{"id":851,"date":"2022-03-28T07:00:17","date_gmt":"2022-03-28T10:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=851"},"modified":"2022-03-28T07:12:06","modified_gmt":"2022-03-28T10:12:06","slug":"o-estagio-da-ponte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2022\/03\/28\/o-estagio-da-ponte\/","title":{"rendered":"O Est\u00e1gio da Ponte"},"content":{"rendered":"<hr \/>\n<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Nascemos no mundo anal\u00f3gico. Em um mundo palp\u00e1vel. Concreto. Mas, obrigadas pelo mundo do trabalho, tivemos de nos adaptar e descobrir o mundo digital .<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 a realidade de boa parte das pessoas que chegaram aos 60 anos.<\/p>\n<p>O que nos leva a pergunta: quanto\u00a0 abismo digital\u00a0 existe na vida dos brasileiros e brasileiras?<\/p>\n<p>Se pensarmos em termos de Internet, ainda h\u00e1 um grande vazio que separa a gera\u00e7\u00e3o entre 50 e 59 anos e aqueles que\u00a0 viraram a casa dos 60 anos ou mais.<\/p>\n<p>Estudo recente do PNAD\/IBGE mostrou qie apenas 44,8% das pessoas 60+ acessam Internet. J\u00e1 na faixa dos 50 a 59 anos o \u00edndice de acesso salta para 74,3%.<\/p>\n<p>As pessoas que n\u00e3o utilizam Internet e\u00a0 vivem apenas no\u00a0 mundo anal\u00f3gico\u00a0 afirmam que n\u00e3o sabem acessar o mundo digital. Nem mexer nos aparelhos.<\/p>\n<p>Outras dizem que &#8220;n\u00e3o gostam&#8221; das tecnologias. Trata-se de uma maneira educada de dissimular a falta de conhecimento e o analfabetismo digital.<\/p>\n<p>Para elas, a vida ocorre apenas\u00a0 no mundo presencial.<\/p>\n<p>Elas afirmam n\u00e3o compreender as l\u00f3gicas do mundo virtual. E \u00e9 dif\u00edcil mesmo. Todos n\u00f3s que nascemos no mundo anal\u00f3gico lembramos a dificuldade de aprendizagem na passagem para o\u00a0 digital.<\/p>\n<p>A maioria de n\u00f3s ainda segue no est\u00e1gio da ponte, oscilando entre os dois mundos.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso sair da concretude do mundo presencial, do encontro e do toque, para a imaterialidade do mundo digital.<\/p>\n<p>Quando esse passo \u00e9 dado,\u00a0 um mundo novo se abre. Nele, o toque n\u00e3o \u00e9 o do abra\u00e7o, nem \u00e9 poss\u00edvel sentir o calor humano. O toque acontece apenas na m\u00e1quina. Independente se \u00e9 grande ou pequena.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o teve a oportunidade de se apropriar do mundo digital\u00a0 n\u00e3o entende a falta de materialidade. Tampouco sabe usar computadores e outras tecnologias. Ou aproveitar os recursos, programas e aplicativos dos celulares.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o uso do celular se expandiu.\u00a0 Vai muito al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o de realizar chamadas, algo que as gera\u00e7\u00f5es mais jovens quase n\u00e3o fazem mais.<\/p>\n<p>Os celulares assumiram a fun\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos equipamentos que at\u00e9 o come\u00e7o dos anos 2000 se espalhavam pela casa e pelos escrit\u00f3rios.<\/p>\n<p>A partir do pequeno aparelho agendamos m\u00e9dicos e reuni\u00f5es, usamos despertador, escutamos m\u00fasica,\u00a0 tiramos fotos, produzimos pequenos v\u00eddeos e acompanhamos o n\u00famero de passos nas caminhadas ou corridas. Tamb\u00e9m utilizamos bancos online ou fazemos compras pela Internet.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas outras fun\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e aplicativos que podem ser baixados, desde que o celular tenha mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o digital \u00e9 muito mais do que ter acesso \u00e0 conex\u00e3o de internet e ter direito a banda larga. Ou poder utilizar diferentes aparelhos e conhecer os programas e aplicativos.<\/p>\n<p>Inclus\u00e3o requer outras l\u00f3gicas de pensamento. Requer\u00a0 mudan\u00e7a de paradigmas. Requer algu\u00e9m que ensine (em\u00a0 geral muito mais jovem)\u00a0 e que tenha paci\u00eancia. Exige dinheiro para comprar produtos,\u00a0 aplicativos e novos equipamentos.<\/p>\n<p>Exige tamb\u00e9m\u00a0 abrir-se para o desconhecido,\u00a0 levando em conta que o conhecimento de hoje vai durar apenas at\u00e9 o pr\u00f3ximo lan\u00e7amento das\u00a0 empresas de TI. Ou seja, o conhecimento de hoje tem dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima\u00a0 de um ano.<\/p>\n<p>Depois disso, por mais que seja dif\u00edcil, \u00e9 preciso aprender de novo, receber mais informa\u00e7\u00f5es e fazer\u00a0 upgrade de n\u00f3s mesmos. Um upgrade similar ao que\u00a0 fazemos nas m\u00e1quinas e aparelhos tecnol\u00f3gicos que usamos.<\/p>\n<p>No caso das cuidadoras familiares, muitas vencem o medo das tecnologias por necessidade.<\/p>\n<p>Quando conseguem cruzar a ponte do mundo anal\u00f3gico t\u00eam mais\u00a0acesso \u00e0 informa\u00e7\u00f5es sobre as dem\u00eancias. Podem\u00a0 tirar d\u00favidas sobre os est\u00e1gios da doen\u00e7a, sobre pre\u00e7os e produtos e\u00a0 locais de acolhimento. Podem conhecer a rede p\u00fablica e agendar servi\u00e7os online.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m encontram grupos de apoio importantes na internet, no Facebook, no Instagram e em canais do You Tube. Seja para buscar informa\u00e7\u00f5es e conhecer outras experi\u00eancias, seja para desabafar.<\/p>\n<p>Como um espelho da vida real, a internet tamb\u00e9m possui o seu lado obscuro onde prolifera\u00a0\u00a0desinforma\u00e7\u00e3o, fake news, tentativa de golpes e vendas de produtos sem efeito. Para evitar o &#8220;dark side&#8221;, \u00e9 preciso alfabetiza\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>Independente do mundo em que vivemos, educa\u00e7\u00e3o segue sendo essencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Nascemos no mundo anal\u00f3gico. Em um mundo palp\u00e1vel. Concreto. Mas, obrigadas pelo mundo do trabalho, tivemos de nos adaptar e descobrir o mundo digital . Esta n\u00e3o \u00e9 a realidade de boa parte das pessoas que chegaram aos 60 anos. 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