{"id":1932,"date":"2023-10-27T11:19:28","date_gmt":"2023-10-27T14:19:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=1932"},"modified":"2023-10-27T11:40:15","modified_gmt":"2023-10-27T14:40:15","slug":"estamos-esgotadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2023\/10\/27\/estamos-esgotadas\/","title":{"rendered":"Estamos Esgotadas"},"content":{"rendered":"<p dir=\"auto\">Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p dir=\"auto\">Bras\u00edlia &#8211; Em 2019, estudo do Institute for Heslth Metrics and Evaluation (IHME)\u00a0apontou que 1 bilh\u00e3o de pessoas viviam com algum transtorno mental ou com\u00a0 consequ\u00eancias do uso de subst\u00e2ncias no mundo. Sete em cada 10 pessoas diagnosticadas eram mulheres. Um sinal de alerta para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p dir=\"auto\">No Brasil, a pesquisa mostrou que 49 milh\u00f5es de pessoas viviam com algum tipo de transtorno mental ou com\u00a0 consequ\u00eancias do uso de subst\u00e2ncias. Deste total, 53% s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Levando em conta esses dados, a ONG Think Olga<strong>,<\/strong> foi \u00e0s ruas para compreender como anda a sa\u00fade mental das mulheres ap\u00f3s a pandemia. E os n\u00fameros seguem preocupantes.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Eles podem ser encontrados no Relat\u00f3rio &#8220;Esgotadas&#8221;, lan\u00e7ado pela ONG em outubro. E \u00e9 resultado da pesquisa com 1.078 mulheres, de 18 a 65 anos, em todos os Estados do Brasil. (<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/1hedeNSFhKr-eHmLX141gg0q6I9jSzFijSRSh2In_xDo\/edit?usp=sharing\">Leia aqui<\/a>)<\/p>\n<p dir=\"auto\">A ansiedade \u00e9 o transtorno mais comum no Brasil e faz parte do dia a dia de seis em cada dez mulheres. Entre as participantes, 35% foram diagnosticadas com ansiedade, 17% com depress\u00e3o e 7% com s\u00edndrome do p\u00e2nico, entre outros transtornos.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Diariamente essas mulheres s\u00e3o sobrecarregadas pelas atividades de cuidado sem remunera\u00e7\u00e3o de todos os tipos, dentro e fora de casa. E por diferentes tipos de viol\u00eancia, muitas delas naturalizadas socialmente.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Os sintomas se manifestam na forma de estresse, irritabilidade, fadiga, sonol\u00eancia, ins\u00f4nia, tristeza, perda de interesse e baixa autoestima. Apesar de 45% das mulheres terem sido diagnosticadas, 38% deste percentual n\u00e3o faz acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Outros fatores impactam na sa\u00fade mental das brasileiras. Entre eles est\u00e1 a quest\u00e3o econ\u00f4mica,\u00a0 como a baixa remunera\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o financeira apertada e as d\u00edvidas. Um empobrecimento e endividamento que temos acompanhado\u00a0 de perto entre as cuidadoras familiares participantes do Coletivo Filhas da M\u00e3e, assim como os relatos de ansiedade, depress\u00e3o, fadiga, ins\u00f4nia\u00a0e esgotamento.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Para al\u00e9m da sobrecarga f\u00edsica e mental di\u00e1ria, as mulheres ainda sofrem com a precariza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. Embora o estudo n\u00e3o fale sobre isso, \u00e9 poss\u00edvel incluir o etarismo, que vai afastando as mulheres 50 e 60+ do mercado e, muitas vezes, da vida social. Principalmente quando se tornam cuidadoras familiares de pessoas com dem\u00eancias (ou qualquer outra doen\u00e7a incapacitante e\/ou sem cura) e n\u00e3o t\u00eam com quem repartir o cuidado di\u00e1rio.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Ao pensar sobre sa\u00fade mental \u00e9 preciso ir al\u00e9m da perspectiva biol\u00f3gica, que inclui metabolismo, ciclos reprodutivos, puerp\u00e9rio, horm\u00f4nios. E menopausa para aquelas que j\u00e1 chegaram\u00a0 ou passaram dos 50+. Embora sejam fatores a serem levados em considera\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio incluir, como fez a pesquisa &#8220;Esgotadas&#8221; outras categorias de an\u00e1lise para compreender o contexto em que as mulheres brasileiras vivem.<\/p>\n<p dir=\"auto\">O estudo incluiu a quest\u00e3o de g\u00eanero e o hist\u00f3rico tratamento diferenciado entre homens e mulheres em todos os setores. E a viol\u00eancia, a misoginia (\u00f3dio ao feminino) contra as mulheres que, muitas vezes, culmina no feminic\u00eddo. As diferen\u00e7as de classe e a vulnerabilidade social de milhares de mulheres no pa\u00eds tamb\u00e9m foram analisadas.<\/p>\n<p dir=\"auto\">A pesquisa abordou ainda a quest\u00e3o racial e o hist\u00f3rico privilegio de pessoas brancas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulheres negras, pardas e ind\u00edgenas no pa\u00eds. Regina Facchini, pesquisadora da Unicamp, lembra que &#8221; o sofrimento ps\u00edquico \u00e9 tamb\u00e9m sofrimento social. E psicossocial.&#8221; N\u00e3o d\u00e1 para separar essas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"auto\">No que diz respeito \u00e0s cuidadoras, uma em cada quatro participantes da pesquisa afirmou que est\u00e1 insatisfeita ou extremamente insatisfeita com a sua sa\u00fade mental.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Como j\u00e1 pontaram estudos anteriores, inclusive a pesquisa sobre o Perfil das Pessoas Idosas com Dem\u00eancias e o Perfil de Cuidadores no Distrito Federal\u00a0 (IPE\/DF, 2022),\u00a0 responsabilidade demais adoece. O peso do cuidado di\u00e1rio (familiar ou pago)\u00a0tira o tempo e o direito das mulheres para viver sua pr\u00f3pria vida. Como se n\u00e3o bastasse, quanto mais tempo dedicado ao cuidado maior a sobrecarga f\u00edsica e emocional. E maior empobrecimento e endividamento das mulheres que, sob tais condi\u00e7\u00f5es, entram em sofrimento e adoecimento ps\u00edquico.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Desde a sua cria\u00e7\u00e3o em dezembro de 2019, o Coletivo Filhas da M\u00e3e, que apoia cuidadoras familiares de pessoas com dem\u00eancias, t\u00eam realizado projetos e a\u00e7\u00f5es voltados para o cuidado de quem cuida. Essa foi nossa pergunta original: Quem Cuida de Quem Cuida?<\/p>\n<p dir=\"auto\">\u00c9 quase um mantra no Coletivo: cuidado coletivo e autocuidado para (tentar) reduzir os danos da sobrecarga f\u00edsica e emocional de cuidadoras\u00a0 familiares. Elas adoecem f\u00edsica e mentalmente todos os dias. E, a exemplo da pesquisa, nem todas conseguem buscar ajuda.<\/p>\n<p dir=\"auto\">Para pensar o presente e o futuro, temos propostas para a Pol\u00edtica Nacional de Cuidados a ser desenvolvida pelo governo federal, levando em conta que o Estado \u00e9 co-respons\u00e1vel pelo cuidado da popula\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m para os demais setores sociais, como temos publicado no Blog, desde 2021. Mais informa\u00e7\u00f5es, fale conosco no Instagram @blocofilhasdam\u00e3e, pelo email filhasdam\u00e3ecoletivo@gmail.com ou deixando uma mensagem ao final Blog.<\/p>\n<p dir=\"auto\">\n<p dir=\"auto\">\n<p dir=\"auto\">\n<p dir=\"auto\">\n<p dir=\"auto\">\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div class=\"yj6qo\"><\/div>\n<div class=\"adL\" dir=\"auto\"><\/div>\n<div class=\"adL\" dir=\"auto\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Em 2019, estudo do Institute for Heslth Metrics and Evaluation (IHME)\u00a0apontou que 1 bilh\u00e3o de pessoas viviam com algum transtorno mental ou com\u00a0 consequ\u00eancias do uso de subst\u00e2ncias no mundo. Sete em cada 10 pessoas diagnosticadas eram mulheres. Um sinal de alerta para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). No Brasil, a pesquisa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":126,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[3,2,944,4,939,946,943,133,945],"class_list":["post-1932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cuidado","tag-autocuidado","tag-cuidado","tag-heslth-metrics-and-evaluation-ihme","tag-mulheres","tag-organizacao-mundial-da-saude","tag-regina-facchini","tag-relatorio-esgotadas","tag-saude-mental","tag-think-olga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/users\/126"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1932"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1932\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1935,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1932\/revisions\/1935"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}