Pessoa Idosa Não é Peso

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Cosette Castro

Brasília – No mês da pessoa idosa, há muitas atividades online e presenciais que tratam sobre envelhecimento, sobre saúde, cuidados, demências, medo e preconceito. Todas são bem vindas.

Na edição de hoje a atenção será dada ao medo e ao preconceito por idade. De acordo com Vicente Faleiros, professor emérito da UnB, em entrevista ao programa Terceiras Intenções, existem vários medos relacionados à idade. Entre eles, o medo da pessoa ficar feia pelas rugas, pelas marcas da idade, por perda de cabelo e pela flacidez.

Segundo o pesquisador, há o medo da perda cognitiva e também o medo de se tornar uma pessoa dependente, de perder a funcionalidade.

O medo do preconceito por idade, também conhecido como idadismo, etarismo, velhofobia ou ageismo, é real e acontece diariamente em todos os setores da vida social. Em casa, no clube ou no trabalho. Há ainda o medo da violência, medo da exclusão, da negligência e do abandono.

Para se contrapor aos medos e preconceitos, o Coletivo Filhas da Mãe desenvolve projetos intergeracionais que estimulam o encontro entre diferentes gerações e também estimulam a saúde física e mental de quem cuida. Um deles é a Oficina de Escrita Criativa, que acontece duas vezes ao ano desde 2023, é gratuita e é aberta à comunidade.

Na próxima quarta e quinta-feira, dias 15 e 16, será realizada a segunda Oficina de Escrita Criativa de 2025, em parceria com a Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB), localizada na quadra 506 da Asa Sul. A Oficina Criativa tem encontro de duas horas e recebe pessoas com desejo de escrever e pessoas com experiência em escrita criativa.

A professora Natalia de Souza Duarte, uma das Co-Coordenadoras do Coletivo Filhas da Mãe, vai coordenar a Oficina Criativa

O Coletivo Filhas da Mãe também incentiva o encontro entre diferentes gerações através de caminhadas semanais realizadas nos domingos pela manhã. Os encontros acontecem nos Parques do Distrito Federal e através de Trilhas Urbanas, como as que ocorrem desde 2023 na Asa Sul e na Asa Norte sobre a obra de Athos Bulcão.

Pessoa Idosa Não É Peso

Voltando ao tema dos preconceitos, Faleiros lembra que no Brasil existe a ideia de que a pessoa idosa é um peso. Isso é uma contradição, ainda mais em um país onde 75% das pessoas 60+ seguem sustentando as famílias com a aposentadoria, incluindo filhos e netos.

A ideia de que a pessoa que envelhece é um peso faz com que muitas famílias excluam das suas atividades e rotinas as pessoas 60+, ainda que não se deem conta disso. Excluem dos almoços, das festas e das viagens. Em algumas situações, as pessoas idosas ficam cuidando dos netos, sem participar das comemorações e da vida familiar.

Há muitas formas de desumanizar e excluir pessoas idosas. Uma delas é trata-las como se fossem crianças, no diminutivo chamando de “queridinha, papaizinho,  benzinho”. Ou se referindo a objetos no diminutivo: “pegue o copinho, vista a roupinha ou o sapatinho”.

Pessoas 60+ não são crianças. São adultos em processo de envelhecimento que, apesar dos desafios, merecem respeito. Tratar uma pessoa idosa como criança não é carinho. É contribuir para o apagamento da trajetória que cada pessoa 60+ construiu. Além de desconstruir a história pessoal, também nega um futuro para quem já passou dos 60.

Nós, do Coletivo Filhas da Mãe, nos posicionamos diariamente contra todos os tipos de preconceito.

PS: No domingo, dia 19, acontecerá mais uma edição da Trilha Urbana “Caminhos de Athos Bulcão na Asa Sul”, com um roteiro cultural diferenciado sob a condução do jornalista Vitor Borisow. O evento, realizado em parceria com o Grupo Caminhadas de Brasília (GCB), é gratuito e tem encontro às 8h30 na frente do SESI Lab (parte de baixo).

Cosette Castro

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