{"id":7836,"date":"2017-03-09T07:50:22","date_gmt":"2017-03-09T10:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=7836"},"modified":"2017-03-09T07:50:22","modified_gmt":"2017-03-09T10:50:22","slug":"celina-foi-infeliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/celina-foi-infeliz\/","title":{"rendered":"Eric Seba: &#8220;Celina foi infeliz e leviana&#8221;"},"content":{"rendered":"<hr \/>\n<p>ANA DUBEUX<\/p>\n<p>ANA MARIA CAMPOS<\/p>\n<p>O diretor-geral da Pol\u00edcia Civil, Eric Seba, disse que a deputada Celina Le\u00e3o (PPS) quis fazer inger\u00eancias pol\u00edticas na escolha de chefias de delegacias. Ele contou que a ex-presidente da C\u00e2mara Legislativa tentou, sem sucesso, emplacar dois delegados, Flamarion Vidal e Rodrigo Larizatti, na chefia da 5\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia. A \u00e1rea central de Bras\u00edlia recebe informa\u00e7\u00f5es e ocorr\u00eancia de todos os \u00f3rg\u00e3os do poder na capital: Minist\u00e9rio P\u00fablico, Tribunal de Justi\u00e7a, C\u00e2mara Legislativa e Esplanada dos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que disse Celina, em entrevista ao Correio, publicada ontem, a afirma\u00e7\u00e3o de Seba revela que h\u00e1 um v\u00ednculo pol\u00edtico entre a deputada, denunciada na Opera\u00e7\u00e3o Dr\u00e1con, e Flamarion. O delegado que chefia a 4\u00aa DP (Guar\u00e1) \u00e9 citado como aliado nas grava\u00e7\u00f5es realizadas pela escuta ambiental no gabinete da deputada. Mas Celina nega essa proximidade.<\/p>\n<p>Seba disse que nunca autorizou a participa\u00e7\u00e3o de agentes de pol\u00edcia no depoimento que Celina Le\u00e3o colheu do hacker que clonou o telefone do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Ele ressaltoi que tomou conhecimento da oitiva, por mensagem de WhatsApp, depois que o agente Marcello de Oliveira Lopes j\u00e1 havia estado no gabinete da distrital. A conversa com Marcello, ocorrida em agosto de 2016, ainda est\u00e1 registrada no celular de Seba. Ele pretende entregar o conte\u00fado desse di\u00e1logo \u00e0 Corregedoria da Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Correio, Seba considera que Celina foi \u201cinfeliz e leviana\u201d ao dizer que pediu ajuda a Flamarion porque poucos policiais civis teriam coragem para investigar Rollemberg. Ele sai ainda em defesa do governador, que, segundo Celina, age no submundo para derrub\u00e1-la. \u201cMontar dossi\u00eas, fazer espionagem ou atuar no submundo n\u00e3o s\u00e3o pr\u00e1ticas do governador Rodrigo Rollemberg\u201d, afirmou Seba.<\/p>\n<p><strong>O fato de dois agentes da Pol\u00edcia Civil acompanharem uma investiga\u00e7\u00e3o informal de uma deputada \u00e9 um procedimento adequado?<\/strong><br \/>\nO acompanhamento por parte da pol\u00edcia de uma situa\u00e7\u00e3o que possa caracterizar um crime \u00e9 normal. O que pode n\u00e3o ser normal \u00e9 como esse caminho \u00e9 seguido. \u00c9 preciso entender que temos delegacias respons\u00e1veis por \u00e1reas e que existe a quest\u00e3o da compet\u00eancia pela especialidade. Dentro da pr\u00f3pria C\u00e2mara, existe a Copol (Coordenadoria de Pol\u00edcia Legislativa), chefiada por um delegado de pol\u00edcia, que est\u00e1 ali para zelar pela seguran\u00e7a e para a fazer a interface, principalmente com a Pol\u00edcia Civil. Ent\u00e3o, n\u00e3o vejo l\u00f3gica nesse caminho seguido, da forma como aconteceu.<\/p>\n<p><strong>Houve irregularidade?<\/strong><br \/>\nSe houve alguma irregularidade no \u00e2mbito civil, administrativo ou criminal, a Corregedoria vai apurar. E, se \u00e9 suscitada uma conduta errada do diretor da Pol\u00edcia, no caso, um comportamento meu, que ele seja apurado tamb\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 pela Corregedoria, mas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<br \/>\n<strong>A deputada Celina Le\u00e3o colheu o depoimento de um hacker que clonou o telefone do governador Rollemberg com o apoio de dois policiais civis. Um deles, Marcello de Oliveira Lopes, teria lhe comunicado essa situa\u00e7\u00e3o. Isso aconteceu?<\/strong><br \/>\nConhe\u00e7o o Marcello e conhe\u00e7o a deputada. Sei que os dois t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o de amizade e congregam o mesmo ambiente religioso, frequentam a mesma igreja. Sei que existe a proximidade. Marcello teve algumas conversas comigo falando sobre essa suposta procura desse estelionat\u00e1rio chamado Jefferson. Quando ele relatou isso pra mim, ela j\u00e1 teria recebido o Jefferson. J\u00e1 tinha acontecido. Isso est\u00e1 registrado nas mensagens no meu celular. Inclusive, vou fazer a entrega para a Corregedoria e para o Instituto de Criminal\u00edstica, para que isso fique muito claro. Quando ele manda a mensagem pra mim j\u00e1 foi no tempo passado.<\/p>\n<p><strong>Marcello cita o outro agente tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, em momento nenhum, ele fala do Welber (Lins de Albuquerque). Diz que estava com Celina, de quem era amigo e que estava acompanhando o caso.<\/p>\n<p><strong>Nas grava\u00e7\u00f5es da Dr\u00e1con, uma pessoa entra no gabinete de Celina dizendo que tinha acertado tudo com Flamarion Vidal, que \u00e9 o delegado-chefe da 4\u00aa DP. Ele estaria 100% fechado com Celina e que mandaria outra pessoa para ajudar. Esse procedimento, na sua avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 suspeito?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o queria usar o termo suspeito, mas n\u00e3o \u00e9 o normal, habitual. Se ela suspeitava que poderia ser v\u00edtima de extors\u00e3o, poderia procurar outro caminho. N\u00f3s temos uma unidade que \u00e9 especializada na apura\u00e7\u00e3o de extors\u00e3o, que \u00e9 a Divis\u00e3o de Repress\u00e3o a Sequestro. \u00c9 mat\u00e9ria espec\u00edfica dela, tem expertise e equipe para aquilo. O trabalho da pol\u00edcia poderia ter sido feito de uma forma t\u00e9cnica. Ent\u00e3o, o delegado que recebeu a informa\u00e7\u00e3o, independentemente de quem fosse, deveria ter dado encaminhamento via diretor de departamento ou via dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. Essa \u00e9 uma forma de agir de quem respeita a hierarquia.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 do m\u00e9tier de um deputado colher um depoimento de uma pessoa que vai fazer uma acusa\u00e7\u00e3o contra um advers\u00e1rio&#8230; Ou contra qualquer pessoa?<\/strong><br \/>\nPara ser sincero, n\u00e3o acho anormal. Se uma pessoa procura um parlamentar dizendo que tem uma den\u00fancia a fazer, h\u00e1 uma tend\u00eancia natural da pessoa ouvir, at\u00e9 para saber se \u00e9 verdade, e a\u00ed ela pode se acautelar de outras situa\u00e7\u00f5es, que \u00e9 chamar estruturas de seguran\u00e7a org\u00e2nica e institucional.<\/p>\n<p><strong>Mas ali se percebe que era um movimento ap\u00f3s uma opera\u00e7\u00e3o bomb\u00e1stica na cidade. Num ambiente como esse, a deputada come\u00e7ar a investigar o governador, n\u00e3o fica parecendo que \u00e9 uma retalia\u00e7\u00e3o ou uma cortina de fuma\u00e7a para diluir as suspeitas? Fica mais evidente que era um procedimento para a constru\u00e7\u00e3o de um dossi\u00ea?<\/strong><br \/>\nVamos l\u00e1: em rela\u00e7\u00e3o a pergunta de voc\u00eas, eu mudaria a palavra dossi\u00ea, que \u00e9 uma palavra que tenho alergia a ela \u2014 dossi\u00ea \u00e9 normalmente feito para destruir a pessoa, para cometer injusti\u00e7as, \u00e9 repulsiva&#8230; Do ponto de vista gen\u00e9rico, n\u00e3o vejo como totalmente anormal um deputado ouvir uma den\u00fancia, o que teria que ser visto \u00e9 se foi feito de forma republicana. No caso espec\u00edfico de uma deputada, que estava sob investiga\u00e7\u00e3o, a\u00ed j\u00e1 passa a ser question\u00e1vel. Por mais que ela precise atender e ouvir as pessoas, ela poderia ter se cercado da pr\u00f3pria seguran\u00e7a da C\u00e2mara. Ou mais: se quisesse demonstrar transpar\u00eancia e seriedade, comunicasse ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e que levasse a pessoa l\u00e1. E por que encaminhar \u00e0 Pol\u00edcia Federal? N\u00e3o vejo como da al\u00e7ada da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p><strong>Celina diz que o governador est\u00e1 por tr\u00e1s de toda a trama da Opera\u00e7\u00e3o Dr\u00e1con\u2026<\/strong><br \/>\nEla deve ter alguma fonte de informa\u00e7\u00e3o muito forte ou mergulhou muito no submundo. Na verdade, as pessoas julgam as outras pelo que elas fazem e pelo que elas s\u00e3o. A verdade \u00e9 essa.<\/p>\n<p><strong>Essa n\u00e3o \u00e9 a pr\u00e1tica de Rollemberg?<\/strong><br \/>\nMuito pelo contr\u00e1rio. Todas as vezes que tivemos algum tipo de a\u00e7\u00e3o que pudesse ter algum tipo de reflexo mais grave, ele me chamou e me pediu muita cautela para que n\u00e3o se atacasse ou destru\u00edsse a reputa\u00e7\u00e3o dos investigados. Montar dossi\u00eas, fazer espionagem ou atuar no submundo n\u00e3o s\u00e3o pr\u00e1ticas do governador Rodrigo Rollemberg. O governador nunca me pediu para nomear um delegado ou gestor. Pedidos s\u00f3 recebi de deputados.<\/p>\n<p><strong>Quem pediu?<\/strong><br \/>\nEla (Celina). Ela pediu, por exemplo, para nomear Flamarion na 5\u00aa DP. \u00c9 uma delegacia cobi\u00e7ada porque recebe informa\u00e7\u00f5es de ocorr\u00eancias na \u00e1rea do Tribunal de Justi\u00e7a, Minist\u00e9rio P\u00fablico, C\u00e2mara Legislativa, Esplanada, Correio Braziliense. \u00c9 o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico. N\u00e3o sei por que ela quis indicar o Flamarion, j\u00e1 que a deputada disse que n\u00e3o o conhecia.<\/p>\n<p><strong>Ela pediu por mais algu\u00e9m?<\/strong><br \/>\nSim pelo delegado Rodrigo Larizatti, tamb\u00e9m para a 5\u00aa DP. Eu disse que eles n\u00e3o seriam nomeados por falta de compet\u00eancia, mas n\u00e3o teriam o perfil. Fiz a nomea\u00e7\u00e3o do delegado Rog\u00e9rio (Henrique) e mantive.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma tentativa de derrub\u00e1-lo da dire\u00e7\u00e3o-geral?<\/strong><br \/>\nChegou uma not\u00edcia de que tinham tr\u00eas ou quatro delegados, anteontem (segunda), extremamente aborrecidos, chateados e fazem parte desse grupo. E hoje (ontem) de manh\u00e3, os dois estavam sorridentes. Por qu\u00ea? Porque saiu a entrevista (de Celina Le\u00e3o). Cada ficha que apostam, apostam a ficha errada. A verdade \u00e9 essa.<\/p>\n<p><strong>E essa hist\u00f3ria de que o senhor procurou o Marcello para arranjar um encontro com a Celina? \u00c9 verdade?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 uma mentira. Nunca procurei ou pedi para algu\u00e9m para falar com a deputada Celina. As vezes em que tive algum contato com ela foi direto, por quest\u00f5es diversas e, normalmente, institucionais. Se tenho contato direto, n\u00e3o precisaria pedir&#8230; Mesmo sabendo que o Marcello \u00e9 amigo dela. O que aconteceu, nesse epis\u00f3dio, foi uma proposta, que tamb\u00e9m est\u00e1 no meu celular. O Marcello, por ser amigo da Celina, e por achar que sou amigo do governador, incomodado com a situa\u00e7\u00e3o que realmente estava ruim, de uma briga, uma desaven\u00e7a quase no ambiente pessoal da presidente da C\u00e2mara Legislativa com o governador, tentar uma aproxima\u00e7\u00e3o. Falei: &#8216;Ela pode ir l\u00e1, que ser\u00e1 atendida&#8217;, como qualquer deputado, como qualquer autoridade, como qualquer pessoa do povo. Eu atendo. Sou at\u00e9 muito criticado por atender todas as pessoas que v\u00e3o l\u00e1. N\u00e3o atenderia a deputada? Com certeza atenderia. S\u00f3 que ela n\u00e3o foi.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o partiu dele (Marcello)?<\/strong><br \/>\nPartiu dele. O Marcello pediu. O objetivo n\u00e3o seria Dr\u00e1con. Seria tentar diminuir a tens\u00e3o que havia entre o Executivo e o Legislativo pelo bem da sociedade.<\/p>\n<p><strong>E quando o Marcello e o Welber foram liberados da Pol\u00edcia Civil para serem cedidos ao Minist\u00e9rio da Defesa, houve alguma inger\u00eancia pol\u00edtica? Algum pedido?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, nenhum pedido. Apenas o do ministro da Defesa (Raul Jungmann). Normalmente, pedidos do governo federal, a gente atende. At\u00e9 porque \u00e9 ele que nos paga. A cess\u00e3o \u00e9 um nome de cordialidade porque \u00e9 quase uma requisi\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o houve nenhum pedido, apesar de eu saber que o ministro \u00e9 do mesmo partido da deputada Celina (PPS).<\/p>\n<p><strong>A que o senhor atribui o fato de a deputada ter inclu\u00eddo seu nome na hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nOlha, eu n\u00e3o sei. O meu relacionamento com ela sempre foi muito bom e respeitoso. At\u00e9 o determinado momento em que come\u00e7ou a ter desaven\u00e7as entre ela e o governador. E atribui muita coisa que acontece \u00e0 Pol\u00edcia Civil. A\u00ed, eu afirmo: ela est\u00e1 sendo injusta, precipitada e mal orientada. Na verdade, acho que, em determinados momentos, a deputada est\u00e1 sendo usada por um grupo. A verdade \u00e9 essa.<\/p>\n<p><strong>A deputada Celina Le\u00e3o disse que pediu apoio do delegado Flamarion porque poucos t\u00eam coragem de investigar&#8230;<\/strong><br \/>\nComo delegado e diretor, repudio o que ela falou. Ela foi extremamente infeliz e leviana, no que disse. Ao contr\u00e1rio do que ela disse, os delegados t\u00eam coragem sim, ou n\u00e3o teriam feito as opera\u00e7\u00f5es Dr\u00e1con, a da Casa Militar e outras, como agora o dr. Fernando (Cesar Costa), da DRF, que foi l\u00e1 em S\u00e3o Paulo buscar a maior quadrilha de furto a resid\u00eancia e de alta periculosidade do pa\u00eds. Ent\u00e3o, em nome da Pol\u00edcia Civil, da carreira de delegado, que tem em sua maioria gestores s\u00e9rios, eu repudio. Posso dizer que 99% dos nossos policiais s\u00e3o corajosos e fazem a coisa certa. Qualquer delegado ou agente que ela procurasse poderia ter feito da forma correta o que ela precisasse, e n\u00e3o da forma como foi feita, de maneira informal, invadindo \u00e1reas e ultrapassando limites at\u00e9 \u00e9ticos. Ela foi muito infeliz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANA DUBEUX ANA MARIA CAMPOS O diretor-geral da Pol\u00edcia Civil, Eric Seba, disse que a deputada Celina Le\u00e3o (PPS) quis fazer inger\u00eancias pol\u00edticas na escolha de chefias de delegacias. Ele contou que a ex-presidente da C\u00e2mara Legislativa tentou, sem sucesso, emplacar dois delegados, Flamarion Vidal e Rodrigo Larizatti, na chefia da 5\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia. 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