{"id":836,"date":"2022-03-21T07:00:31","date_gmt":"2022-03-21T10:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=836"},"modified":"2022-03-21T07:50:41","modified_gmt":"2022-03-21T10:50:41","slug":"desavencas-familiares-diante-do-cuidar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2022\/03\/21\/desavencas-familiares-diante-do-cuidar\/","title":{"rendered":"Desaven\u00e7as Familiares Diante do Cuidar?"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; O assunto \u00e9 espinhoso. Independente da cria\u00e7\u00e3o, cada filha e filho de uma mesma fam\u00edlia tem uma forma de reagir frente ao adoecimento de um ente querido.<\/p>\n<p>Cada um acompanha o envelhecimento e a fragilidade dos pais de um jeito, particularmente porque se v\u00ea diante de um espelho (imagin\u00e1rio). Um espelho que aponta para o futuro, embora se tornar uma pessoa idosa n\u00e3o signifique necessariamente fragilidade e doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Tem quem negue a enfermidade. Tem os que querem controlar tudo. Tem quem se dedica demais e\u00a0 deixa de lado a sua pr\u00f3pria vida. Tem aqueles que viram inimigos do resto da fam\u00edlia.\u00a0 Tem quem tolhe demais Quem abandona demais.<\/p>\n<p>Tem tamb\u00e9m aqueles que protegem demais, esquecendo que prote\u00e7\u00e3o em excesso n\u00e3o ajuda a pessoa enferma. Torna o doente cada vez mais dependente da cuidadora familiar. Tem aqueles que at\u00e9 falam pela pessoa enferma, mesmo quando ela ainda pode se comunicar de alguma maneira.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda quem se aproveite demais. Financeira e emocionalmente. E ainda poste fotos e v\u00eddeos nas redes sociais digitais.<\/p>\n<p>Em muitas fam\u00edlias o ato de cuidar divide e causa sofrimento. Isso aumenta quando h\u00e1 patrim\u00f4nio envolvido e heran\u00e7a no futuro. Mas mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 dinheiro, as brigas escancaram ressentimentos familiares antigos e novos. E tamb\u00e9m o desespero de quem n\u00e3o sabe sair do lugar de filho ou filha, para se tornar um adulto ou adulta cuidadora.<\/p>\n<p>Algumas desaven\u00e7as entre irm\u00e3os, apesar da cultura do sigilo sobre quest\u00f5es familiares, acabam na justi\u00e7a. Ou em delegacias por causa do uso da viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, de amea\u00e7as e agress\u00f5es verbais.<\/p>\n<p>Os desentendimentos s\u00e3o m\u00faltiplos. Podem ser sobre a doen\u00e7a em si (n\u00e3o acreditar no diagn\u00f3stico, por exemplo). Na escolha dos profissionais. Ou sobre o tratamento.<\/p>\n<p>Tem quem discorde da medica\u00e7\u00e3o. Inclusive tem quem seja contra qualquer tipo de hor\u00e1rio e rotinas, mesmo que seja uma indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, preferindo adaptar a vida da pessoa enferma a sua vida e necessidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 filhos de casamentos\u00a0 diferentes que se estranham e nem sempre concordam com as decis\u00f5es de quem se responsabiliza pelo cuidado. Nem todos os m\u00e9dicos se disp\u00f5em a mediar tais conflitos. Alguns pedem a presen\u00e7a de toda a fam\u00edlia enquanto outros pedem que apenas um familiar seja\u00a0 interlocutor.<\/p>\n<p>E, acima de tudo, nem todos parentes\u00a0 aceitam fazer terapia familiar (paga ou gratuita) ou participar de grupos de apoio.<\/p>\n<p>Diante dos conflitos familiares,\u00a0 t\u00eam pessoas que idealizam a vida de\u00a0 filhos \u00fanicos\u00a0 que cuidam de um ou mais familiares com dem\u00eancia.<\/p>\n<p>Acreditam que\u00a0 seria mais f\u00e1cil passar 24 horas no dia, sete dias na semana, 30 dias no m\u00eas e 12 meses no ano sem dividir o cuidado com ningu\u00e9m. Que poderiam apenas contratar equipes profissionais, sempre e quando haja or\u00e7amento para isso.<\/p>\n<p>O que afeta a vida de uma filha ou filho \u00fanico \u00e9 o tipo e n\u00edvel de sobrecarga e dor, exatamente porque n\u00e3o h\u00e1 com quem dividir o cuidado.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 com quem chorar pelas perdas cognitivas ou rir frente a uma pequena vit\u00f3ria cotidiana. N\u00e3o h\u00e1 com quem expressar medo ou esperan\u00e7a. Nem mesmo h\u00e1 com quem expressar a raiva e sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia.\u00a0 E n\u00e3o h\u00e1 como culpar os outros, sejam eles reais ou imagin\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do Coletivo Filhas da M\u00e3e, temos acompanhado na pr\u00e1tica a import\u00e2ncia de viver um dia de cada vez, a import\u00e2ncia do autocuidado di\u00e1rio e a necessidade de se manter informado.<\/p>\n<p>Abaixo seguem algumas dicas, independente da fase da dem\u00eancia em que o familiar se encontra:<\/p>\n<p>1.Tente conhecer sobre os diferentes tipos de dem\u00eancias\u00a0 e suas fases<\/p>\n<p>2. Busque grupos de apoio para se familiarizar sobre as dem\u00eancias e\u00a0 ouvir outras\u00a0 experi\u00eancias<\/p>\n<p>3. Tente dividir tarefas: quem cuida da parte de sa\u00fade (idas aos diferentes especialistas), quem cuida da manuten\u00e7\u00e3o da casa, quem fica respons\u00e1vel pelas compras de alimenta\u00e7\u00e3o, insumos m\u00e9dicos e medicamentos. Em caso de cuidadoras contratadas, quem cuida da gest\u00e3o de regras, folgas, f\u00e9rias e pagamentos. No caso de v\u00e1rios filhos, fa\u00e7a rodizio nos passeios e eventos<\/p>\n<p>4. Busque apoio terap\u00eautico para voc\u00ea e, se poss\u00edvel, para a fam\u00edlia. Busque\u00a0 tamb\u00e9m ajuda e informa\u00e7\u00f5es sobre atendimento terap\u00eautico gratuito<\/p>\n<p>5. Busque ajuda especializada para decidir em fam\u00edlia\u00a0 quest\u00f5es delicadas,\u00a0 como as formas tratamento (alop\u00e1tica, homeop\u00e1tica ou novas, como uso de canabidiol),\u00a0 ou\u00a0 delicadas como uso de sondas e cuidados paliativos<\/p>\n<p>6. Estabele\u00e7a rod\u00edzio para a cuidadora familiar principal ter\u00a0 momentos no dia e na semana para cuidar de si mesma<\/p>\n<p>7. Combine rodizio semestral ou anual entre as pessoas que ficar\u00e3o respons\u00e1veis pelo cuidado familiar<\/p>\n<p>8. Tente buscar consenso sobre profissionais contratados: advogados, contadores, m\u00e9dicos, etc. H\u00e1 alternativas no servi\u00e7o p\u00fablico<\/p>\n<p>9. Informe-se sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas do SUS, de seu estado ou munic\u00edpio voltadas para pacientes com dem\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; O assunto \u00e9 espinhoso. Independente da cria\u00e7\u00e3o, cada filha e filho de uma mesma fam\u00edlia tem uma forma de reagir frente ao adoecimento de um ente querido. Cada um acompanha o envelhecimento e a fragilidade dos pais de um jeito, particularmente porque se v\u00ea diante de um espelho (imagin\u00e1rio). Um espelho que aponta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":126,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,1],"tags":[8,119,20,21,7],"class_list":["post-836","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cuidadoras-familiares","category-sem-categoria","tag-alzheimer","tag-cuidado-e-autocuidado","tag-cuidadoras-familiares","tag-cuidadores-familiares","tag-demencias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/126"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=836"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/836\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":844,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/836\/revisions\/844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}