{"id":344,"date":"2021-07-26T07:10:37","date_gmt":"2021-07-26T10:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=344"},"modified":"2021-07-26T07:52:01","modified_gmt":"2021-07-26T10:52:01","slug":"a-inspiracao-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/07\/26\/a-inspiracao-argentina\/","title":{"rendered":"A Inspira\u00e7\u00e3o Argentina"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Na semana em que completamos o texto n\u00famero 50, recebemos da Argentina uma boa not\u00edcia. O governo do\u00a0 pa\u00eds vizinho reconheceu o cuidado materno como trabalho e contar\u00e1 tempo para a aposentadoria das mulheres.<\/p>\n<p>Estudo da <a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/publicacao\/tempo-de-cuidar-o-trabalho-de-cuidado-nao-remunerado-e-mal-pago-e-a-crise-global-da-desigualdade\/\">Oxfam<\/a> realizado em 2020, mostrou que o trabalho gratuito de cuidado \u00e9 realizado 75% por mulheres e meninas, respons\u00e1veis\u00a0\u00a0pelo cuidado de cozinhar, alimentar, arrumar e limpar, gerenciar compras da casa e medica\u00e7\u00f5es, cuidar de pessoas doentes, dos filhos e\u00a0 idosos . E, em tempos de pandemia, ajudar nos estudos online de crian\u00e7as e adolescentes, quase como uma professora auxiliar.<\/p>\n<p>Sob o t\u00edtulo &#8220;Tempo de Cuidar: o trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado e mal pago e a crise global da desigualdade&#8221;, o estudo\u00a0 mostrou que se o trabalho de cuidado fosse pago,\u00a0 os pa\u00edses receberiam 10,8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano fazendo girar a economia e garantindo vida digna a essas pessoas.<\/p>\n<p>No mundo, pelo menos 12,5 bilh\u00f5es de horas s\u00e3o dedicadas, todos os dias, ao trabalho de cuidado n\u00e3o\u00a0 remunerado. Quase a metade dessa popula\u00e7\u00e3o, 42%, n\u00e3o consegue emprego porque ocupa todo seu tempo com trabalho invis\u00edvel e gratuito de cuidado. Uma realidade que atinge\u00a0 apenas 6% dos homens.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-348 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/07\/anaefanilia-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/07\/anaefanilia-300x225.jpeg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/07\/anaefanilia-550x413.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/07\/anaefanilia-230x173.jpeg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/07\/anaefanilia.jpeg 720w\" sizes=\"auto, (max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Ana Castro, cuidadora da m\u00e3e, com o neto<\/p>\n<p>Na Argentina,\u00a0\u00a0o Programa Integral de Reconhecimento de Tempo de Servi\u00e7os por Tarefas Assistenciais passou a considerar o cuidado materno como trabalho e somar\u00e1 anos para a aposentadoria. Ser\u00e3o beneficiadas a partir de agora\u00a0m\u00e3es, com 60 anos ou mais, que n\u00e3o puderam completar os 30 anos de atua\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Algo em torno de 150 mil argentinas.<\/p>\n<p>O reconhecimento somar\u00e1 um ano de aporte para cada filho ou filha e at\u00e9 dois anos por filho adotivo ou com defici\u00eancia. A medida inclui tr\u00eas anos caso a m\u00e3e tenha recebido o abono universal para crian\u00e7as (AUH) por pelo menos 12 meses.\u00a0O benef\u00edcio \u00e9 destinado a respons\u00e1veis que estejam desempregados ou tenham baixa renda.<\/p>\n<p>Governos que \u00a0incorporam leis e consideram o cuidado familiar como um trabalho s\u00e3o\u00a0 governos que respeitam suas mulheres, pois retiram do \u00e2mbito privado essa responsabilidade e passam a ser correspons\u00e1veis pelo cuidado dos seus cidad\u00e3os, independente da idade ou g\u00eanero.<\/p>\n<p>Mas essas leis n\u00e3o ca\u00edram do c\u00e9u. S\u00e3o resultado de anos de mobiliza\u00e7\u00e3o e tentativas de regulamenta\u00e7\u00e3o pelos movimentos de mulheres. Desde os anos 70, a fil\u00f3sofa <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bFSI4nEB6jI&amp;vl=pt\">Silvia Federici<\/a> participou de movimentos e escreveu sobre sal\u00e1rios para o trabalho dom\u00e9stico, uma reivindica\u00e7\u00e3o que finalmente est\u00e1\u00a0 colhendo resultados.<\/p>\n<p>No Brasil, est\u00e1 na hora de aprovar lei similar\u00a0 e implantar pol\u00edticas nacionais de cuidado que incluam remunera\u00e7\u00e3o de cuidadoras familiares e informais (amigas e vizinhas) de pessoas doentes e\/ou idosas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Na semana em que completamos o texto n\u00famero 50, recebemos da Argentina uma boa not\u00edcia. O governo do\u00a0 pa\u00eds vizinho reconheceu o cuidado materno como trabalho e contar\u00e1 tempo para a aposentadoria das mulheres. 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