{"id":643,"date":"2021-11-29T07:00:25","date_gmt":"2021-11-29T10:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=643"},"modified":"2021-11-29T07:59:36","modified_gmt":"2021-11-29T10:59:36","slug":"um-centro-multidisciplinar-so-no-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/11\/29\/um-centro-multidisciplinar-so-no-nome\/","title":{"rendered":"Um Centro Multidisciplinar S\u00f3 no Nome"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Na sexta-feira, 26 de novembro, abrimos este blog para tratar da triste situa\u00e7\u00e3o do Centro Multidisciplinar do Idoso (CMI) do Hospital Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia (HUB).<\/p>\n<p>Embora as placas do pr\u00e9dio p\u00fablico nunca tenham sido mudadas e ainda registrem Centro de Medicina do Idoso, o nome do Centro mudou em 2012. Esse nome homenageia a diversidade profissional existente. Ou que deveria existir em sua plenitude.<\/p>\n<p>Hoje voltamos a falar sobre o CMI.<\/p>\n<p>De sexta-feira at\u00e9 o momento, foram v\u00e1rias as manifesta\u00e7\u00f5es de funcion\u00e1rios na ativa que pedem para manter o anonimato por medo de repres\u00e1lias, de funcion\u00e1rios aposentados, assim como apoiadores solicitando que sigamos defendendo o CMI.\u00a0 Sim, \u00e9 um servi\u00e7o p\u00fablico que merece ser defendido. E com grande potencial.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, tratamos das defici\u00eancias f\u00edsicas do CMI, que fazem com que o\u00a0 servi\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o, pesquisa e\u00a0 atendimento estejam comprometidos.<\/p>\n<p>Hoje vamos escrever do ponto de vista das equipes que atendem o Centro Multidisciplinar do Idoso, lembrando que s\u00e3o servi\u00e7os especializados voltados para pacientes com dem\u00eancias em diferentes fases. Ou seja, exige atendimento por profissionais que conhe\u00e7am as necessidades de cada caso e que possam dialogar entre si.<\/p>\n<p>Embora os pacientes com dem\u00eancias percam as fun\u00e7\u00f5es locomotoras no decorrer da doen\u00e7a, s\u00f3 existe 1 profissional de fisioterapia, que atende por meio per\u00edodo todos os pacientes. Ou seja, h\u00e1 fila de espera. Enquanto isso, os diferentes tipos de dem\u00eancia n\u00e3o esperam. Seguem avan\u00e7ando e fazendo danos \u00e0s pessoas doentes.<\/p>\n<p>Esses pacientes necessitam de nutricionista com experi\u00eancia no setor e dieta balanceada para cada caso, levando em conta as condi\u00e7\u00f5es financeiras da fam\u00edlia. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 nutricionista no CMI. E as fam\u00edlias precisam\u00a0 esperar em uma longa fila, porque o n\u00famero de nutricionistas no HUB \u00e9 de apenas 01 profissional.<\/p>\n<p>Atualmente n\u00e3o h\u00e1 fonoaudi\u00f3loga no CMI. Os pacientes s\u00e3o atendidos pelo servi\u00e7o existente no est\u00e1gio de gradua\u00e7\u00e3o em Fonoaudiologia, com supervis\u00e3o.\u00a0 Trata-se de um servi\u00e7o incipiente e insuficiente para atender a demanda, que funciona durante o per\u00edodo de aulas da UnB.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Psicologia, existe 1 neuropsic\u00f3loga\u00a0 que,\u00a0 al\u00e9m do CMI, atende tamb\u00e9m todo o Hospital Universit\u00e1rio. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 equipe de psic\u00f3logos para acompanhar a sa\u00fade mental das cuidadoras e cuidadoras familiares. Nem para acompanhar os transtornos de comportamento no est\u00e1gio inicial das dem\u00eancias.<\/p>\n<p>Terapia ocupacional n\u00e3o existe h\u00e1 10 anos no Centro. Sim, 10 anos. A equipe multidisciplinar deveria incluir a terapia ocupacional, t\u00e3o importante para a qualidade de vida dos pacientes. Deveria&#8230;<\/p>\n<p>Tampouco existe profissional de enfermagem, que poderia contribuir muito para o trabalho m\u00e9dico em um Centro onde\u00a0 existem apenas 3 geriatras.<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 uma assistente social no Centro Multidisciplinar do Idoso.<\/p>\n<p>Para atender as diferentes demandas dos cerca de 1.200 pacientes anuais do CMI (dados pr\u00e9-pandemia).\u00a0Com apenas 1 assistente social fica dif\u00edcil pensar em planejamento e preven\u00e7\u00e3o ou mesmo reativar o grupo de apoio aos cuidadores e cuidadoras familiares, como existia antes do Covid-19.<\/p>\n<p>Como se tudo isso fosse pouco, as consultas s\u00e3o realizadas a cada 3 meses, mas isso n\u00e3o funciona para casos de dem\u00eancias, que exigem aten\u00e7\u00e3o constante, de acordo com a fase e evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 possibilidade de encaixes e ficar esperando pelo atendimento. Mas os encaixes s\u00e3o quase como pedir por favor pelo atendimento.\u00a0 E demoram. Tampouco h\u00e1 atendimento emergencial\u00a0 nem atendimento especializado nos fins-de-semana.<\/p>\n<p>Para oferecer atendimento e acompanhamento integral aos pacientes demenciados, seria necess\u00e1rio ter no CMI atendimento 24h. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio ter equipe suficiente em todas as \u00e1reas, imprescind\u00edveis a um tratamento eficaz e constante. Algo que\u00a0 n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, pois existe em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando vai faltar multidisciplinaridade no CMI?<\/p>\n<p>At\u00e9 quando o Centro Multidisciplinar do Idoso ser\u00e1 relegado \u00e0 abnega\u00e7\u00e3o de seus poucos profissionais,\u00a0 sem um projeto de m\u00e9dio e longo prazo que o torne refer\u00eancia, como j\u00e1 aconteceu no passado?<\/p>\n<p>Com o envelhecimento populacional,\u00a0 estamos enfrentando uma outra pandemia, desta vez silenciosa. A pandemia das dem\u00eancias, ainda sem pesquisa, controle, tratamento e atendimento gratuito suficientes.<\/p>\n<p>Pacientes com dem\u00eancias podem ter maior qualidade de vida,\u00a0 ainda que enfrentem o desafio de viver com doen\u00e7as sem cura. Mas precisam urgentemente da implementa\u00e7\u00e3o de projetos de m\u00e9dio e longo prazo no HUB. A defesa e melhoria do CMI \u00e9 um deles.<\/p>\n<p>PS: Recebemos uma nota da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do HUB em que contesta nossa publica\u00e7\u00e3o. Lembramos que os pacientes com dem\u00eancias e seus familiares n\u00e3o podem esperar at\u00e9 2022 para que a precariedade f\u00edsica e de profissionais especializados no CMI seja resolvida. Em respeito ao trabalho do HUB n\u00e3o publicamos os v\u00eddeos que mostram a situa\u00e7\u00e3o do Centro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Na sexta-feira, 26 de novembro, abrimos este blog para tratar da triste situa\u00e7\u00e3o do Centro Multidisciplinar do Idoso (CMI) do Hospital Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia (HUB). Embora as placas do pr\u00e9dio p\u00fablico nunca tenham sido mudadas e ainda registrem Centro de Medicina do Idoso, o nome do Centro mudou em 2012. 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