O Pix e o Cuidado Coletivo

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Cosette Castro

Brasília – Em tempos de notícias falsas, uma das mais vexatórias é o ataque descarado ao PIX. Logo ele, tecnologia totalmente nacional.

Trata-se de um sistema de pagamento instantâneo criado no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff.

É uma tecnologia que beneficia quem compra e também quem vende, pois recebe o dinheiro na hora e isso significa mais dinheiro circulando no mercado nacional. Ele foi criado por técnicos do Banco Central, teve a primeira experiência pública exitosa em 2016 e foi implementado no país em 2020.

O PIX permite que a pessoa envie e receba dinheiro em poucos segundos, a qualquer hora do dia ou da noite, inclusive em fins de semana e feriados. E o mais importante: diferente dos cartões de crédito/débito não cobra nenhum centavo das pessoas físicas ao ser usado.

Com o PIX, circula na economia nacional 2,5 trilhões de reais a cada mês, segundo o Banco Central. Os dados sobre o PIX são impressionantes e merecem ser divulgados.

Ele conta com mais de 177 milhões de usuários, de acordo com o Banco Central (2026). Inclusive eu.

Desse total, 170 milhões são pessoas físicas, o que representa aproximadamente 80% da população brasileira. Cerca de 15,5 milhões são pessoas jurídicas/empresas. Em dezembro do ano passado, por exemplo, as transações com PIX alcançaram 303,3 milhões em apenas um dia (05/12).

Desde o ponto de vista do cuidado coletivo, o Pix beneficia quem compra e quem vende, sem onerar a população. Bem diferente dos modelos anteriores de cartões de crédito nos bancos e fintechs (empresas de tecnologia financeira totalmente online) que cobram juros mensais e anuais, muitas vezes exorbitantes.

Esses cartões não são nacionais. São empresas com origem nos Estados Unidos, como é o caso das bandeiras Visa, Mastercard e American Express, cujo lucro não fica no Brasil nem beneficia a população.

Quais as vantagens do PIX para a população brasileira?

1.Ausência de Tarifas de Manutenção – o PIX é gratuito para pessoas físicas para transferências e pagamentos. Por outro lado, cartões de bandeira internacional cobram anuidades elevadas, chegando a valores como R$ 460,00 especialmente as variantes Black ou Infinite.

2.Descontos Imediatos – Devido às taxas menores para os lojistas (que não precisam pagar as taxas das bandeiras de cartão de crédito internacionais), os preços são mais baixos para pagamentos à vista via PIX.

3.Liquidez para quem Vende – No PIX, o recebedor/empresa conta com o dinheiro na hora, o que facilita a negociação de preços em pequenos negócios onde o cartão de crédito demora, em média, 07 dias para compensar.

Por que então atacar o PIX, inundando a população de notícias falsas, como as de que o Pix seria descontado no Imposto de Renda prejudicando trabalhadores informais? Ou que o governo federal iria cobrar 27,5% nos envios a partir de 5 mil reais?

Por que colocar medo na população exatamente quando o Banco Central anuncia que vai ser possível, ainda em 2026, realizar compras parceladas no PIX de forma mais barata, transparente, com regras claras para todos os bancos, sem os juros cobrados por cartões de crédito com bandeira internacional?

O PIX incomoda.

Incomoda empresas internacionais acostumadas a lucrar com as compras feitas por brasileiros e brasileiras dentro do nosso próprio país. Ou incomoda instituições parceiras (dentro do Brasil) dos cartões de crédito internacionais que podem perder parte da sua parcela de lucro.

Em fevereiro de 2026, por exemplo, a taxa média de juros do crédito rotativo no Brasil, atingiu 435,9% ao ano. Já taxa mensal de juros varia conforme a instituição financeira, oscilando entre 12% e 15% ao mês. Incomoda também candidatos que são patrocinados por essas empresas internacionais.

O PIX veio para garantir cuidado coletivo desde o ponto de vista econômico para quem compra e para quem vende. Isto é,

1.que o dinheiro brasileiro que circula dentro do Brasil fique no Brasil

2.que não sejam cobrados juros exorbitantes que prejudicam o orçamento das famílias brasileiras

3.que as transações sejam transparentes, independente do tamanho da pessoa jurídica/ empresa ou do poder econômico da pessoa física.

Cuidado não diz respeito apenas a prevenção e tratamento da saúde. Inclui também equilíbrio e cuidado econômico para garantir relações mais respeitosas das instituições financeiras com a população. Inclui baixar os juros e utilizar produtos brasileiros, como é o caso do Pix, que é nosso e faz um sucesso estrondoso. Um modelo inclusive a ser copiado por outras nações.

PS: Quando alguém vier falar mal do Pix, desconfie e confirme a informação antes de passar notícia falsa adiante. O site boato.org é um bom local de verificação.

Cosette Castro

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