{"id":2439,"date":"2024-07-01T09:27:19","date_gmt":"2024-07-01T12:27:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=2439"},"modified":"2025-04-28T15:03:09","modified_gmt":"2025-04-28T18:03:09","slug":"e-demencia-ou-nao-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2024\/07\/01\/e-demencia-ou-nao-e\/","title":{"rendered":"\u00c9 Dem\u00eancia ou N\u00e3o \u00c9?"},"content":{"rendered":"<p>Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; O envelhecimento costuma escamotear os primeiros sinais de dem\u00eancia.<\/p>\n<p>O familiar pode estar esquecendo atividades b\u00e1sicas que\u00a0 dominava ou mudando de comportamento. Mas a primeira rea\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9 colocar a responsabilidade na idade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser um preconceito, faz com que os ind\u00edcios sejam colocados de lado porque parte da fam\u00edlia\u00a0se nega a aceitar que h\u00e1 algo errado.<\/p>\n<p>Mesmo com sinais que deveriam acender uma luz de alerta. Entre eles, esquecimentos de situa\u00e7\u00f5es recentes, objetos que s\u00e3o guardados em locais estranhos, mudan\u00e7as repentinas de humor ou comportamento.<\/p>\n<p>H\u00e1 sinais diferentes para cada caso. H\u00e1 pessoas que, depois de desenvolverem algum tipo de dem\u00eancia,\u00a0 ficam mais ansiosas. Outras, mais agitadas e at\u00e9 violentas. Ou ainda podem passar a ficar alheias ao que se passa ao seu redor.<\/p>\n<p>O familiar pode passar o dia perguntando repetidamente sobre os mesmos temas, sem se dar conta que j\u00e1 falou sobre isso. anteriormente.<\/p>\n<p>No caso de familiares independentes, como profissionais que viajavam muito, \u00e9 poss\u00edvel que comecem a arrumar a mala com uma semana de anteced\u00eancia. Mas esque\u00e7am itens b\u00e1sicos, como calcinhas, escova e pasta de dentes.<\/p>\n<p>Pode ser que levem\u00a0 na viagem vestimentas inadequadas ao clima. Ou muitas blusas e nenhuma cal\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem, ainda sem diagn\u00f3stico, se negue a levar o celular em uma viagem para \u201cn\u00e3o ser controlada\u201d. Ou desligue o telefone na viagem, causando preocupa\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0s pessoas que viajam juntas.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem chegue ao aeroporto de madrugada para uma viagem na hora do almo\u00e7o, com receio de perder o voo. E h\u00e1 quem se esque\u00e7a da viagem.\u00a0Esquecimentos podem levar a atos repetitivos como a compra de v\u00e1rias passagens a\u00e9reas sem utilizar.<\/p>\n<p>Ou ir a consultas m\u00e9dicas\u00a0 e\u00a0 repetir os exames sem buscar resultado. Ou fazer\u00a0 ultrassonografias e holters a cada dois meses.<\/p>\n<p>Pacientes com dem\u00eancia em est\u00e1gio inicial muitas vezes desenvolvem estrat\u00e9gias para disfar\u00e7ar suas fragilidades. Isso pode\u00a0 dificultar a percep\u00e7\u00e3o de que algo est\u00e1 errado.<\/p>\n<p>Entre pacientes, o que se tornou dif\u00edcil,\u00a0 passa a ser contornado, considerado chato at\u00e9 ser deixado de lado. Almo\u00e7o, s\u00f3 fora de casa, como aconteceu com a m\u00e3e da Ana Castro e com a minha. Caf\u00e9 da manh\u00e3, tamb\u00e9m (m\u00e3e da Ana).<\/p>\n<p>H\u00e1 quem se perca dirigindo. Esque\u00e7a para onde estava indo ou como voltar.\u00a0 Outros se perdem no trajeto do \u00f4nibus que fizeram a vida toda, principalmente no caso de pessoas idosas que moram por d\u00e9cadas no mesmo bairro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 incomum se perder na rua ou at\u00e9 mesmo dentro de casa,\u00a0 sem reconhecer m\u00f3veis ou objetos que, muitas vezes, elas e eles mesmos compraram.<\/p>\n<p>Por isso, dirigir \u00e9 uma atividade a ser observada. O \u00a0carro \u00e9 uma das primeiras restri\u00e7\u00f5es ap\u00f3s as mudan\u00e7as de comportamento, de linguagem, de mem\u00f3ria\u00a0 ou do diagn\u00f3stico\u00a0 definitivo.<\/p>\n<p>Para a seguran\u00e7a da pessoa com dem\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel alegar que o carro est\u00e1 na oficina. Ou, como medida extrema,\u00a0 informar que foi roubado.<\/p>\n<p>Esconder as chaves deixando o carro \u00e0 mostra \u00e9 uma t\u00e1tica que, em geral, n\u00e3o funciona. E ainda pode causar ansiedade e agita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em est\u00e1gios mais avan\u00e7ados, pacientes com dem\u00eancia querem voltar para casa. Mas a casa que se lembram \u00e9 a casa da inf\u00e2ncia. Um lar que, na maioria dos casos, j\u00e1 n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p>Nas nossas fam\u00edlias j\u00e1 houve e h\u00e1 casos de dem\u00eancias com diferentes tipos de hist\u00f3rias. Entre as mais\u00a0 desafiadoras est\u00e3o os casos de dem\u00eancia precoce, de caracter\u00edstica gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u00c9 doloroso quando os sintomas come\u00e7am a se manifestar\u00a0 por volta dos 40, 50 anos. Na maioria dos casos a fam\u00edlia e at\u00e9 os pr\u00f3prios m\u00e9dicos desconsideram a possibilidade\u00a0 de um diagn\u00f3stico como dem\u00eancia.<\/p>\n<p>No mundo, a cada tr\u00eas segundos, uma pessoa \u00e9 diagnosticada com Alzheimer ou outros tipos de dem\u00eancias. E a tend\u00eancia \u00e9 esse n\u00famero aumentar rapidamente. Ainda mais em pa\u00edses em desenvolvimento como o Brasil, com tanta desigualdade social.<\/p>\n<p>Precisamos de muita informa\u00e7\u00e3o e campanhas nacionais para as fam\u00edlias acreditarem que, sim, pode ser dem\u00eancia. E\u00a0pode ocorrer de forma precoce ou ap\u00f3s os 60 anos.<\/p>\n<p>PS: Esse texto foi publicado no Blog em 2021, sendo assinado por Ana Castro e Cosette Castro. Ele foi atualizado para esta edi\u00e7\u00e3o.<!--\/data\/user\/0\/com.samsung.android.app.notes\/files\/clipdata\/clipdata_bodytext_240701_090301_997.sdocx--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; O envelhecimento costuma escamotear os primeiros sinais de dem\u00eancia. O familiar pode estar esquecendo atividades b\u00e1sicas que\u00a0 dominava ou mudando de comportamento. Mas a primeira rea\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9 colocar a responsabilidade na idade. 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