{"id":778,"date":"2022-02-07T07:00:24","date_gmt":"2022-02-07T10:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=778"},"modified":"2022-02-06T11:27:55","modified_gmt":"2022-02-06T14:27:55","slug":"quem-diria-covid-19-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2022\/02\/07\/quem-diria-covid-19-eu\/","title":{"rendered":"Quem Diria, Covid-19, Eu?"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro e Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; A mana (de cora\u00e7\u00e3o) Cosette Castro teve cuidados exemplares desde o in\u00edcio da pandemia. Seguiu tudo o que a ci\u00eancia manda. Do sapato \u00e0 higieniza\u00e7\u00e3o das compras. Banho e troca de roupa a cada sa\u00edda.\u00a0Foi das primeiras a adotar a m\u00e1scara\u00a0N95,\u00a0quando poucos usavam. Se isolou em casa. A vida e trabalho passaram a ser <em>on line<\/em>.<\/p>\n<p>Entre 2020 e 2021, precisou acompanhar a m\u00e3e com dem\u00eancia\u00a0no hospital por mais de 20 dias. E depois,\u00a0vel\u00f3rio e crema\u00e7\u00e3o. E, no fim do ano, mais uma cerim\u00f4nia no Sul do pa\u00eds. Passou imune.<\/p>\n<p>Na primeira semana de fevereiro de 2022, testou positivo para o Covid-19. Abrimos espa\u00e7o\u00a0no blog para que ela compartilhe sua experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Cosette Castro &#8211; &#8220;Depois de tr\u00eas doses da vacina, usando m\u00e1scara e \u00e1lcool gel, eu realmente pensava\u00a0que era uma supermulher e que a Covid-19 n\u00e3o me atingiria. Mero engano.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou alguns dias antes,\u00a0com as mensagens e telefonemas de amigos e parentes. Nunca, em dois anos, a pandemia havia chegado t\u00e3o perto.<\/p>\n<p>Em quase todas as\u00a0 fam\u00edlias que conhe\u00e7o, algu\u00e9m foi contaminado com a \u00f4micron. Primeiro uma pessoa, depois toda a fam\u00edlia.\u00a0Embora menos letal, a \u00f4micron tem efeito domin\u00f3, fragilizando a sa\u00fade de todos. N\u00e3o s\u00f3 pelos efeitos da doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m pelas consequ\u00eancias das medica\u00e7\u00f5es em busca da cura.<\/p>\n<p>Entre dezembro e janeiro viajei ao Sul e ao Norte do pa\u00eds, sempre com m\u00e1scara N95 e \u00e1lcool gel na m\u00e3o. Como se o \u00e1lcool fosse um santo protetor.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca coloque tanta f\u00e9 assim em coisas&#8221;, diria minha av\u00f3. &#8220;Nunca confie tanto na sa\u00fade e no autocuidado alheio&#8221;, diria meu pai. &#8220;Apenas em si mesma&#8221;.\u00a0 Conselhos que literalmente ignorei.<\/p>\n<p>Tanto no Sul quanto no Norte do Brasil encontrei aeroportos lotados. Uma festa de f\u00e9rias, como se n\u00e3o houvesse pandemia. Nem amanh\u00e3. O mais assustador foi o aeroporto de Bras\u00edlia. Lotad\u00edssimo em todas as idas e vindas.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma semana, voltando de Bel\u00e9m, senti calafrios no avi\u00e3o. A noite, j\u00e1 em Bras\u00edlia,\u00a0 dor na garganta e mais calafrios.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 s\u00f3 a mudan\u00e7a de clima e o ar do avi\u00e3o&#8221;, pensei,\u00a0sem querer acreditar que podia ser algo mais. Sem febre, mas o nariz congestionou. Tive dores no corpo e fadiga.<\/p>\n<p>Tomei coragem pra sair e fazer o teste de Covid-19. De m\u00e1scara N95 e \u00e1lcool gel. A fila de mais de 50 pessoas no posto de sa\u00fade me assustou.<\/p>\n<p>Se estivesse contaminada, poderia contaminar os outros. Caso contr\u00e1rio, poderia ser contaminada.<\/p>\n<p>Segui para a\u00a0Rua das Farm\u00e1cias tentando encontrar uma\u00a0 drogaria que fizesse o teste. A primeira s\u00f3 tinha agendamento para outra semana. A segunda n\u00e3o tinha mais testes. Na terceira n\u00e3o atenderam o telefone. E a quarta, do outro lado do bairro, poderia fazer o teste em 2 dias.<\/p>\n<p>Enquanto isso, fiz consulta <em>on line<\/em> e passei a tomar\u00a0as medica\u00e7\u00f5es indicadas. Sendo hipertensa e com hist\u00f3rico de doen\u00e7a vascular, todo cuidado \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>Cuidado com a press\u00e3o. Cuidado com a oxigena\u00e7\u00e3o. Cuidado com os batimentos card\u00edacos.<\/p>\n<p>Estou no sexto dia de cont\u00e1gio. Cinco de combate \u00e0 doen\u00e7a. Canso r\u00e1pido, at\u00e9 pra escrever, a voz mudou e ainda tenho nariz congestionado.<\/p>\n<p>Mas o que mais d\u00f3i \u00e9 o isolamento.\u00a0N\u00e3o poder tocar. Falar s\u00f3 de m\u00e1scara. De longe. Ficar apenas no quarto.<\/p>\n<p>Nesses momentos, a no\u00e7\u00e3o de imperman\u00eancia se faz presente, com for\u00e7a. E confirma como o mundo pode virar de ponta cabe\u00e7a em poucos segundos.<\/p>\n<p>Mas isso, isso tamb\u00e9m vai passar. Gra\u00e7as a ci\u00eancia, a vacina e ao SUS, pois poderia ser bem mais grave&#8221;.<\/p>\n<p>PS: Aproveitamos para compartilhar a m\u00fasica &#8220;Isso Tamb\u00e9m Vai Passar&#8221; (<a href=\"https:\/\/youtu.be\/wYLvzI8cy28\">link aqui<\/a>), lan\u00e7ada em 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro e Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; A mana (de cora\u00e7\u00e3o) Cosette Castro teve cuidados exemplares desde o in\u00edcio da pandemia. Seguiu tudo o que a ci\u00eancia manda. Do sapato \u00e0 higieniza\u00e7\u00e3o das compras. Banho e troca de roupa a cada sa\u00edda.\u00a0Foi das primeiras a adotar a m\u00e1scara\u00a0N95,\u00a0quando poucos usavam. Se isolou em casa. 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