Quando a Violência Bate à Porta

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Ana Castro & Cosette Castro

Brasília – Desde sexta-feira o país está entristecido. Nas ruas, os comentários sobre futebol e a Copa se misturaram com sangue, morte e violência contra professoras, crianças e adolescentes praticados em Aratuba, no Espírito Santo.

Vivemos em um país onde o uso de armas foi estimulado nos últimos quatro anos. Segundo o Anuário de Segurança Pública, há mais armas no arsenal dos brasileiros do que em instituições do Estado.

Em 2018, havia no Brasil 117,4 mil registros ativos para caçadores, atiradores e colecionadores (CACs). Em junho de 2022, esse número chegou a 673,8 mil registros. Um aumento de 473%.

O Anuário aponta que o Brasil tem 2,8 milhões de armas de fogo particulares regularizadas. Houve um aumento de 39% em relação a 2020, quando o país registrava pouco mais de 2 milhões de armamentos particulares.

No total, há 4,4 milhões de armas de fogo em estoques particulares no país. Ou seja, a cada 3 armas de fogo registradas, 1 está em situação irregular.

Enquanto isso, em órgão públicos, como as polícias civis e militares, há 384 mil armas. Isso significa que existem mais armas ( regulares ou irregulares) nas casas das pessoas do que em instituições do Estado.

Apologia à Violência e Assassinatos

Os números em si levantados pelo Anuário não explicam o que ocorreu no Espírito Santo na sexta-feira, dia 25. Mas ajudam a ter uma ideia das consequências do estímulo ao uso de armas e da apologia à violência: a vida do outro deixa de ter valor.

Um adolescente entrou armado (usando armas do pai) em 2 escolas da cidade de Aratuba com a ideia premeditada de matar professores, crianças e adolescentes.

Em casa, livros sobre Hitler. Na roupa de camuflagem, usada para não ser identificado, estava a suástica nazista. Vale lembrar que no Brasil a apologia ao nazismo é crime.

Foram 12 tentativas de homicídio qualificado e 4 homicídios qualificados, todos com impossibilidade de defesa das vítimas. Outras 5 pessoas de diferentes idades se encontram hospitalizadas em estado grave.

A escalada da violência no Brasil caminha lado a lado com o aumento do número de armas. Com a ampliação do número de clubes de tiros urbanos e rurais. Formam um circuito estimulado – pela omissão ou participação – tanto por famílias quanto por grupos de extrema direita, interessados na multiplicação de fake news nas redes sociais digitais.

As fake news incentivam a intolerância contra pessoas e instituições, como professores e escolas. E propõem, em casos radicais, a resolução de conflitos e diferenças pela violência.

Sobre a Vida e o Futuro

Nós, do Coletivo Filhas da Mãe, somos contra a violência, independente da forma com que se manifeste.

Não é por acaso que insistimos no desenvolvimento de campanhas nacionais que incentivem a Cultura do Cuidado para todas as idades e a Educação para os Sentimentos.

Este é um grande desafio para a equipe de transição do novo governo.  A Cultura do Cuidado perpassa todos os Ministérios neste trabalho de reconstrução nacional de forma pacífica que inclua as diferentes necessidades do país.

Quando identificamos sentimentos como medo, tristeza ou raiva se torna mais claro aprender a lidar com eles. Reduz também o risco de culpar os outros por nossos próprios fantasmas e dificuldades.

Cosette Castro

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