{"id":542,"date":"2021-10-22T07:00:34","date_gmt":"2021-10-22T10:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=542"},"modified":"2021-10-25T21:16:48","modified_gmt":"2021-10-26T00:16:48","slug":"542","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/10\/22\/542\/","title":{"rendered":"Depois dos 60, Onde Vamos Morar?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Vivemos\u00a0 em\u00a0 um pa\u00eds onde apenas 1% das pessoas idosas moram em uma institui\u00e7\u00e3o de longa perman\u00eancia<\/p>\n<p>Isso ocorre pela falta de ILPIs p\u00fablicas e pelos baixos sal\u00e1rios dos aposentados\u00a0 no Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa que, ap\u00f3s os 60 anos, as pessoas idosas n\u00e3o necessitem de cuidados.\u00a0Ao contr\u00e1rio, muitas delas,\u00a0 mentalmente saud\u00e1veis, necessitam de ajuda f\u00edsica ou acompanhamento para as atividades do cotidiano.<\/p>\n<p>Esse trabalho de cuidado &#8211; invis\u00edvel e n\u00e3o remunerado &#8211; em 82% dos casos fica a cargo das mulheres da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em apenas 17% dos casos as fam\u00edlias\u00a0 brasileiras t\u00eam condi\u00e7\u00f5es financeiras para contratar uma cuidadora profissional. Esta profissional em geral \u00e9 mal remunerada e n\u00e3o teve a profiss\u00e3o reconhecida pelo governo.\u00a0 Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 piso para a categoria e o sal\u00e1rio \u00e9 equiparado ao das empregadas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Isso faz com que algumas fam\u00edlias tentem fazer contratos 2 X 1 (cuidado do familiar + atividades dom\u00e9sticas).\u00a0Uma proposta que deveria vir com um sal\u00e1rio compat\u00edvel, mas aumentaria\u00a0 a carga de trabalho das cuidadoras. E deixaria a atividade de cuidado em\u00a0 segundo plano.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o nas ILPIs privadas\u00a0 no Brasil \u00e9 diferente. Em geral pagam pouco para os funcion\u00e1rios e cobram altos pre\u00e7os para manter as pessoas idosas em um quarto coletivo e\/ou individual.<\/p>\n<p>Tal situa\u00e7\u00e3o estrangula os or\u00e7amentos\u00a0 daqueles que decidiram institucionalizar seus idosos,. Ou inviabiliza o pagamento das mensalidades daqueles que\u00a0 dependem da aposentadoria por tempo de servi\u00e7o ou por idade.<\/p>\n<p>A falta de ILPIs p\u00fablicas no Brasil comprova a falta de\u00a0 pol\u00edticas de cuidado voltadas para as pessoas idosas. E aponta para a necessidade de adaptar as cidades\u00a0 para que se tornem sustent\u00e1veis e inclusivas para os mais de 37 milh\u00f5es de pessoas 60+ que vivem no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sequer a Capital Federal disp\u00f5e de ILPIs p\u00fablicas. E conta com poucas filantr\u00f3picas. Como se a cidade estivesse voltada apenas para aquelas pessoas que podem pagar.<\/p>\n<p>A fila de espera por uma vaga em uma ILPI conveniada com o governo do Distrito Federal passa de\u00a0 atualmente 150 pessoas, segundo dados de 2020 da Central Judicial do Idoso.\u00a0As vagas n\u00e3o aumentam por conta da falta de investimentos\u00a0 p\u00fablicos. E somadas as vagas\u00a0 das institui\u00e7\u00f5es\u00a0 privadas, chegam a cerca de 2.000.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma l\u00f3gica perversa que aumenta o desamparo e o desespero das fam\u00edlias. Principalmente daquelas com pacientes demenciados violentos ou com\u00a0 outras necessidades espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o governo holand\u00eas mostra algumas boas pr\u00e1ticas que poderiam ser adotadas no Brasil, caso os dirigentes realmente apostassem no envelhecimento ativo e\u00a0 em pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem a vida saud\u00e1vel para os 60+.<\/p>\n<p>Quem\u00a0 conta uma experi\u00eancia holandesa\u00a0 \u00e9 o presidente\u00a0 da Alian\u00e7a Dem\u00eancia Brasil,\u00a0 Fernando Aguzzoli. Ele que est\u00e1 fazendo um m\u00eas de imers\u00e3o em uma ILPI no norte europeu.<\/p>\n<p>Segundo Aguzzoli, trata-se de uma empresa privada sem fins lucrativos. S\u00e3o cerca de 400 pessoas idosas vivendo em dois pr\u00e9dios. Cerca de 70% s\u00e3o independentes e pagam em torno de 600 euros\u00a0 por um apartamento com quarto, sala,\u00a0cozinha, varanda e banheiro. Isso equivale a cerca de 3.500 reais\/m\u00eas,\u00a0 pre\u00e7o inexistente em uma ILPI de qualidade no Brasil.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, no Brasil o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 de pouco mais que R$ 1.100,00 e uma ILPI pode custar 4 vezes esse valor (ou mais). Na Holanda, o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 cerca de 1.600,00 euros (cerca de 11 mil reais). Ou seja,\u00a0 torna mais acess\u00edvel a ades\u00e3o a esse estilo de moradia. E ainda sobra dinheiro para outros gastos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a\u00a0ala da dem\u00eancia \u00e9 financiada quase 100% pelo governo, mas o idoso deve abrir m\u00e3o de sua aposentadoria, independente do valor que recebe.\u00a0Isso faz parte de uma pol\u00edtica p\u00fablica que come\u00e7a no plano de sa\u00fade mandat\u00f3rio: todos pagam &#8211; da inf\u00e2ncia ao envelhecimento &#8211; o mesmo valor, independente do grau de utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil,\u00a0 foi lan\u00e7ado o\u00a0<a href=\"https:\/\/nossolaridosos.org.br\/produto\/livro-morar-60\/\">\u00a0livro &#8220;Moradia 60+&#8221;<\/a> , organizado por In\u00eas Riotto,\u00a0 Aurea Barroso e Edgard Viana. O livro apresenta um panorama das ILPIs no Brasil, al\u00e9m de relatar\u00a0 boas pr\u00e1ticas internacionais.<\/p>\n<p>Entre\u00a0 as experi\u00eancias brasileiras est\u00e1 a da cidade de Piracicaba, em S\u00e3o Paulo,\u00a0 considerada a primeira cidade geri\u00e1trica do pa\u00eds.\u00a0A experi\u00eancia de um condom\u00ednio para idosos com uma ILPI filantr\u00f3pica no mesmo local, o Lar dos Velhinhos de Piracicaba,\u00a0 pode ser uma experi\u00eancia a ser levada em conta.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Distrito Federal n\u00e3o h\u00e1 nenhuma\u00a0 experi\u00eancia de condom\u00ednios para pessoas idosas, como em S\u00e3o Paulo e Para\u00edba. Nem rep\u00fablica para terceira idade,\u00a0 como em Santos (SP). Ou\u00a0 moradias coletivas para pessoas idosas. Muito menos\u00a0 bairros intergeracionais.<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 preciso pensar no conv\u00edvio intergeracional, sob o risco das pessoas idosas ficarem segregadas, convivendo apenas com outros\u00a0 idosos. Um conv\u00edvio saud\u00e1vel inclui crian\u00e7as, adolescentes, adultos, pessoas idosas, animais, plantas e contato com a natureza. Como j\u00e1 ocorre em diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica para as pessoas 60+ que n\u00e3o querem depender da fam\u00edlia. Nem para as pessoas que n\u00e3o t\u00eam mais fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o ocorre,\u00a0 o Coletivo Filhas da M\u00e3e\u00a0 segue propondo pol\u00edticas p\u00fablicas para garantir um envelhecimento ativo e digno para todas as pessoas idosas, independente de classe social.<\/p>\n<p>#outubrom\u00easdapessoaidosa #envelhecimenton\u00e3o\u00e9doen\u00e7a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Vivemos\u00a0 em\u00a0 um pa\u00eds onde apenas 1% das pessoas idosas moram em uma institui\u00e7\u00e3o de longa perman\u00eancia Isso ocorre pela falta de ILPIs p\u00fablicas e pelos baixos sal\u00e1rios dos aposentados\u00a0 no Brasil. 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