{"id":130,"date":"2021-04-07T07:00:58","date_gmt":"2021-04-07T10:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=130"},"modified":"2021-04-07T11:45:19","modified_gmt":"2021-04-07T14:45:19","slug":"redes-de-apoio-e-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/04\/07\/redes-de-apoio-e-alzheimer\/","title":{"rendered":"Redes de Apoio e Alzheimer"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/strong><\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u2013 A primeira vez que escutamos falar de Alzheimer e outras dem\u00eancias, em geral, \u00e9 por meio de familiares de amigas e de vizinhas. Mas o Alzheimer pode bater na porta da nossa fam\u00edlia. Atrav\u00e9s do diagn\u00f3stico de um parente distante, de nossos pais ou av\u00f3s.<\/p>\n<p>Depois que entra na fam\u00edlia, a vida geralmente vira um caos, particularmente se voc\u00ea \u00e9 a pessoa que se tornou cuidadora familiar. Ocorre o mesmo\u00a0 quando n\u00e3o h\u00e1 outros irm\u00e3os, como as\u00a0 filhas \u00fanicas. Ou de\u00a0 pessoas sem filhos, quando outra familiar, uma amiga ou vizinha\u00a0 assumem o cuidado. Ningu\u00e9m\u00a0 est\u00e1 preparada.<\/p>\n<p>Cuidar de pessoas com dem\u00eancia \u00e9 um pouco como cuidar de crian\u00e7as. Elas n\u00e3o v\u00eam com manual de instru\u00e7\u00f5es. Apesar das dicas, cursos para cuidadoras e grupos de apoio, cada caso \u00e9 \u00fanico. Cada paciente tem uma hist\u00f3ria pessoal e um corpo diferenciado que precisa ser respeitado e levado em considera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o d\u00e1 pra garantir que o que funciona para Maria vai funcionar para Jo\u00e3o e vice-e-versa. Vamos aprendendo na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Talvez esse seja um dos\u00a0 maiores medos das cuidadoras. N\u00e3o conseguir acertar; n\u00e3o conseguir cuidar &#8220;direito&#8221;, como se tiv\u00e9ssemos o superpoder de controlar tudo, at\u00e9 mesmo uma doen\u00e7a sem cura, como uma dem\u00eancia. No dia-a-dia, descobrimos que n\u00e3o temos esse poder.<\/p>\n<p>Pela sobrecarga cotidiana f\u00edsica e mental, as cuidadoras acabam\u00a0 por desenvolver doen\u00e7as durante e tamb\u00e9m ap\u00f3s a morte do familiar enfermo. Ao n\u00e3o praticar o cuidado e autocuidado de si,\u00a0 podem ter rela\u00e7\u00f5es afetivas destru\u00eddas no decorrer da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Algumas mulheres passam a ter\u00a0 problemas com filhos que, em alguns casos,\u00a0 deixam de ser prioridade em meio \u00e0 doen\u00e7a pela\u00a0 demanda do cuidado. Outras perdem ou saem dos empregos para realizar o cuidado familiar, tendo redu\u00e7\u00e3o brusca no padr\u00e3o de vida. E, em meio a tudo isso, podem manifestar irritabilidade, depress\u00e3o, sobrepeso, apresentar quadro de exaust\u00e3o ou diagn\u00f3stico de \u00a0c\u00e2ncer, por exemplo.<\/p>\n<p>Antes que isso ocorra, \u00a0podemos procurar ajuda. Entre as ajudas coletivas est\u00e3o os\u00a0 grupos de apoio, virtuais em tempos de pandemia. Com a ajuda de amigas, fizemos um levantamento r\u00e1pido\u00a0 de redes de apoio existentes no Facebook, Instagram e Twitter\u00a0 no Brasil e em Portugal.\u00a0 Algumas redes de apoio\u00a0 j\u00e1 foram citadas em <a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/03\/19\/alzheimer-nao-e-possivel\/\">texto anterior<\/a> e n\u00e3o vamos repetir.<\/p>\n<p>No Facebook e atrav\u00e9s de site, Miriam Morata \u00a0coordena duas p\u00e1ginas, uma delas \u00e9 \u00a0a p\u00e1gina <em>Alzheimer, Di\u00e1rio do Esquecimento <\/em>e a outra, <em>Cuida de Mim<\/em>. Outras redes de apoio s\u00e3o as <em>Cuidadoras (es) da Sabedoria do Alzheimer<\/em> e o grupo <em>Alzheimer, o luto em vida<\/em>.<\/p>\n<p>Francisquinha Alves, do grupo <em>Desconstruindo o \u201cmal\u201d do Alzheimer<\/em>, tenta mostrar outro lado\u00a0 dessa dem\u00eancia. Outra p\u00e1gina do Facebook \u00e9 <em>Alzheimer: amor e ren\u00fancia<\/em>, criada para servir de exemplo para outras cuidadoras. H\u00e1 ainda \u00a0a rede de apoio <em>Alzheimer e outras dem\u00eancias e\u00a0 <\/em>a p\u00e1gina <em>Alzheimer, a dor de quem n\u00e3o esquece.<\/em><\/p>\n<p>No Facebook proliferam p\u00e1ginas sobre Alzheimer e dem\u00eancias. Entre elas a <em>Alzheimer Not\u00edcias<\/em>, voltada para cuidadores e envelhecimento. No Rio Grande do Norte, h\u00e1 o \u00a0grupo <em>Portadores de Alzheimer e Cuidadores<\/em>, e no Paran\u00e1, <em>Alzheimer, suporte aos Cuidadores Familiares<\/em>. Ali\u00e1s, esta p\u00e1gina, \u00a0ao lado do <em>Coletivo Filhas da M\u00e3e<\/em>, \u00a0\u00e9\u00a0 a \u00fanica voltada para o apoio\u00a0 de cuidadoras familiares.<\/p>\n<p>No Instagram, foram encontradas 42 p\u00e1ginas sobre Alzheimer\u00a0 em Portugu\u00eas.\u00a0 Entre elas a @alzheimeranas, que no Facebook tem 168 mil seguidores. No Instagram, h\u00e1 \u00a0outras 23 p\u00e1ginas \u00a0sobre dem\u00eancias em Portugu\u00eas.\u00a0 Total, 65 p\u00e1ginas. Ufa!<\/p>\n<p>No Twitter tamb\u00e9m \u00a0\u00e9 poss\u00edvel encontrar grupos de apoio, entre eles os <em>Cuidadores de Alzheimer<\/em> (@alzcuidadores) e <em>Alzheimer Portugual<\/em> (@alzheimerpt). A <em>Alzheimer Portugal<\/em> tamb\u00e9m est\u00e1 presente no Facebook com 89 mil seguidores.<\/p>\n<p>Consideramos \u00a0o cuidado e o autocuidado como um direito humano. Todas as pessoas t\u00eam direito ao cuidado, a serem cuidadas e a se cuidarem. Eles \u00a0s\u00e3o \u00a0necess\u00e1rios para \u00a0a sa\u00fade mental e para exercitar a paci\u00eancia das cuidadoras familiares, um dos \u00a0desafios no conv\u00edvio com as dem\u00eancias.<\/p>\n<p>As redes de apoio contribuem para a troca de informa\u00e7\u00f5es, para o aprendizado conjunto e para compartilhar a\u00a0\u00a0 experi\u00eancia pessoal. Tamb\u00e9m ajudam a reduzir a sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o que permeia o mundo das cuidadoras, mostrando que as dem\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o um castigo ou uma quest\u00e3o pessoal, mas uma realidade coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Em tempo: Hoje \u00e9 o dia mundial da sa\u00fade. Viva o SUS!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia \u2013 A primeira vez que escutamos falar de Alzheimer e outras dem\u00eancias, em geral, \u00e9 por meio de familiares de amigas e de vizinhas. Mas o Alzheimer pode bater na porta da nossa fam\u00edlia. 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