{"id":324,"date":"2021-07-16T07:00:35","date_gmt":"2021-07-16T10:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=324"},"modified":"2021-07-16T08:07:07","modified_gmt":"2021-07-16T11:07:07","slug":"existe-sim-vida-depois-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/07\/16\/existe-sim-vida-depois-da-morte\/","title":{"rendered":"Existe Sim Vida Depois da Morte"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Apesar do tom religioso, o t\u00edtulo de hoje traz uma afirma\u00e7\u00e3o importante. A vida das cuidadoras segue\u00a0ap\u00f3s a morte de um ente querido acometido com dem\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas como retomar a vida em meio ao luto e a dor? Como pensar em autocuidado?<\/p>\n<p>Desde a sua cria\u00e7\u00e3o, o Coletivo Filhas da M\u00e3e tem estimulado o cuidado e autocuidado.\u00a0 Como j\u00e1 comentamos <a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/05\/05\/autocuidado-eu\/\">anteriormente<\/a>, \u00e9\u00a0quase um mantra para n\u00f3s. Em nossas redes sociais digitais oferecemos dicas sobre o cuidado das pessoas enfermas que podem tornar mais leve a vida de uma cuidadora familiar ou informal (como amigas e vizinhas). E desde sempre falamos em autocuidado.<\/p>\n<p>O autocuidado \u00e9 essencial para a sobreviv\u00eancia das cuidadoras, para (tentar) manter a sanidade f\u00edsica e mental. Mas sabemos o quanto isso \u00e9 dif\u00edcil em meio ao dia-a-dia envolvente e corrido da atividade de cuidar. Ainda mais em tempos de pandemia quando a ajuda de cuidadoras profissionais, faxineiras, diaristas e dom\u00e9sticas foi reduzida. Ou elas simplesmente deixaram entrar na casa das fam\u00edlias confinadas.<\/p>\n<p>Quando afirmamos que existe vida ap\u00f3s a morte de um paciente com dem\u00eancia, estamos pensando nos pr\u00f3ximos passos da vida de uma cuidadora familiar que deixou a sua vida pessoal e profissional de lado para se dedicar a outra pessoa.<\/p>\n<p>Talvez a primeira pergunta a se fazer depois de\u00a0anos de uma rotina de dedica\u00e7\u00e3o aos outros,\u00a0 seja: o que resta de dedica\u00e7\u00e3o a si mesma?<\/p>\n<p>O que fazer do tempo livre, das horas vagas, da sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser mais necess\u00e1ria? Da sensa\u00e7\u00e3o de vazio, de luto existencial?<\/p>\n<p>Depois de todos os tr\u00e2mites legais, \u00e9 preciso retomar a vida. Aos poucos. Com direito a dias de sono. A fazer nada. Ficar apenas de pernas para cima. Sim, todas temos horas e dias acumulados de direito a um sono tranquilo.<\/p>\n<p>Depois do descanso,\u00a0 o pr\u00f3ximo passo pode ser olhar para o pr\u00f3prio corpo e escutar o que ele anda dizendo. Ele pode se manifestar em forma de dores, de sintomas, revelando que algo precisa ser visto.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o de exames anuais \u00e9 indicado para\u00a0 pessoas acima de 40 anos, mesmo quando se usa o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), onde consultas e exames demoram, mas s\u00e3o eficazes. O ideal \u00e9\u00a0 pensar em preven\u00e7\u00e3o, sem esperar para ir ao m\u00e9dico apenas quando um problema, que pode ser silencioso, como o c\u00e2ncer, j\u00e1 estiver instalado.<\/p>\n<p>E o adoecimento de quem foi cuidadora \u00e9 bastante comum. Em especial, descontrole de press\u00e3o, glicemia e colesterol. Fazer uma revis\u00e3o odontol\u00f3gica tamb\u00e9m deve entrar na agenda.<\/p>\n<p>Caso esteja com sobrepeso, com quilos extras acumulados durante os anos de cuidado, quando se colocou em segundo plano, ser\u00e1 hora de come\u00e7ar as atividades f\u00edsicas e mudar a dieta. Isso vale tamb\u00e9m para cuidadoras abaixo do peso.\u00a0Depois dos exames, \u00e9 preciso conversar com profissionais para tra\u00e7ar uma estrat\u00e9gia: caminhadas, nata\u00e7\u00e3o, dan\u00e7a, yoga ou\u00a0 exerc\u00edcios aer\u00f3bicos para ganhar massa muscular e evitar problemas como osteopat\u00eda e osteoporose.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 dieta, \u00e9 necess\u00e1rio contar com uma nutricionista. E n\u00e3o ir atr\u00e1s de solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, de dicas da internet ou das amigas para um emagrecimento r\u00e1pido. O que d\u00e1 certo para uma pessoa, pode n\u00e3o ser eficaz para outra. Cada corpo tem um metabolismo, necessidades e hist\u00f3rias de vida diferentes que precisam ser levadas em conta.<\/p>\n<p>Depois da morte de um familiar com dem\u00eancia, em geral, as cuidadoras se afastam dos grupos de apoio dessa \u00e1rea. \u00c9 um momento de solid\u00e3o, mesmo rodeada de outros familiares,\u00a0 e de rever a vida. Tempo de fazer balan\u00e7o, de pensar em como\u00a0 vai viver os pr\u00f3ximos 20, 30 anos.<\/p>\n<p>H\u00e1 a possibilidade de reger a pr\u00f3pria exist\u00eancia, de escolher por si, embora no in\u00edcio isso possa parecer dif\u00edcil. E n\u00e3o se trata apenas de pensar em sobreviver por mais um m\u00eas ou dois.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode ser tempo de procurar ajuda especializada na escuta (psicanalistas, psic\u00f3logas). Para\u00a0 pensar juntas sobre o vulc\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es\u00a0que foi colocado debaixo do tapete por muito tempo e identificar at\u00e9 uma poss\u00edvel depress\u00e3o. E, a partir da\u00ed, pensar\u00a0no que fazer\u00a0e ser nos pr\u00f3ximos anos, sem se deixar paralisar pelo medo, pela culpa ou\u00a0 pela raiva.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas possibilidades.\u00a0Ficar na mesma moradia ou mudar de casa, recome\u00e7ando literalmente a vida em outra cidade ou estado. Fazer uma viagem ou ficar quieta. Voltar a estudar ou procurar trabalho. Mudar o guarda-roupa e ir aos poucos buscando novos objetivos de vida.<\/p>\n<p>Um desses objetivos pode ser usar a experi\u00eancia de cuidadora para ajudar outras pessoas. E at\u00e9 trabalhar com isso. Caso algu\u00e9m queira ajudar outras pessoas que est\u00e3o come\u00e7ando sua experi\u00eancia com familiares enfermos, o Coletivo Filhas da M\u00e3e est\u00e1 de portas abertas!<\/p>\n<p>PS: Sincronia \u00e9 tudo de bom. A amiga Miriam Morata tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/2117077458331276\/permalink\/4251217351583932\/\">escreveu<\/a> sobre o que fazer depois da morte do familiar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Apesar do tom religioso, o t\u00edtulo de hoje traz uma afirma\u00e7\u00e3o importante. A vida das cuidadoras segue\u00a0ap\u00f3s a morte de um ente querido acometido com dem\u00eancia. Mas como retomar a vida em meio ao luto e a dor? Como pensar em autocuidado? 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