{"id":1991,"date":"2023-12-04T07:30:47","date_gmt":"2023-12-04T10:30:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=1991"},"modified":"2023-12-08T08:01:26","modified_gmt":"2023-12-08T11:01:26","slug":"caminhos-que-se-cruzam-e-acolhem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2023\/12\/04\/caminhos-que-se-cruzam-e-acolhem\/","title":{"rendered":"Caminhos que se Cruzam e Acolhem"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Um dos momentos mais gratificantes no Coletivo Filhas da M\u00e3e s\u00e3o os aprendizados, as novas pessoas e grupos que vamos conhecendo nesta caminhada. H\u00e1 quatro anos tudo come\u00e7ou\u00a0com uma pergunta: Quem Cuida de Quem Cuida?<\/p>\n<p>No caminho foram surgindo convites e novos projetos. Novas parcerias em um movimento constante de solidariedade e acolhimento.<\/p>\n<p>Um mundo se abre a cada encontro, \u00e0s vezes bem desafiante. Novas escutas se tornam poss\u00edveis. Novas id\u00e9ias surgem. E elas ocorrem no mundo presencial e no mundo virtual.<\/p>\n<p>Temos a possibilidade de descobrir, por exemplo, que as nossas dores n\u00e3o s\u00e3o \u00fanicas. S\u00e3o similares a de outras experi\u00eancias, independente da idade de quem cuida. S\u00e3o compartilhadas por outros grupos e fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Mas mesmo as dores similares podem ser mais pesadas para mulheres negras que vivem nas periferias ou para pessoas que precisam cuidar de mais de um familiar ao mesmo tempo e onde o or\u00e7amento \u00e9 mais apertado.<\/p>\n<p>Descobrimos que nossas dores n\u00e3o s\u00e3o \u00fanicas ao participar da rede de apoio virtual no grupo de WhatsApp do Coletivo. L\u00e1, cuidadoras familiares compartilham experi\u00eancias diferenciadas, acolhendo e apoiando umas \u00e0s outras. E aprendendo juntas.<\/p>\n<p>Escutamos o medo de algumas mulheres em participar dos projetos gratuitos que oferecemos. E mesmo assim, n\u00e3o desistimos.\u00a0Nesses quatro anos, convidamos as pessoas a \u201cfazer a experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Nunca bordou ou customizou uma camiseta, ou criou uma tiara de carnaval? Nem elaborou um estandarte?<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um bom motivo para participar das oficinas que nossas parceiras carinhosamente preparam.<\/p>\n<p>S\u00e3o espa\u00e7os de encontro com outras pessoas, ajudam a desenvolver novas habilidades e estimulam o sonho coletivo de uma vida com menos peso e responsabilidade. Ao menos por algumas horas.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabe sambar? \u00c9 o momento certo para aprender, para relaxar, para dar risada de si mesma. E para se orgulhar depois dos primeiros passos.<\/p>\n<p>Nunca vestiu uma fantasia? Nem saiu em um bloco de carnaval?<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o momento ideal para fazer a experi\u00eancia e se dar ao direito \u00e0 brincadeira, ao riso, a alegria. E se dar ao direito de ocupar a cidade.<\/p>\n<p>Nunca participou das oficinas de leitura e escrita criativa oferecidas durante o ano? \u00c9 um bom momento para come\u00e7ar.\u00a0\u00c9 a possibilidade de dar um primeiro passo para escrever sobre si mesma e, quem sabe, abrir comportas para contar historias escondidas, guardadas h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Nessa jornada de quatro anos, convidamos as mulheres cuidadoras a contarem suas experi\u00eancias de diferentes maneiras.\u00a0Em 2020, em plena pandemia, pedimos \u2013 e foram enviados \u2013 v\u00eddeos curtos gravados no celular onde Filhas da M\u00e3e Contavam Hist\u00f3rias. Eles est\u00e3o dispon\u00edveis no nosso canal no YouTube (Filhas da M\u00e3e Coletivo).<\/p>\n<p>Em 2021, 2022 e 2023 as cuidadoras familiares foram convidadas a escreverem\u00a0 suas hist\u00f3rias no Blog. A contar quando se deram conta que eram cuidadoras,\u00a0os desafios e medos que enfrentam.<\/p>\n<p>Um dos coment\u00e1rios que mais escutamos \u00e9: \u201ceu n\u00e3o sei escrever\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s acreditamos que contamos hist\u00f3rias todos os dias. Que todas n\u00f3s sabemos escrever. S\u00f3 n\u00e3o sabemos que sabemos. As vezes \u00e9 melhor contar a hist\u00f3ria no gravador do celular como se tivesse falando para uma amiga. E s\u00f3 depois passar pro papel. At\u00e9 tomar corpo e forma. Tom e cor.<\/p>\n<p>\u00c9 lindo ver quando uma mulher se enche de coragem, respira fundo e escreve sem cair nas garras do monstro do perfeccionismo que vive dentro de n\u00f3s, aquele que compara tudo que fazemos com o que outras pessoas fazem (ou escrevem).<\/p>\n<p>\u00c9 gratificante quando vemos a alegria de algu\u00e9m que produziu algo que nunca tinha feito, como uma tiara ou flores de papel\u00a0 com frases sobre cuidado e autocuidado. Quando cria coragem e sai no Bloco de Carnaval do Coletivo Filhas da M\u00e3e. Ou envia um texto para publicarmos.<\/p>\n<p>Sabemos que estamos no caminho certo quando uma pessoa que n\u00e3o pratica exerc\u00edcios,\u00a0 que n\u00e3o caminha, decide caminhar em grupo conosco pela primeira vez.\u00a0 Seja na Caminhada da Mem\u00f3ria, durante o Setembro Roxo, seja nas caminhadas dos domingos pela manh\u00e3 nos parques de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Ou quando algu\u00e9m que nunca plantou uma muda de \u00e1rvore, como aconteceu no ultimo domingo, se v\u00ea agachada ajudando a brotar a vida e colaborar para a sa\u00fade do planeta. E que sorri mesmo com as m\u00e3os sujas de terra.<\/p>\n<p>Cada vez que uma mulher toma coragem e compartilha o cuidado familiar com outra pessoa, que delega responsabilidade e sai de casa para praticar autocuidado e o cuidado coletivo junto a um grupo de pessoas que tamb\u00e9m cuidam, ela est\u00e1 gerando energia para mobilizar outras mulheres. Mesmo que n\u00e3o se d\u00ea conta disso.<\/p>\n<p>Cada vez que uma mulher abre espa\u00e7o para o autocuidado e para buscar uma vida com mais qualidade e dignidade, ela est\u00e1 representando outras mulheres. Aquelas que ainda n\u00e3o conseguem se defender e se cuidar, que s\u00f3 aprenderam a cuidar dos outros.<\/p>\n<p>Toda vez que vemos uma cara nova ou algu\u00e9m\u00a0 que volta a participar de uma atividade do Coletivo, que algu\u00e9m comenta as mat\u00e9rias do Blog ou envia sugest\u00f5es para pautas e projetos, temos a certeza de que estamos no\u00a0caminho\u00a0certo.<\/p>\n<p>PS: No s\u00e1bado, 16\/12, vamos comemorar o anivers\u00e1rio do Coletivo\u00a0 com um almo\u00e7o compartilhado no Espa\u00e7o Longeviver (601 Sul, Ed. Provid\u00eancia, 2o. andar). Depois teremos a assembleia de funda\u00e7\u00e3o do Coletivo. Edital com local retificado aqui.\u00a0\u00a0Esperamos voc\u00ea!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Um dos momentos mais gratificantes no Coletivo Filhas da M\u00e3e s\u00e3o os aprendizados, as novas pessoas e grupos que vamos conhecendo nesta caminhada. H\u00e1 quatro anos tudo come\u00e7ou\u00a0com uma pergunta: Quem Cuida de Quem Cuida? No caminho foram surgindo convites e novos projetos. Novas parcerias em um movimento constante de solidariedade e acolhimento. 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