{"id":4096,"date":"2026-07-03T14:12:10","date_gmt":"2026-07-03T17:12:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=4096"},"modified":"2026-07-03T19:50:20","modified_gmt":"2026-07-03T22:50:20","slug":"esta-chegando-o-forum-nacional-pelo-protagonismo-das-mulheres-idosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2026\/07\/03\/esta-chegando-o-forum-nacional-pelo-protagonismo-das-mulheres-idosas\/","title":{"rendered":"Est\u00e1 Chegando o F\u00f3rum Nacional pelo Protagonismo das Mulheres Idosas"},"content":{"rendered":"<p>Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u2013 Pela primeira vez na hist\u00f3ria do Brasil ser\u00e1 lan\u00e7ado o F\u00f3rum Nacional Pelo Protagonismo das Mulheres Idosas, institucionalizado dentro do Minist\u00e9rio das Mulheres (MM) em parceria com o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC).<\/p>\n<p>At\u00e9 pouco tempo, as mulheres com 60 anos ou mais eram tratadas como pessoas a serem escondidas. Uma categoria a parte, quase separada das quest\u00f5es de g\u00eanero. Como se deixar de menstruar, entrar na menopausa ou ter rugas retirasse o direito a ser mulher em toda sua pot\u00eancia. Esconder a idade, ent\u00e3o, era praticamente obrigat\u00f3rio. Onde j\u00e1 se viu, envelhecer&#8230;<\/p>\n<p>O apagamento social das mulheres 60+ se estende a todas as \u00e1reas. Inclusive nos Minist\u00e9rios, comit\u00eas, conselhos e f\u00f3runs. Elas est\u00e3o l\u00e1, trabalhando, mas poucas falam sobre a idade ou sobre essa outra fase da vida. Tenho escrito e falado em palestras e encontros que dizer a idade \u00e9 um ato pol\u00edtico contra o apagamento, o preconceito, contra a vergonha ou o medo de envelhecer. Sim, vivemos em uma sociedade que estimula a vergonha e o medo.<\/p>\n<p>Nas fam\u00edlias, que deveria ser um espa\u00e7o de acolhimento, o preconceito e a viol\u00eancia contra mulheres seguem ocorrendo tamb\u00e9m ap\u00f3s os 60 anos. Ou seja, segue durante toda a vida. E n\u00e3o se restringe ao que a fam\u00edlia acredita que as mulheres idosas podem fazer ou vestir. Segue na demanda para serem cuidadoras n\u00e3o remuneradas at\u00e9 pelo menos os 80 anos.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea jur\u00eddica, por exemplo, um juiz do Distrito Federal se negou a incluir na Lei Maria da Penha a viol\u00eancia dom\u00e9stica que uma mulher de 64 anos sofreu. Ele disse que ela era idosa e seria considerado apenas o Estatuto da Pessoa Idosa. Esse \u00e9 apenas um exemplo do idadismo e da viol\u00eancia institucional que as mulheres idosas passam diariamente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Houve um tempo em que ser mulher idosa era abrir m\u00e3o da pr\u00f3pria sexualidade, dos pr\u00f3prios desejos, sonhos e projetos. Foram os movimentos de mulheres e as redes de apoio que contribu\u00edram n\u00e3o s\u00f3 para que os direitos fossem ampliados, mas para que uma boa parte das mulheres idosas sigam participando dos movimentos sociais. E lutem contra o apagamento social, inclusive cometido por outras mulheres. E contra as desigualdades sociais, como as quest\u00f5es de ra\u00e7a\/etnia, defici\u00eancia, lgbtfobia, territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de falar sobre o idadismo, um dos nomes do preconceito por idade. Ele \u00e9 resultado do est\u00edmulo \u00e0 eterna juventude que acontece no pa\u00eds, da cobran\u00e7a social por\u00a0 performances jovens sobre as mulheres e pela\u00a0 nega\u00e7\u00e3o da idade que atinge uma parcela importante da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso quest\u00f5es como peso e idade seguem causando sofrimento mental \u00e0s mulheres. S\u00e3o uma viol\u00eancia a mais, inclusive entre as idosas.<\/p>\n<p>Foram as mulheres do F\u00f3rum Nacional das Mulheres Envelhecentes (50+) e das Mulheres Idosas (60+) &#8211; FNMEI, criado em 2023 e ampliado em 2025, que trouxeram a p\u00fablico a pauta sobre o idadismo de g\u00eanero e suas interseccionalidades. O F\u00f3rum tem como criadora Maria do Carmo Guido, estudiosa do envelhecimento, e conta com coordena\u00e7\u00e3o colegiada, da qual o Coletivo Filhas da M\u00e3e faz parte. Foi o FNMEI que levou a pauta das mulheres idosas ao MM.<\/p>\n<p>O novo F\u00f3rum ser\u00e1 constru\u00eddo a muitas m\u00e3os. E, depois de implementado, ter\u00e1 representa\u00e7\u00e3o de representantes do Minist\u00e9rio das Mulheres, de dois Conselhos (MM e MDHC) e de sete institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil. \u00a0\u00a0Link para a<a href=\"https:\/\/us02web.zoom.us\/j\/86566857091?pwd=9TZGW4z9JnmGyicJ76bnTbYXcAw3TI.1\"> live aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cosette Castro Bras\u00edlia \u2013 Pela primeira vez na hist\u00f3ria do Brasil ser\u00e1 lan\u00e7ado o F\u00f3rum Nacional Pelo Protagonismo das Mulheres Idosas, institucionalizado dentro do Minist\u00e9rio das Mulheres (MM) em parceria com o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). 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