lavar, passar, cozinhar,\u00a0 manter a casa limpa, fazer compras ou cuidar do or\u00e7amento dom\u00e9stico. Ufa! [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":126,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[8,392,20,21,7],"class_list":["post-871","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-alzheimer","tag-cromoterapia","tag-cuidadoras-familiares","tag-cuidadores-familiares","tag-demencias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/871","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/126"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=871"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/871\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":874,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/871\/revisions\/874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}