{"id":2544,"date":"2024-08-23T11:36:57","date_gmt":"2024-08-23T14:36:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=2544"},"modified":"2024-10-02T10:35:58","modified_gmt":"2024-10-02T13:35:58","slug":"e-possivel-lidar-com-o-luto-mesmo-com-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2024\/08\/23\/e-possivel-lidar-com-o-luto-mesmo-com-alzheimer\/","title":{"rendered":"\u00c9 Poss\u00edvel Lidar com o Luto, Mesmo com Alzheimer"},"content":{"rendered":"<p>Cosette Castro &amp; Natalia Duarte<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Confirmando os dados sobre o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira, esta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE, 2024) informou que o n\u00famero de pessoas com\u00a0 60 anos ou mais,\u00a0 ultrapassou as pessoas que t\u00eam 15 a 24 anos.<\/p>\n<p>Desde 2023, 15,6% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 composta por pessoas idosas, enquanto 14,8% \u00e9 composta por pessoas entre 15 e 24 anos, faixa de idade que vem diminuindo desde os anos 2000. Esta \u00e9 a primeira vez que essa invers\u00e3o ocorre.<\/p>\n<p>Esta semana damos continuidade ao projeto Filhas da M\u00e3e Contam Historias. O relato de hoje foi enviado pela professora da UnB, Natalia Duarte, que faz parte da Cooordena\u00e7\u00e3o do Coletivo. Natalia relata como \u00e9 poss\u00edvel descobrir\u00a0 for\u00e7a e acolhimento em meio ao luto. Mesmo com o pai com Alzheimer.<\/p>\n<p>Natalia Duarte &#8211; &#8220;S\u00e3o muitos os desafios de cuidadora familiar, dentre os mais dif\u00edceis \u00e9 apoiar durante a perda de um familiar. Revivenciei essa experi\u00eancia semana passada, quando meu pai perdeu seu irm\u00e3o mais velho, Cl\u00f3vis Duarte Mesquita, aos 94 anos, ap\u00f3s uma queda.<\/p>\n<p>Cl\u00f3vis foi o esteio de sua fam\u00edlia, adolescente ainda. Mais velho de cinco irm\u00e3os, foi quem reuniu a fam\u00edlia toda para morar em sua casa, na Cidade dos Meninos, no Rio de Janeiro. Foi o her\u00f3i dos seus quatro irm\u00e3os e oito filhos. Suas principais caracter\u00edsticas eram o bom-humor, a amorosidade, a temperan\u00e7a e sua for\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando soubemos do falecimento, meu pai, \u00cdtalo, que tem Alzheimer, disse prontamente: \u2018eu quero ir ao enterro do meu irm\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>O luto na terceira idade pode ser um processo especialmente desafiador. Quando h\u00e1 Alzheimer, os idosos enfrentam n\u00e3o s\u00f3 a perda do ente querido, mas a refer\u00eancia de sua mem\u00f3ria em desconstru\u00e7\u00e3o e algumas quest\u00f5es de sa\u00fade podem aparecer nesse processo. No caso do meu pai, foi uma dor repentina e forte nas costas.<\/p>\n<p>Reconhecer e aceitar as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e a tristeza \u00e9 a mais silenciada das emo\u00e7\u00f5es. \u00a0\u00c9 importante acompanhar a pessoa idosa para que reconhe\u00e7a e aceite suas emo\u00e7\u00f5es, permitindo-se sentir tristeza, raiva ou qualquer outro sentimento.<\/p>\n<p>Buscar companhia e apoio emocional tamb\u00e9m, sendo a presen\u00e7a de familiares e amigos fundamental. Foi assim que \u00cdtalo passou por essa perda. Nos dias que ficamos no Rio de Janeiro, o mais alentador foi observar a troca de mem\u00f3rias e o carinho dos tr\u00eas irm\u00e3os uns com os outros.<\/p>\n<p>Sandra, a mais nova, mesmo com a dor da partida de seu irm\u00e3o querido, teve for\u00e7as para nos receber, organizar encontros e apoiar ao mesmo tempo em que era apoiada. Um dos momentos mais emocionantes foi folhear com meu pai o <em>scrapbook <\/em>que Sandra fez para a m\u00e3e Ermelinda. Um \u00e1lbum lindo, pleno de fotos, recortes, colagens e escritas que guardavam as recorda\u00e7\u00f5es mais preciosas da fam\u00edlia Duarte Mesquita.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os se deleitaram com as lembran\u00e7as que, pouco a pouco, iam ressurgindo. Com ajuda, \u00cdtalo ia reconhecendo os personagens, os locais, os fatos e dava boas gargalhadas. Ia lembrando das hist\u00f3rias que os irm\u00e3o tinham, ainda na adolesc\u00eancia, sob os cuidados de Ermelinda e Cl\u00f3vis.<\/p>\n<p>Relembraram dos bailes que faziam na enorme casa do Tio Cl\u00f3vis; de como a irm\u00e3 Maria L\u00facia tocava seu acordeom nas festas, dos casais que dan\u00e7avam e cantavam nos idos dos anos 1950\/1960, mas depois tinham que ajudar a arrumar a casa. Lembraram que a vida era boa porque estavam juntos, enfrentando as adversidades.<\/p>\n<p>Voltamos para Bras\u00edlia com tristeza, mas fortalecidos na uni\u00e3o dos que ficam. Sigo conversando sobre a perda e compartilhando mem\u00f3rias para trazer conforto ao meu pai. E assegurando que \u00cdtalo se mantenha ativo, participando de atividades f\u00edsicas e sociais, cuidando da sa\u00fade, mantendo a rotina de cuidados respeitando seu tempo de luto&#8221;.<\/p>\n<p>No Coletivo Filhas da M\u00e3e consideramos o acolhimento e o cuidado coletivo fundamentais para seguir em frente em meio aos desafios da vida e da morte.<\/p>\n<p>PS: Este domingo, dia 25, estaremos realizando Caminhada no Eix\u00e3o Norte, com sa\u00edda \u00e0s 8h30, do Marco Zero localizado no Buraco do Tatu, em Bras\u00edlia. Ser\u00e1 um &#8220;Esquenta Caminhada&#8221;, preparando para a Caminhada da Mem\u00f3ria de setembro. Depois do lanche compartilhado, participaremos das atividades de autocuidado do parceiro Instituto Tocar. Venha caminhar com a gente:\u00a0https:\/\/chat.whatsapp.com\/Ge94hzDQgBlCoRkUi5bKYc<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cosette Castro &amp; Natalia Duarte Bras\u00edlia &#8211; Confirmando os dados sobre o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira, esta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE, 2024) informou que o n\u00famero de pessoas com\u00a0 60 anos ou mais,\u00a0 ultrapassou as pessoas que t\u00eam 15 a 24 anos. 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