{"id":1512,"date":"2023-03-24T09:38:52","date_gmt":"2023-03-24T12:38:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=1512"},"modified":"2023-03-24T09:38:52","modified_gmt":"2023-03-24T12:38:52","slug":"em-busca-de-uma-sociedade-do-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2023\/03\/24\/em-busca-de-uma-sociedade-do-cuidado\/","title":{"rendered":"Em Busca de uma Sociedade do Cuidado"},"content":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia \u2013 No Brasil, vivemos em\u00a0uma sociedade da viol\u00eancia, onde a desigualdade entre homens e mulheres \u00e9 naturalizada em todos os n\u00edveis. Passar a viver uma sociedade do cuidado, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mas \u00e9 urgente.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s mulheres, a viol\u00eancia tem seu lado mais conhecido na viol\u00eancia dom\u00e9stica cujo \u00e1pice \u00e9 o feminic\u00eddio.<\/p>\n<p>Mas a viol\u00eancia tem v\u00e1rias facetas. Ela se caracteriza tamb\u00e9m pela invisibilidade das mulheres que cuidam, ampliando a sobrecarga f\u00edsica e mental di\u00e1ria dessas pessoas. Isso ocorre porque o cuidado n\u00e3o \u00e9 tratado como uma co-responsabilidade da fam\u00edlia. Muito menos do Estado.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) em 2021, as mulheres representavam 76,2 % do trabalho gratuito de cuidado no mundo. Os pa\u00edses economizam 10 trilh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano ao n\u00e3o remunerar o cuidado feminino, de acordo com o estudo &#8220;<a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/forum-economico-de-davos\/tempo-de-cuidar\/#:~:text=Mulheres%20e%20meninas%20ao%20redor,ind%C3%BAstria%20de%20tecnologia%20do%20mundo\">O Tempo do Cuidado<\/a>&#8220;, da Oxfan (2020).<\/p>\n<p>Levando em considera\u00e7\u00e3o a urg\u00eancia de estimular uma sociedade do cuidado que priorize o direto a cuidar, a ser cuidada e ao autocuidado, assim como a sustentabilidade da vida,\u00a0 recome\u00e7amos as edi\u00e7\u00f5es mensais do programa Terceiras Inten\u00e7\u00f5es. Em 2023 temos nova apresentadora, Juliana Lira, fonoaudi\u00f3loga e professora da UnB e, em mar\u00e7o, contamos com uma convidada especial.<\/p>\n<p>Guacira Oliveira \u00e9 soci\u00f3loga, ex-cuidadora familiar e diretora do Centro Feminista de Estudos e\u00a0Assessoria (<a href=\"https:\/\/www.cfemea.org.br\/index.php\/pt\/\">CFEMEA)<\/a>. Trata-se de uma das mais conhecidas ONGs de g\u00eanero do Brasil que, nos \u00faltimos 10 anos, tem debatido\u00a0 e desenvolvido projetos em todo pa\u00eds sobre cuidado e autocuidado.<\/p>\n<p>O programa de mar\u00e7o foi realizado em vers\u00e3o h\u00edbrida. O formato presencial\u00a0 aconteceu na ter\u00e7a-feira,\u00a0 dia 21, em parceria com a Colabora (507 da Asa Sul), e tamb\u00e9m houve transmiss\u00e3o on line (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/fTSIyRcvsUk?feature=share\">acesse aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Durante uma hora, Guacira Oliveira comentou sobre quest\u00f5es de g\u00eanero e sobre pol\u00edticas p\u00fablicas de cuidado. Falou sobre a dimens\u00e3o do \u00a0cuidado como afeto, como v\u00ednculo indispens\u00e1vel para sustenta\u00e7\u00e3o da vida. E tamb\u00e9m sobre o cuidado visto como um direito. N\u00e3o apenas como responsabilidade que recai, \u00a0majoritariamente, \u00a0sobre as mulheres.<\/p>\n<p>Ao ser pensado como um direito, o cuidado ganha nova dimens\u00e3o.\u00a0 Sai do espa\u00e7o individualizado ou familiar para ser tratado como pol\u00edtica p\u00fablica. Desta maneira, \u00e9 reconhecida a responsabilidade e o dever do Estado em rela\u00e7\u00e3o ao cuidado, desde a perspectiva da economia do cuidado.<\/p>\n<p>Caminhamos para o reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre a quest\u00e3o do cuidado, uma omiss\u00e3o que, historicamente, tem gerado desigualdades signficativas, sociais, econ\u00f4micas, culturais e em termos de sa\u00fade para as mulheres. Um dos primeiros passos do governo federal para criar uma Pol\u00edtica Nacional de\u00a0 Cuidados vai ocorrer dia 30 de mar\u00e7o com a realiza\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Cuidar, Verbo Transitivo, na sede do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA). O evento ter\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/agenda-de-autoridades-eventos\/13623-seminario-cuidar-verbo-transitivo-caminhos-para-a-provisao-de-cuidados-no-brasil\">formato h\u00edbrido<\/a>.<\/p>\n<p>O Coletivo Filhas da M\u00e3e estar\u00e1 presente para contribuir com propostas. Entre elas, 1.\u00a0reconhecer como trabalho o cuidado familiar, 2. regulamentar licen\u00e7as para a pessoa respons\u00e1vel pelo cuidado familiar, 3.\u00a0reconhecer o tempo de trabalho dedicado ao cuidado familiar como tempo para aposentadoria,\u00a04. incentivar a guarda parental compartilhada da pessoa idosa entre homens e mulheres, 5. criar a fun\u00e7\u00e3o de cuidadoras comunit\u00e1rias\/sociais que vivam nos territ\u00f3rios para realizar semalmente visitas \u00e0s pessoas idosas, diminuindo a carga das cuidadoras familiares e 6. Reconhecer a profiss\u00e3o de cuidadora profissional, com devido piso salarial.<\/p>\n<p><strong>Outros Cuidados<\/strong><\/p>\n<p>Na quinta-feira, dia 23, o SESC-DF de Taguatinga Sul inaugurou o projeto SESC+ Ativo. O projeto \u00e9 voltado para a popula\u00e7\u00e3o com 50 anos ou mais com exerc\u00edcios f\u00edsicos e cognitivos para melhorar a sa\u00fade das pessoas em processo de envelhecimento.\u00a0 O SESC+ Ativo inclui circuito de preven\u00e7\u00e3o de quedas, aux\u00edlio no tratamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, contribui para redu\u00e7\u00e3o do processo de dinapenia (perda da for\u00e7a muscular relacionada ao envelhecimento), estimula a mem\u00f3ria, o autocuidado e a socializa\u00e7\u00e3o. O projeto\u00a0 dever\u00e1 ser ampliado para outras unidades do SESC-DF ainda em 2023.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia \u2013 No Brasil, vivemos em\u00a0uma sociedade da viol\u00eancia, onde a desigualdade entre homens e mulheres \u00e9 naturalizada em todos os n\u00edveis. Passar a viver uma sociedade do cuidado, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mas \u00e9 urgente. 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