{"id":1636,"date":"2023-06-05T09:48:40","date_gmt":"2023-06-05T12:48:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=1636"},"modified":"2023-06-05T10:47:05","modified_gmt":"2023-06-05T13:47:05","slug":"e-violencia-sim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2023\/06\/05\/e-violencia-sim\/","title":{"rendered":"\u00c9 Viol\u00eancia, Sim!"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; No m\u00eas da campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a viol\u00eancia contra a pessoa idosa, queremos contar 10\u00a0 hist\u00f3rias curtas para voc\u00ea.<\/p>\n<p>1. O marido de Maria de Lurdes, de 76 anos,\u00a0 n\u00e3o deixava as filhas nem as amigas a visitarem. Ela vivia isolada. Foi preciso as filhas entrarem com a\u00e7\u00e3o na justi\u00e7a para descobrir o que ocorria dentro da casa.<br \/>\n(Viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica e financeira)<\/p>\n<p>2. Antonio, 72 anos, que tem semidepend\u00eancia e anda &#8220;esquecendo as coisas&#8221;. Circula pela vizinhan\u00e7a com roupas sujas e velhas e cabelos sem cortar. Apesar de morar com a filha que recebe sua pens\u00e3o. (Neglig\u00eancia)<\/p>\n<p>3. Joana, 68 anos,\u00a0 mora a uma quadra do filho, mas fica sem rem\u00e9dios frequentemente. O filho, respons\u00e1vel pelas compras, esquece de ir visit\u00e1-la. N\u00e3o verifica se faltam medicamentos ou se a m\u00e3e toma os rem\u00e9dios corretamente. Joana tem vergonha de repetir\u00a0 todo m\u00eas que precisa das medica\u00e7\u00f5es. (Neglig\u00eancia)<\/p>\n<p>4.\u00a0 Marluce adora a m\u00e3e, professora aposentada, que tem 81 anos e foi morar com ela. Gosta tanto que s\u00f3 fala com a m\u00e3e no diminutivo, a trata como se fosse\u00a0 uma crian\u00e7a. Imagina que ela virou &#8220;sua filha&#8221;.<br \/>\n(Viol\u00eancia psicol\u00f3gica e moral)<\/p>\n<p>5. Concei\u00e7\u00e3o, 73 anos, n\u00e3o consegue contar pra ningu\u00e9m as amea\u00e7as, gritos, tapas e empurr\u00f5es que recebe do filho. Anda todos os dias de casaco para que ningu\u00e9m veja seus bra\u00e7os. Se n\u00e3o morar com ele, como vai sobreviver com a pens\u00e3o de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, aquela que o filho administra?<br \/>\n(Viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica e financeira)<\/p>\n<p>6. Jo\u00e3o, 81 anos, foi atropelado. Bateu com a cabe\u00e7a, quebrou pernas e bra\u00e7os e passou quase um m\u00eas em coma. H\u00e1 mais de dois meses espera que a fam\u00edlia o busque no hospital. (Abandono)<\/p>\n<p>7. Esmeralda, 63 anos, trabalha, cuida de duas filhas, uma delas com defici\u00eancia, e da m\u00e3e com dem\u00eancia. Busca centro dia gratuito para deixar a m\u00e3e enquanto trabalha. Mas eles n\u00e3o existem na sua cidade. (Viol\u00eancia estrutural)<\/p>\n<p>8. Paulo, 79 anos, tem Alzheimer e mora com a filha mais velha. H\u00e1 dois anos a filha luta na justi\u00e7a pela isen\u00e7\u00e3o do Imposto de\u00a0 Renda garantido pela Lei 7.713\/88, no item aliena\u00e7\u00e3o mental. E para receber de volta o IR que o pai declarava, mesmo com diagn\u00f3stico de dem\u00eancia. (Viol\u00eancia estrutural)<\/p>\n<p>9. Simone, 66 anos, cuida da m\u00e3e h\u00e1 12 anos. Nesse tempo, tamb\u00e9m adoeceu. Est\u00e1 na fila de espera de uma vaga gratuita em Institui\u00e7\u00e3o de Longa Perman\u00eancia para Pessoas Idosas ( ILPI) para sua m\u00e3e. Uma fila de mais de 450 pessoas s\u00f3 no Distrito Federal. (Viol\u00eancia estrutural)<\/p>\n<p>10. Antonia, 61 anos, cuida da m\u00e3e que est\u00e1 cega e de uma tia com dem\u00eancia. H\u00e1 03 meses precisa fazer uma cirurgia no p\u00e9 e n\u00e3o tem dinheiro para pagar cuidadora para m\u00e3e e tia.\u00a0 No Brasil n\u00e3o existe servi\u00e7o de cuidado social\/comunit\u00e1rio, de apoio \u00e0 cuidadora familiar. (Viol\u00eancia estrutural)<\/p>\n<p><strong>Sobre a Viol\u00eancia Contra Pessoas Idosas<\/strong><\/p>\n<p>Existem diferentes tipos de viol\u00eancia. Entre elas,\u00a0 o preconceito por idade (idadismo, ageismo ou etarismo),\u00a0 o abandono, a neglig\u00eancia,\u00a0 a viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica moral, sexual e financeira.<\/p>\n<p>Essas viol\u00eancias s\u00e3o cometidas por familiares, por institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela pessoa idosa. E tamb\u00e9m pelo Estado, conhecida como viol\u00eancia estrutural.<\/p>\n<p>Segundo o\u00a0 Estatuto do Idoso, que em 2023 completa 20 anos de exist\u00eancia,\u00a0 \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o do Estado e da sociedade assegurar \u00e0 pessoa idosa dignidade, liberdade e\u00a0 respeito \u00e0 integridade f\u00edsica, ps\u00edquica e moral. E ainda coloc\u00e1-la a salvo da neglig\u00eancia, da discrimina\u00e7\u00e3o, da crueldade ou da opress\u00e3o. Nem sempre o Estatuto \u00e9\u00a0 cumprido.<\/p>\n<p>E voc\u00ea conhece ou j\u00e1 ouviu hist\u00f3rias similares?<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o apenas alguns dos exemplos das viol\u00eancias cotidianas contra pessoas idosas que se repetem, muitas vezes impunemente, em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em caso de viol\u00eancia, disque 100. O atendimento \u00e9 gratuito\u00a0 para todo pa\u00eds e funciona 24h.<\/p>\n<p>No Distrito Federal voc\u00ea pode buscar seguintes servi\u00e7os:<\/p>\n<p>1.DECRIN, uma delegacia especializada no combate \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es.Fone: (61) 3207-5244<br \/>\nEndere\u00e7o: Complexo da PCDF, Bloco D, Ed. Sede do DPE, Bras\u00edlia\/DF<\/p>\n<p>2.Uma das 35 delegacias no DF mais pr\u00f3xima da sua casa<\/p>\n<p>3. Disque-den\u00fancia: 197, op\u00e7\u00e3o 0<br \/>\nWhatsApp: (61) 98626-1197<\/p>\n<p>4. Registro on-line na Delegacia Eletr\u00f4nica: delegaciaeletronica.pcdf.df.gov.br<!--\/data\/user\/0\/com.samsung.android.app.notes\/files\/clipdata\/clipdata_bodytext_230605_094455_730.sdocx--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; No m\u00eas da campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a viol\u00eancia contra a pessoa idosa, queremos contar 10\u00a0 hist\u00f3rias curtas para voc\u00ea. 1. 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