{"id":154,"date":"2021-04-16T07:00:18","date_gmt":"2021-04-16T10:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=154"},"modified":"2021-04-16T00:37:07","modified_gmt":"2021-04-16T03:37:07","slug":"demencias-covid-e-o-medo-de-hospitalizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/04\/16\/demencias-covid-e-o-medo-de-hospitalizar\/","title":{"rendered":"Dem\u00eancias, Covid e o Medo de Hospitalizar"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/strong><\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Em meio a pandemia, um dos maiores medos das cuidadoras familiares \u00e9 que seu\u00a0 parente com Alzheimer pegue Covid-19 e precise ser hospitalizado.<\/p>\n<p>Pessoas com dem\u00eancia ficam mais expostas por conta do contato com cuidadoras. Essas cuidadoras podem ser aquelas sem remunera\u00e7\u00e3o, como as cuidadoras familiares e as cuidadoras informais, formadas por amigas e vizinhas.<\/p>\n<p>Ou cuidadoras profissionais, selecionadas\u00a0 individualmente ou terceirizadas, que chegam\u00a0 atrav\u00e9s de empresas.<br \/>\nH\u00e1 ainda o contato com\u00a0 outras profissionais, como empregadas dom\u00e9sticas e\u00a0 diaristas, que precisam\u00a0 usar transporte p\u00fablico. Ou,\u00a0por exemplo,\u00a0 fisioterapeutas e fonoaudi\u00f3logas,\u00a0 que visitam v\u00e1rios pacientes no mesmo dia.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil hospitalizar uma pessoa com dem\u00eancia em tempos normais. \u00c9 preciso muita paci\u00eancia para\u00a0 enfrentar a falta de conhecimento\u00a0 de m\u00e9dicos, equipes de enfermagem e \u00e1rea t\u00e9cnica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dem\u00eancias.<\/p>\n<p>Em tempos de Covid-19,\u00a0 essa situa\u00e7\u00e3o\u00a0 \u00e9 muito mais perigosa.<\/p>\n<p>A maior parte dos profissionais da sa\u00fade\u00a0 n\u00e3o sabem\u00a0 como lidar com\u00a0 pacientes contaminados. Ainda mais com as novas\u00a0 variantes do v\u00edrus que tamb\u00e9m atingem beb\u00eas, crian\u00e7as, adolescentes e jovens adultos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-157 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/04\/1176335995_4173cfd22c_c-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"539\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/04\/1176335995_4173cfd22c_c-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/04\/1176335995_4173cfd22c_c-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/04\/1176335995_4173cfd22c_c-1-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/04\/1176335995_4173cfd22c_c-1-230x153.jpg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/wp-content\/uploads\/sites\/60\/2021\/04\/1176335995_4173cfd22c_c-1.jpg 799w\" sizes=\"auto, (max-width: 539px) 100vw, 539px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Foto: Werllen Castro<\/p>\n<p>Agora imagine\u00a0 a situa\u00e7\u00e3o\u00a0 de pacientes\u00a0 fragilizados,\u00a0 com necessidades especiais, com problemas cognitivos, com problemas de linguagem e com falta de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Sem conhecimento,\u00a0 profissionais da sa\u00fade insistem em tratar a pessoa enferma como se ela\u00a0 pudesse compreender\u00a0 normalmente um di\u00e1logo. Ou mesmo uma simples frase.<\/p>\n<p>Ficar sozinha em ambiente estranho agrava a agita\u00e7\u00e3o. Imagine o medo de quem est\u00e1\u00a0 no hospital sem entender direito o que\u00a0 est\u00e1 acontecendo. E ainda v\u00ea\u00a0 um monte de gente estranha e sem paciencia na volta.<\/p>\n<p>Imagine o susto para essas\u00a0 pacientes\u00a0 sentirem pessoas\u00a0 desconhecidas tocando seu corpo. Tentando dar banho. M\u00e3os estranhas tentando trocar e colocar\u00a0 fraldas geri\u00e1tricas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de estranhar\u00a0 que\u00a0 pacientes com dem\u00eancias\u00a0 tentem\u00a0 arrancar o\u00a0 soro ou\u00a0 a m\u00e1scara de oxig\u00eanio. Simplesmente n\u00e3o entendem o que est\u00e1 acontecendo. E reagem agressivamente tentando se proteger de forma instintiva: com\u00a0 pontap\u00e9s, socos e at\u00e9 mordidas.<\/p>\n<p>Sentimos falta de um protocolo\u00a0 de interna\u00e7\u00e3o e procedimentos\u00a0 para pessoas com dem\u00eancias que necessitam ser hospitalizadas.\u00a0Um protocolo que tenha validade para situa\u00e7\u00f5es\u00a0 excepcionais, como a pandemia. E ainda\u00a0 protocolos para\u00a0 o ano todo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso\u00a0 forma\u00e7\u00e3o urgente para lidar com esses\u00a0 pacientes. Disciplinas\u00a0 obrigat\u00f3rias\u00a0 espec\u00edficas nas faculdades\u00a0 de todas as \u00e1reas da sa\u00fade para o tratamento de pessoas com dem\u00eancias quando s\u00e3o hospitalizadas.<\/p>\n<p>Dentro dos hospitais, s\u00e3o necess\u00e1rios\u00a0 cursos de reciclagem anuais para os profissionais de todos os setores, inclusive atendentes da recep\u00e7\u00e3o,\u00a0 pessoal da limpeza e t\u00e9cnicos da \u00e1rea de exames.<\/p>\n<p>Pacientes com dem\u00eancias\u00a0 demandam outros cuidados de comunica\u00e7\u00e3o e principalmente respeito, sem que sejam infantilizados. Precisam de outros tipos de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 rotina e delicadeza\u00a0 redobrada para n\u00e3o assustar ainda mais as suas fr\u00e1geis exist\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; Em meio a pandemia, um dos maiores medos das cuidadoras familiares \u00e9 que seu\u00a0 parente com Alzheimer pegue Covid-19 e precise ser hospitalizado. Pessoas com dem\u00eancia ficam mais expostas por conta do contato com cuidadoras. 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