{"id":3169,"date":"2025-05-12T10:14:52","date_gmt":"2025-05-12T13:14:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=3169"},"modified":"2025-05-12T15:24:22","modified_gmt":"2025-05-12T18:24:22","slug":"a-a-ventura-de-envelhecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2025\/05\/12\/a-a-ventura-de-envelhecer\/","title":{"rendered":"A A-Ventura de Envelhecer"},"content":{"rendered":"<p>Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia- A semana come\u00e7a comentando a informa\u00e7\u00e3o do\u00a0 Departamento Intersindical\u00a0 de Estat\u00edstica e Estudos Econ\u00f4micos (Dieese) sobre o aumento da procura por cuidadoras profissionais no pa\u00eds.<\/p>\n<p>No feminino. Elas s\u00e3o majoritariamente mulheres (94%) e negras ou pardas (64,2%).<\/p>\n<p>Essa procura reflete o aumento da popula\u00e7\u00e3o idosa no pa\u00eds e a sua crescente necessidade de cuidados. Este tamb\u00e9m \u00e9 o caso das pessoas com defici\u00eancia que precisam cuidados por toda a vida.\u00a0Atualmente elas representam 79% de quem cuida pessoas de forma remuneradas (n\u00e3o inclu\u00eddas aqui o cuidado de crian\u00e7as).<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, desde 2024 h\u00e1 35 milh\u00f5es de pessoas idosas vivendo no Brasil, um pa\u00eds marcado por desigualdades sociais e diferentes tipos de envelhecimento. Por exemplo: 70% das pessoas com 60 anos ou mais s\u00e3o chefes de familia. Deste percentual, 50% s\u00e3o mulheres idosas que seguem cuidando sem remunera\u00e7\u00e3o diferentes gera\u00e7\u00f5es da sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Entre quem trabalha como cuidadora de pessoas, o percentual\u00a0 das chefes de fam\u00edlia cresce para 56,4%. Ou seja, elas cuidam duplamente. Dentro e fora de casa.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que aumenta a busca por pessoas que cuidam, ocorre redu\u00e7\u00e3o da procura por empregadas dom\u00e9sticas, agora contratadas como diaristas. O que n\u00e3o muda \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de precariedade das profissionais do cuidado de pessoas.\u00a0Mesmo quando contratadas como mensalistas. Somente 21% tem carteira assinada.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimespecial\/2025\/trabalhoDomestico.pdf\">an\u00e1lise do Dieese<\/a>\u00a0publicada no come\u00e7o de maio reflete o que o estudo &#8220;Perfil da Pessoa Idosa com Dem\u00eancia e Perfil de Cuidadores do Distrito Federal&#8221; (IPE-DF) apontou em 2022. A pesquisa, encomendada pelo Coletivo Filhas da M\u00e3e em parceria com o F\u00f3rum Distrital da Sociedade Civil em Defesa da Pessoa Idosa, foi\u00a0realizada com 608 pessoas que cuidam no Distrito Federal, 86% delas mulheres. (<a href=\"https:\/\/www.ipe.df.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/RELATO%CC%81RIO-PERFIL-DOS-CUIDADORES-E-DE-PESSOAS-IDOSAS-COM-DEME%CC%82NCIA.pdf\">Leia o estudo do IPE-DF aqui<\/a>).<\/p>\n<p>As cuidadoras de pessoas remuneradas ainda n\u00e3o possuem profiss\u00e3o regulamentada, em sua maioria s\u00e3o negras ou pardas,\u00a0 est\u00e3o envelhecendo e realizam trabalhos sem prote\u00e7\u00e3o dos direitos socials. Al\u00e9m disso, est\u00e1 aumentando o n\u00famero de pessoas idosas cuidando de outras pessoas idosas, com ou sem remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, de acordo com o Estatuto da Pessoa Idosa (2003),\u00a0 brasileiras e brasileiros come\u00e7am a ser considerados velhos a partir dos 60 anos. O c\u00e1lculo sobre a idade da chegada na velhice tem motivos de existir e v\u00e3o al\u00e9m do Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n<p>Ele foi estabelecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e faz toda diferen\u00e7a na hora de definir pol\u00edticas p\u00fablicas e a garantia de direitos sociais e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>A partir dos 65 anos s\u00e3o consideradas pessoas idosas aquelas que vivem em pa\u00edses desenvolvidos, com melhor qualidade de vida e\/ou prote\u00e7\u00e3o social. E s\u00e3o consideradas pessoas idosas aos 60 anos aquelas que vivem em pa\u00edses em desenvolvimento. Este \u00e9 o caso do Brasil, marcado por diferentes tipos de velhices, baixos valores de aposentadorias e baixo \u00edndice de implementa\u00e7\u00e3o das leis que deveriam proteger as pessoas idosas.<\/p>\n<p><strong>A-Ventura de Envelhecer<\/strong><\/p>\n<p>Semana passada comecei a ler o mais recente livro\u00a0do professor em\u00e9rito da UnB, Vicente Faleiros, um estudioso na \u00e1rea do envelhecimento.<\/p>\n<p>Em a\u00a0 &#8220;A-Ventura de Envelhecer&#8221;, publicado pela editora Hucitec, Faleiros, aos 82 anos, convida leitoras e leitores a conhecer mais sobre a velhice ao lado dele. Sem receio ou vergonha das fragilidades do corpo. E sem medo de mostrar as alegrias de viver com consci\u00eancia da finitude.<\/p>\n<p>Com a erudi\u00e7\u00e3o de pesquisador renomado e 44 livros publicados, Faleiros vai mais al\u00e9m. Convida a um passeio pela sua vida cotidiana revelando cuidados di\u00e1rios para se manter saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que escreve sobre a sua experi\u00eancia, ele tamb\u00e9m escreve sobre o envelhecimento no Brasil, com suas tantas desigualdades.\u00a0Al\u00e9m disso,\u00a0 presenteia com seus poemas, um delicado cuidado com leitoras e leitores, nem sempre preparados para refletir sobre a velhice, que pode ser uma aventura. E uma ventura, como lembra Faleiros.<\/p>\n<p>PS: Nesta ter\u00e7a-feira, dia 13 de maio, \u00e0s 19h, vai ocorrer o lan\u00e7amento do livro no Bar Beirute (109 Sul), em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>PS: Domingo, dia 18 de maio, teremos a <strong>3a edi\u00e7\u00e3o da Trilha Urbana &#8220;Os Caminhos de Athos Bulc\u00e3o na Asa Norte&#8221;<\/strong>, sob a condu\u00e7\u00e3o de Vitor Borisow. A trilha \u00e9 gratuita e \u00e9 aberta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Encontro \u00e0s 8h15 em frente a Fiocruz\/UnB. Lembre de levar algo para o lanche compartilhado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cosette Castro Bras\u00edlia- A semana come\u00e7a comentando a informa\u00e7\u00e3o do\u00a0 Departamento Intersindical\u00a0 de Estat\u00edstica e Estudos Econ\u00f4micos (Dieese) sobre o aumento da procura por cuidadoras profissionais no pa\u00eds. No feminino. Elas s\u00e3o majoritariamente mulheres (94%) e negras ou pardas (64,2%). Essa procura reflete o aumento da popula\u00e7\u00e3o idosa no pa\u00eds e a sua crescente necessidade de cuidados. 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