{"id":47,"date":"2021-03-05T10:51:37","date_gmt":"2021-03-05T13:51:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=47"},"modified":"2022-08-17T10:34:59","modified_gmt":"2022-08-17T13:34:59","slug":"filhas-da-mae-com-muito-orgulho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/03\/05\/filhas-da-mae-com-muito-orgulho\/","title":{"rendered":"Filhas da M\u00e3e, Com Muito Orgulho"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: left\">Ana Castro &amp;\u00a0 Cosette Castro<\/h5>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; N\u00e3o somos especialistas em gerontologia. Mas estamos aqui para palpitar sobre velhice, \u00a0sobre dem\u00eancias como Alzheimer, cuidado e autocuidado. E compartilhar nossos trope\u00e7os e aprendizados no desafio de cuidar de nossas m\u00e3es. Ambas faleceram com \u00a0Alzheimer.<\/p>\n<p>Por que falar sobre um tabu &#8211; a dem\u00eancia &#8211; e a economia do cuidado em um Brasil que faz de conta que \u00e9 jovem? Campe\u00e3o mundial, desde 2019, em cirurgias est\u00e9ticas? Que teima em ignorar o impacto do envelhecimento do pa\u00eds, um dos mais acelerados do mundo?<\/p>\n<p>Existem mais de 31,2 milh\u00f5es de homens e mulheres acima de 60 anos, 14,7% por cento da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Segundo proje\u00e7\u00f5es do IBGE, esse percentual dever\u00e1 dobrar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, chegando a um quarto da popula\u00e7\u00e3o em 2043.<\/p>\n<p>Nossa gera\u00e7\u00e3o vem descobrindo que o aumento da longevidade n\u00e3o garante uma vida melhor. Al\u00e9m do preconceito (conhecido como ageismo, idadismo, etarismo), h\u00e1 o encolhimento da renda com a aposentadoria frente ao constante aumento de pre\u00e7os dos medicamentos e dos planos de sa\u00fade. A cada mudan\u00e7a de faixa et\u00e1ria, aumenta a evas\u00e3o do sistema de sa\u00fade complementar, sobrecarregando o SUS, cujo or\u00e7amento vem diminuindo anualmente.<\/p>\n<p>Em 2019, apenas 28,5% da popula\u00e7\u00e3o brasileira (59,7 milh\u00f5es de pessoas) possu\u00edam plano de sa\u00fade privado. Desses 59,7 milh\u00f5es, 37% vivem no DF. Em termos nacionais, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar, em 2019 houve uma evas\u00e3o de 60, 4 mil clientes. E em 2020, com a pandemia e a crise econ\u00f4mica, a evas\u00e3o atingiu 283 mil pessoas.<\/p>\n<p>Quando os indicadores do envelhecimento cruzam com as estat\u00edsticas de doen\u00e7as pouco conhecidas e atualmente sem cura, como as dem\u00eancias, o cen\u00e1rio brasileiro assusta. N\u00e3o existem n\u00fameros precisos, mas estima-se que sejam quase dois milh\u00f5es de pessoas vivendo com doen\u00e7as cerebrais que causam a diminui\u00e7\u00e3o progressiva da capacidade cognitiva. E novos casos exigem reorganiza\u00e7\u00e3o familiar todos os dias.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es de comportamento e perda de fun\u00e7\u00f5es\u00a0 \u00a0exigem acompanhamento m\u00e9dico e de uma equipe integrada por fonoaudi\u00f3loga, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psic\u00f3loga, nutricionista e cuidadores. Ufa! Al\u00e9m disso, tem\u00a0 a lista mensal de medicamentos, fraldas, luvas, m\u00e1scaras e equipamentos como cadeira de rodas e de banho e cama hospitalar que v\u00e3o obrigando a adapta\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia para cuidar o paciente 24 horas por dia, sete dias na semana.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia para idosos (ILPIs), \u00a0ainda s\u00e3o escassas no Brasil. Sequer atendem 1% da popula\u00e7\u00e3o acima de 60 anos, seja pela quantidade existente, seja pelos pre\u00e7os das mensalidades.<\/p>\n<p>O trabalho de cuidar recai mesmo sobre as mulheres, na maioria, filhas. Mulheres d\u00e3o conta de 96% do cuidado (IBGE, 2019). Um trabalho invis\u00edvel e gratuito em 82% dos casos. Desgastante. Solit\u00e1rio. E que afeta a sa\u00fade f\u00edsica e mental das cuidadoras.<\/p>\n<p>Vivemos por mais de dez anos tais experi\u00eancias. E em dezembro de 2019, para apoiar outras cuidadoras, criamos com outras mulheres \u00a0o Coletivo Filhas da M\u00e3e. Sem medo de escolher um nome com conota\u00e7\u00e3o preconceituosa. Afinal, ser Filha da M\u00e3e n\u00e3o \u00e9 dem\u00e9rito. Nem palavr\u00e3o.<\/p>\n<p>Somos Filhas da M\u00e3e, sim, com muito orgulho. Estamos aqui gra\u00e7as a elas. Convidamos outras mulheres e homens para participar dessa rede de apoio. Elas toparam imediatamente. E eles est\u00e3o topando. De diferentes gera\u00e7\u00f5es: filhos, netos, sobrinhos, afilhados, cunhados, genros, sogros, companheiros, namorados, amigos e vizinhos. Como diria Arnaldo Antunes em \u201cA Casa \u00c9 Sua\u201d, a porta est\u00e1 aberta. Por que voc\u00ea n\u00e3o chega logo?<\/p>\n<p>PS: N\u00e3o somos irm\u00e3s, apesar do sobrenome. Mas nos descobrimos manas no cuidar bem de nossas m\u00e3es. E dispostas a ajudar outras pessoas a se cuidarem bem \u00a0tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp;\u00a0 Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; N\u00e3o somos especialistas em gerontologia. Mas estamos aqui para palpitar sobre velhice, \u00a0sobre dem\u00eancias como Alzheimer, cuidado e autocuidado. E compartilhar nossos trope\u00e7os e aprendizados no desafio de cuidar de nossas m\u00e3es. Ambas faleceram com \u00a0Alzheimer. 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