{"id":4259,"date":"2026-10-09T17:11:53","date_gmt":"2026-10-09T20:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=4259"},"modified":"2026-10-09T17:22:08","modified_gmt":"2026-10-09T20:22:08","slug":"nosso-verbo-e-esperancar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2026\/10\/09\/nosso-verbo-e-esperancar\/","title":{"rendered":"Nosso Verbo \u00e9 Esperan\u00e7ar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gente cai, levanta, sacode a poeira e a tristeza, e segue em frente<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cosette Castro<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bras\u00edlia &#8211; N\u00e3o foi f\u00e1cil levantar da cama na segunda-feira, mas enfrentamos a semana e estamos de p\u00e9. Seja em casa cuidando, seja na rua, incentivando o cuidado coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto de hoje \u00e9 um incentivo \u00e0s pessoas que cuidam sem remunera\u00e7\u00e3o e enfrentam m\u00faltiplos desafios. Seja no cuidado familiar, seja no cuidado coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil enfrentar os desafios que voc\u00eas est\u00e3o passando. A sobrecarga f\u00edsica e emocional, a solid\u00e3o, a saudade ou a sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia, de n\u00e3o conseguir melhorar a qualidade de vida do familiar querido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 muito dif\u00edcil lidar com as dem\u00eancias, com seus sintomas e vivenciar como a s\u00edndrome muda totalmente os familiares. E, quanto mais avan\u00e7a, mais radicalmente muda nossas rotinas e a rela\u00e7\u00e3o com o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cuidar de um familiar com dem\u00eancia \u00e9 um grande desafio. S\u00f3 quem passou ou passa por isso ou acompanha de perto consegue compreender a dor de encarar a morte a conta gotas do familiar todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 outras dores. Entre elas a  dor de n\u00e3o ser reconhecida, de cada dia se distanciar mais da pessoa que nos criou ou com quem fizemos um pacto amoroso para toda vida. \u00c9 quase uma trai\u00e7\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o (filial ou amorosa ) que t\u00ednhamos at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E com o passar dos anos, em alguns casos, a dem\u00eancia pode mostrar seu lado mais cruel, para al\u00e9m do esquecimento. N\u00e3o somos mais apenas filhas ou parte de um casal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somos obrigadas por amor, por dever filial e legalmente a passar a ser cuidadoras sem manual de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somos obrigadas  por amor e solidariedade a deixar de ser companheira\/o\/amante para nos tornarmos cuidadoras de maridos. Muitas vezes, os filhos n\u00e3o assumem a sua parte na responsabilidade, morando perto ou longe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, outras vezes, n\u00e3o h\u00e1 filhos nem fam\u00edlia para dar suporte. Sim,  por vezes  pode ser cansativo, solit\u00e1rio e assustador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora esse n\u00e3o tenha sido o &#8220;combinado&#8221; com nossos familiares, uma parte deles ainda est\u00e1 com a gente em olhares, um aperto de m\u00e3o e um abra\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do cuidado, passamos a ser guardi\u00e3s  da mem\u00f3ria delas e deles.  E somos quem vai levar para as outras gera\u00e7\u00f5es essa mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somos o ouvido que n\u00e3o escuta mais, a boca que n\u00e3o consegue articular palavras ou frases. Somos as pernas, as m\u00e3os e os bra\u00e7os de pessoas que um dia consideramos gigantes, super hero\u00ednas ou pr\u00edncipes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Da medo, raiva, frustra\u00e7\u00e3o e vontade de largar tudo e sair correndo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas n\u00e3o desistimos porque somos muito mais do que isso. Cada pessoa do Coletivo Filhas da M\u00e3e e de outros grupos de apoio \u00e9 tamb\u00e9m amor, respeito, resili\u00eancia e vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sintam-se abra\u00e7adas e abra\u00e7ados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PS: At\u00e9 o fim das elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o teremos Caminhadas. Voltaremos ao Projeto Caminhantes a partir do dia 08\/11, domingo, ap\u00f3s o feriado de finados, no Parque Olhos d&#8217;\u00c1gua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gente cai, levanta, sacode a poeira e a tristeza, e segue em frente Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; N\u00e3o foi f\u00e1cil levantar da cama na segunda-feira, mas enfrentamos a semana e estamos de p\u00e9. Seja em casa cuidando, seja na rua, incentivando o cuidado coletivo. 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