{"id":1997,"date":"2023-12-11T07:00:37","date_gmt":"2023-12-11T10:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=1997"},"modified":"2023-12-12T04:42:19","modified_gmt":"2023-12-12T07:42:19","slug":"o-brasil-a-velhice-e-o-apagamento-da-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2023\/12\/11\/o-brasil-a-velhice-e-o-apagamento-da-diversidade\/","title":{"rendered":"O Brasil, a Velhice e o Apagamento da Diversidade"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro, Cosette Castro &amp; Convidado<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; O domingo, 10 de dezembro, foi o dia internacional dos direitos humanos.<\/p>\n<p>H\u00e1 75 anos, em 1948, foi criada a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos (<a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/declaracao-universal-dos-direitos-humanos\">leia aqui<\/a>) que ainda \u00e9 desrespeitada em v\u00e1rios pa\u00edses, inclusive no Brasil. Isso ocorre em diferentes \u00e1reas, como no envelhecimento e entre a popula\u00e7\u00e3o LGBT+.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o convidamos Luis Baron, presidente da Associa\u00e7\u00e3o EternamenteSou e autor do livro &#8220;O Brilho das Velhices LGBT+&#8221;. Hoje ele escreve sobre as diferentes velhices e o\u00a0 apagamento da popula\u00e7\u00e3o LGBT+.<\/p>\n<p>Luis Baron \u2013 \u201cEm julho passado, estive como delegado eleito na 17\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade, em Bras\u00edlia, o que trouxe muito orgulho e alegria. Foi uma experi\u00eancia que mudou meu olhar sobre a vida e sobre de quem participou. Havia 6 mil pessoas participando, entre elas 4000 pessoas delegadas.<\/p>\n<p>Circulavam pela Confer\u00eancia muitas representa\u00e7\u00f5es: dos povos origin\u00e1rios do Brasil, representantes das comunidades quilombolas, da comunidade preta, pessoas da \u00e1rea de sa\u00fade, assist\u00eancia social, LGBT+. Enfim, um show de democracia.<\/p>\n<p>Quando a plen\u00e1ria da confer\u00eancia come\u00e7ou, est\u00e1vamos, eu e outras pessoas que trabalham com quest\u00f5es relacionadas \u00e0s velhices e de saberes m\u00faltiplos e reconhecidos, tanto pela academia, quanto pela lida di\u00e1ria com o tema, juntos e acompanhando atentamente.<\/p>\n<p>No decorrer do dia, percebemos que, n\u00e3o s\u00f3 as mesas n\u00e3o apresentavam protagonismo de pessoas idosas, como os temas estavam longe de trazer para discuss\u00e3o as quest\u00f5es das pessoas 60+. Foi uma bofetada na cara e, por pura sorte, conseguimos uma fala de 2 minutos para trazer o tema \u00e0 tona.<\/p>\n<p>O que isso significa? E por que, algu\u00e9m como eu que trabalha com pessoas da comunidade LGBT+ acima dos 50 anos, come\u00e7a este texto com essas informa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Simples, pois isso denota como as velhices s\u00e3o tratadas no Brasil e como muitas vezes sinto que \u201cpregamos para os j\u00e1 convertidos\u201d, como diria meu amigo, o geriatra Dr. Milton Crenitte.<\/p>\n<p>Onde a velhice n\u00e3o \u00e9 um tema central nas discuss\u00f5es, o que significam, o que representam as velhices, em especial \u00e0s velhices LGBT+?<\/p>\n<p>As pessoas que chegaram aos 60 anos ou mais tendem a serem demovidas de suas caracter\u00edsticas individuais e do que as fazem seres \u00fanicos e brilhantes, para serem tratadas como pessoas velhas, assexuadas e improdutivas.<\/p>\n<p>A velhice \u00e9 hegemonicamente heterossexual.<\/p>\n<p>E as pessoas cuja sexualidade \u00e9 divergente do padr\u00e3o \u201cheteronormativo\u201d?<\/p>\n<p>A\u00ed entra nosso trabalho, cuja complexidade est\u00e1 longe de ser entendida at\u00e9 por n\u00f3s que dirigimos a Associa\u00e7\u00e3o EternamenteSou, voltada para o cuidado psicossocial das pessoas LGBT+ com mais de 50 anos. E, no caso de pessoas trans e travestis, com mais de 40 anos.<\/p>\n<p>O que significa ser uma pessoa LGBT+ idosa num pa\u00eds onde a sexualidade das pessoas acima dos 60 anos \u00e9 apagada?<\/p>\n<p>Significa destituir essas pessoas da orienta\u00e7\u00e3o sexual que as norteou por uma vida e da identidade de g\u00eanero que \u00e9 uma conquista existencial. Ao chegarem \u00e0 velhice, muitas delas precisam renunciar a suas individualidades para serem acolhidas, seja por algu\u00e9m da fam\u00edlia \u00a0ou por espa\u00e7os\/equipamentos p\u00fablicos ou privados.<\/p>\n<p>Eu costumo dizer que minha sexualidade me trouxe at\u00e9 aqui. Sou quem sou por ser o que sempre fui, nem mais nem menos!<\/p>\n<p>Sou um homem cis, gay de 63 anos, cuja exist\u00eancia tangencia a dos meus pares nessa vida e de pessoas que a vida foi me presenteando ou me impingindo.<\/p>\n<p>Falar sobre velhices divergentes, sobre as quest\u00f5es LGBT+ \u00e9 falar sobre sexualidade, dentro da sua profundidade e grandeza.\u00a0 Somos um oceano de possibilidades e nossa riqueza reside nisso tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>No Coletivo Filhas da M\u00e3e acolhemos todas as pessoas. Todas as pessoas que defendem\u00a0 a vida e os direitos humanos s\u00e3o bem-vindas.<\/p>\n<p>PS: Convidamos voc\u00ea a comemorar conosco os 04 anos do Coletivo, no s\u00e1bado, 16\/12, com almo\u00e7o compartilhado das 12 \u00e0s 14h. A confraterniza\u00e7\u00e3o vai acontecer no Sal\u00e3o de Festas do Bloco B da SQS 108,\u00a0 Asa Sul, em Bras\u00edlia. No mesmo local, das 14 \u00e0s 16h30,\u00a0 teremos a assembleia de formaliza\u00e7\u00e3o do Coletivo\u00a0 (<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1nqSQsP9ccmnNhdd1wnviIzOVN3RVHkSm\/view?usp=sharing\">Edital aqui)<\/a>.<\/p>\n<p>PS 2: Foi lan\u00e7ado hoje o Observat\u00f3rio Nacional dos Direitos Humanos que oferece dados sobre popula\u00e7\u00f5es fragilizadas, entre elas os grupos 60 anos ou mais e grupos LGBT+ ( <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2023\/dezembro\/observatorio-nacional-dos-direitos-humanos-esta-no-ar-com-indicadores-ineditos-sobre-grupos-vulnerabilizados\">Leia aqui<\/a>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro, Cosette Castro &amp; Convidado Bras\u00edlia &#8211; O domingo, 10 de dezembro, foi o dia internacional dos direitos humanos. 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