{"id":552,"date":"2021-10-25T07:00:17","date_gmt":"2021-10-25T10:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=552"},"modified":"2021-11-07T20:11:17","modified_gmt":"2021-11-07T23:11:17","slug":"por-que-as-demencias-precisam-estar-na-agenda-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/10\/25\/por-que-as-demencias-precisam-estar-na-agenda-publica\/","title":{"rendered":"Porque as Dem\u00eancias Precisam Estar na Agenda\u00a0 P\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u2013 Embora estejam aparecendo mais na m\u00eddia, particularmente em datas espec\u00edficas,\u00a0 temas como o envelhecimento e o aumento das dem\u00eancias ainda n\u00e3o geram engajamento nem <em>likes <\/em>nas redes sociais digitais. Tampouco entraram\u00a0 na agenda p\u00fablica.<\/p>\n<p>Se olharmos para tr\u00e1s vemos que doen\u00e7as como o c\u00e2ncer e a AIDS percorreram caminhos similares. Sa\u00edram da invisibilidade porque tiveram grupos ativos que atuaram bravamente por pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio aos pacientes, por acesso a medica\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>Foi um caminho longo e \u00e1rduo. Mas hoje essa milit\u00e2ncia e atua\u00e7\u00e3o junto aos n\u00facleos de decis\u00f5es n\u00e3o \u00e9 mais (t\u00e3o)\u00a0 necess\u00e1ria. Existem pol\u00edticas p\u00fablicas implementadas, mesmo que o or\u00e7amento da sa\u00fade esteja despencando desde 2019.<\/p>\n<p>Grupos de apoio de cunho comunit\u00e1rio, \u00a0como os Grupos de Apoio e Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 AIDS (GAPA) espalhados por todo o pa\u00eds no final dos anos 1980, \u00a0tornaram o Brasil refer\u00eancia internacional na preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda assim, milhares de pessoas morreram at\u00e9 que o preconceito fosse vencido e pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes fossem adotadas e implementadas.<\/p>\n<p>No caso das dem\u00eancias, entre elas o Alzheimer,\u00a0 ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer.<\/p>\n<p>Embora\u00a0 haja uma estimativa de 2 milh\u00f5es de casos de Alzheimer diagnosticados \u00a0no pa\u00eds, o governo federal e o Congresso agem como se a\u00a0 doen\u00e7a n\u00e3o existisse.<\/p>\n<p>Mesmo que a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Alzheimer declare que a cada 03 segundos uma pessoa no mundo seja diagnosticada com a doen\u00e7a, presente em 75% dos casos de dem\u00eancias.<\/p>\n<p>Mesmo que a mesma Associa\u00e7\u00e3o Internacional informe que \u00a068% dos casos existentes no mundo ocorram em pa\u00edses como o Brasil, com grande fragilidade econ\u00f4mica e social. Um pa\u00eds cujo governo est\u00e1 desmontando cotidianamente o maior sistema p\u00fablico de sa\u00fade do mundo, o SUS.<\/p>\n<p>Ainda assim, o tema das dem\u00eancias n\u00e3o est\u00e1 presente na agenda p\u00fablica. Nem sequer o tema do envelhecimento.<\/p>\n<p>Quanto ao envelhecimento, boa parte das pessoas que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas prefere acreditar nas solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas e duvidosas das cirurgias est\u00e9ticas. E\u00a0 nos procedimentos (tempor\u00e1rios) que disfar\u00e7am a idade.<\/p>\n<p>Como se as marcas da vida fossem vergonhosas e tivessem de ser escondidas todos os dias em uma cont\u00ednua apologia \u00e0 juventude.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o do \u00a0pr\u00f3prio corpo,\u00a0 a compuls\u00e3o por um ideal que rejeita diferen\u00e7as e singularidades\u00a0 tornou o Brasil o pa\u00eds campe\u00e3o das cirurgias est\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o \u00a0Brasil tem \u00a0mais de 37,7 milh\u00f5es de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o IBGE. Boa parte delas est\u00e3o \u00a0longe de serem \u00a0ativas e saud\u00e1veis, dada a precariedade econ\u00f4mica e social em que vivem.<\/p>\n<p>Faltam campanhas p\u00fablicas sobre sa\u00fade e envelhecimento.\u00a0 Falta alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. Falta est\u00edmulo\u00a0 \u00e0 pr\u00e1tica de exerc\u00edcios. Falta acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A lista\u00a0 segue. Falta or\u00e7amento para comprar medica\u00e7\u00f5es cada vez mais caras. \u00a0Faltam produtos e servi\u00e7os acess\u00edveis. Faltam cidades\u00a0 inclusivas.<\/p>\n<p>E, principalmente, \u00a0faltam pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento para \u00a0doen\u00e7as como as dem\u00eancias, uma pandemia silenciosa que n\u00e3o para de crescer no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Isso ocorre ainda que a idade m\u00e9dia dos ministros de Estado esteja acima dos 60\u00a0 e\u00a0 que o Presidente da Rep\u00fablica tenha 66 anos. Legalmente\u00a0 s\u00e3o pessoas idosas, mesmo que, ao se olharem no espelho, \u00a0n\u00e3o se reconhe\u00e7am assim.<\/p>\n<p>No caso das dem\u00eancias, h\u00e1 um agravante.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um problema que diz respeito apenas aos pacientes, pois adoecem f\u00edsica e emocionalmente cuidadoras e outros\u00a0 fam\u00edliares envolvidos\u00a0 na atividade de cuidado.<\/p>\n<p>Em um c\u00e1lculo por baixo, h\u00e1 pelo menos 6 milh\u00f5es de pessoas adoecidas \u00a0ou em processo de adoecimento no pa\u00eds, sem falar nas consequ\u00eancias para crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos grupos de apoio, eles existem e trabalham muito.\u00a0Em geral,\u00a0 os grupos e coletivos carecem de apoio financeiro para se estruturar e atuar em tantas frentes.<\/p>\n<p>Frentes que incluem a oferta cont\u00ednua de informa\u00e7\u00f5es sobre as dem\u00eancias ou a forma\u00e7\u00e3o de cuidadoras familiares. O cuidado e apoio de quem cuida. A oferta de atividades culturais e l\u00fadicas. O est\u00edmulo ao autocuidado. Ou pol\u00edticas p\u00fablicas, como \u00e9 o caso da Lei 6926\/2021, recentemente aprovada no Distrito Federal, a espera de implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na maioria dos casos, esse trabalho, tamb\u00e9m invis\u00edvel, \u00e9 realizado por cuidadoras\u00a0 ou profissionais volunt\u00e1rios que dividem seu tempo entre a profiss\u00e3o e o apoio \u00e0s cuidadoras e seus familiares.<\/p>\n<p>Como as dem\u00eancias,\u00a0 trata-se de uma atividade que n\u00e3o gera engajamento nem<em> likes<\/em> nas redes sociais digitais. Nem entra na pauta cotidiana da m\u00eddia, com repercuss\u00e3o restrita os grupos engajados, que dialogam entre si.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando seremos invis\u00edveis?<\/p>\n<p>PS: Sobre o preconceito de idade, o\u00a0 Fant\u00e1stico lan\u00e7ou\u00a0 neste domingo um novo quadro em que fala sobre etarismo.Veja <a href=\"http:\/\/Isso tem nome: entenda o que \u00e9 o etarismo, a discrimina\u00e7\u00e3o por idade | Isso Tem Nome | G1 https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/quadros\/isso-tem-nome\/noticia\/2021\/10\/24\/isso-tem-nome-entenda-o-que-e-o-etarismo-a-discriminacao-por-idade.ghtml\">aqui.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia \u2013 Embora estejam aparecendo mais na m\u00eddia, particularmente em datas espec\u00edficas,\u00a0 temas como o envelhecimento e o aumento das dem\u00eancias ainda n\u00e3o geram engajamento nem likes nas redes sociais digitais. Tampouco entraram\u00a0 na agenda p\u00fablica. Se olharmos para tr\u00e1s vemos que doen\u00e7as como o c\u00e2ncer e a AIDS percorreram caminhos similares. Sa\u00edram da invisibilidade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":126,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[8,2,7,5,305,225,173,12,295,156],"class_list":["post-552","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cuidado","tag-alzheimer","tag-cuidado","tag-demencias","tag-envelhecimento","tag-gapa","tag-lei-6926-2021","tag-politicas-publicas","tag-politicas-publicas-de-cuidado","tag-politicas-publicas-para-pessoas-idosas","tag-politicas-publicas-sobre-alzheimer"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/126"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=552"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":596,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/552\/revisions\/596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}