{"id":2200,"date":"2024-03-08T07:15:18","date_gmt":"2024-03-08T10:15:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=2200"},"modified":"2024-03-08T14:10:59","modified_gmt":"2024-03-08T17:10:59","slug":"08-de-marco-e-a-sociedade-do-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2024\/03\/08\/08-de-marco-e-a-sociedade-do-cuidado\/","title":{"rendered":"08 de Mar\u00e7o e a Sociedade do Cuidado"},"content":{"rendered":"<p>Cosette Castro &amp; Natalia Duarte<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211;\u00a0Hoje \u00e9 08 de mar\u00e7o, Dia Internacional da Mulher. Uma data muito especial.<\/p>\n<p>Enquanto me recupero\u00a0 dos sintomas de Covid-19 e permane\u00e7o em isolamento, compartilho o Blog com Natalia Duarte. Ela \u00e9 professora da UnB e uma das Coordenadoras do Coletivo Filhas da M\u00e3e.<\/p>\n<p>Somos um coletivo feito de mulheres cuidadoras familiares e temos muito a falar sobre cuidados e sobre mulheres. Consideramos mulheres todas as pessoas que assim se identificam. Ou seja, acolhemos todos os corpos e desejos, sem discriminar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O Coletivo Filhas da M\u00e3e apoia cuidadoras familiares de pessoas com dem\u00eancia. Consideramos o direito ao cuidado, a\u00a0 cuidar e ao autocuidado como direitos humanos, independente da idade.<\/p>\n<p>Somos uma rede de apoio que surgiu em dezembro de 2019 para tirar as mulheres cuidadoras da invisibilidade. E para garantir que ningu\u00e9m solta a m\u00e3o de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Estamos aqui para denunciar, acolher e enfrentar\u00a0 a sobrecarga f\u00edsica e emocional que acomete todas as fam\u00edlias de pessoas com dem\u00eancias, em especial as mulheres.<\/p>\n<p>Independentemente de quem cuidam, s\u00e3o elas que cuidam desde crian\u00e7as de irm\u00e3s e irm\u00e3os mais novos para que 55% das mulheres chefes de fam\u00edlia\u00a0 no Brasil possam ir trabalhar. Elas tamb\u00e9m cuidam pessoas mais novas ou mais velhas na adolesc\u00eancia e na juventude quando deveriam ser cuidadas.<\/p>\n<p>Mulheres seguem cuidando na vida adulta. E mesmo ap\u00f3s os 60, 70 e\u00a0 at\u00e9 80 anos.\u00a0 De duas e at\u00e9 tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es. E, \u00e0s vezes, acreditam que a &#8220;vida \u00e9 assim mesmo. Nascemos para cuidar&#8221;. N\u00e3o \u00e9!<\/p>\n<p>Estimulamos a\u00a0corresponsabilidade\u00a0 dos homens na atividade do cuidado familiar, como manda a Constitui\u00e7\u00e3o Federal. E a corresponsabilidade do Estado. Um\u00a0 Estado que\u00a0 historicamente se omitiu no cuidado coletivo e das pessoas mais fragilizadas.<\/p>\n<p>Atuamos em v\u00e1rias frentes, com \u00eanfase no cuidado e no est\u00edmulo ao\u00a0 autocuidado.<\/p>\n<p>Acreditamos que informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito humano. E trabalhamos com mobiliza\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o social e promo\u00e7\u00e3o de atividades culturais, sociais e formativas.<\/p>\n<p>Hoje, vamos celebrar com informa\u00e7\u00f5es o dia e os direitos das mulheres.<\/p>\n<p>Segundo pesquisa da Desigualdades da <a href=\"\/\/www.oxfam.org.br\/forum-economico-de-davos\/desigualdade-s-a\/\">OXFAM (2024)<\/a>, o trabalho\u00a0 invis\u00edvel de cuidado e n\u00e3o pago \u00e0s mulheres subsidiou a economia mundial em pelo menos 10,8 trilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais \u2013 valor superior a soma da riqueza das 10 maiores corpora\u00e7\u00f5es mundiais.<\/p>\n<p>Ou seja, cada vez que uma mulher cuida gratuitamente de algu\u00e9m ou realiza atividades dom\u00e9sticas, a economia e o Estado economizam com o seu trabalho. Deixam de cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o de realizar o cuidado coletivo da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Falar de cuidado \u00e9 falar de vida e de cuidadoras de todas as idades, presas em um trabalho silencioso. Uma atividade sem remunera\u00e7\u00e3o que perpassa todas as gera\u00e7\u00f5es de mulheres.\u00a0\u00c9 falar de viol\u00eancias e das condi\u00e7\u00f5es para o cuidado.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que o mundo dos homens nos ensinou, a ideia de cuidado gratuito como algo inerente ao feminino\u00a0 \u00e9 fruto de muita viol\u00eancia, n\u00e3o de uma escolha pessoal.<\/p>\n<p>Mesmo no ber\u00e7o europeu de nossa sociedade, o cuidado era coletivo e compartilhado entre as pessoas nas diferentes fases da vida.<\/p>\n<p>Torn\u00e1-lo responsabilidade exclusiva da mulher foi obra de muita viol\u00eancia e apagamento durante s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Basta lembrar da ca\u00e7a \u00e0s bruxas que tirou as mulheres das atividades de trabalho remunerado na Idade M\u00e9dia e s\u00e9culos seguintes, para trancafi\u00e1-las dentro de casa. Isso ocorreu nos pa\u00edses europeus e tamb\u00e9m nos pa\u00edses colonizados, como\u00a0 o Brasil.\u00a0 Pr\u00e1ticas genocidas e repletas de viol\u00eancias, como as que ocorrem contra as mulheres negras e ind\u00edgenas, ocorrem at\u00e9 hoje. E violam ainda mais os direitos das mulheres.<\/p>\n<p>O mercado de trabalho para as mulheres repete as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 caracterizado por sal\u00e1rios menores que os homens para o mesmo cargo, por &#8220;brincadeiras&#8221;, ass\u00e9dio e abuso sistem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Como passam a vida respons\u00e1veis pelo cuidado familiar e dom\u00e9stico, muitas mulheres precisam recorrer ao\u00a0 trabalho informal, tempor\u00e1rio e\u00a0 sem direitos sociais. Essa fragilidade alimenta a viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do cuidado familiar,\u00a0 na base dessa pir\u00e2mide do mercado de trabalho,\u00a0 est\u00e3o outras mulheres invis\u00edveis: as cuidadoras profissionais, que at\u00e9 hoje n\u00e3o tiveram a sua profiss\u00e3o reconhecida.<\/p>\n<p>Vivemos em uma Sociedade da Viol\u00eancia que come\u00e7a com as amea\u00e7as em casa e muitas vezes chega ao feminic\u00eddio. Os n\u00fameros mostram que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds perigoso para as mulheres.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 t\u00e3o importante o Dia Internacional da Mulher. \u00c9 mais um passo para construir uma Sociedade do Cuidado inclusiva, respeitando as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 t\u00e3o pedag\u00f3gica a presen\u00e7a de mulheres em espa\u00e7os p\u00fablicos, de gest\u00e3o e lideran\u00e7a. Somos exemplo para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 essencial falar e escrever sobre\u00a0 cuidado. E por isso precisamos apoiar as mulheres que reivindicam direitos, pol\u00edticas p\u00fablicas e mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>As cuidadoras familiares, que trabalham gratuitamente dia ap\u00f3s dia, representam 82% da atividade de cuidado no Brasil. Como j\u00e1 escrevemos antes,\u00a0 h\u00e1 um ex\u00e9rcito de mulheres espalhadas pelo Brasil que constituem m\u00e3o de obra sem remunera\u00e7\u00e3o. Precisamos mudar essa realidade. O 08 de Mar\u00e7o \u00e9 um primeiro passo para a transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em tempos de reconstru\u00e7\u00e3o de direitos sociais, n\u00f3s, do Coletivo Filhas da M\u00e3e, estamos aqui para lembrar da import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de cuidado, da valoriza\u00e7\u00e3o das cuidadoras e de seus direitos.<\/p>\n<p>Mesmo cuidando, seguimos lutando. H\u00e1 muito que sabemos que nenhum direito cai do c\u00e9u.<\/p>\n<div class=\"adn ads\">\n<div class=\"gs\">\n<div class=\"\">\n<div id=\":oc\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":ob\" class=\"a3s aiL \">\n<div class=\"yj6qo\"><\/div>\n<div class=\"adL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"hi\"><\/div>\n<div class=\"WhmR8e\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gA gt acV\">\n<div class=\"gB xu\">\n<div class=\"ip iq\">\n<div id=\":od\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cosette Castro &amp; Natalia Duarte Bras\u00edlia &#8211;\u00a0Hoje \u00e9 08 de mar\u00e7o, Dia Internacional da Mulher. Uma data muito especial. Enquanto me recupero\u00a0 dos sintomas de Covid-19 e permane\u00e7o em isolamento, compartilho o Blog com Natalia Duarte. Ela \u00e9 professora da UnB e uma das Coordenadoras do Coletivo Filhas da M\u00e3e. 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