{"id":4756,"date":"2016-07-15T18:26:48","date_gmt":"2016-07-15T21:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=4756"},"modified":"2016-07-15T18:36:16","modified_gmt":"2016-07-15T21:36:16","slug":"ministerio-publico-denuncia-toledo-fayed-traboulsi-e-dois-delegados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/ministerio-publico-denuncia-toledo-fayed-traboulsi-e-dois-delegados\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00e3o Miqu\u00e9ias: Minist\u00e9rio P\u00fablico denuncia Toledo, Fayed Traboulsi e dois delegados"},"content":{"rendered":"<p>O agente aposentado da Pol\u00edcia Civil Marcelo Toledo Watson (foto), o doleiro Fayed Traboulsi e os delegados Paulo C\u00e9sar Barongeno e Sandra Maria da Silveira foram denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em duas a\u00e7\u00f5es penais da Opera\u00e7\u00e3o Miqu\u00e9ias, deflagrada em setembro de 2013. A investiga\u00e7\u00e3o apontou a exist\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa que lavava dinheiro desviado de transa\u00e7\u00f5es realizadas por prefeituras com recursos previdenci\u00e1rios. A den\u00fancia, protocolada em 30 de junho, atinge outras 41 pessoas.<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio de Transportes do governo de Rog\u00e9rio Rosso, em 2010, Barongeno est\u00e1 na ativa. Ele \u00e9 piloto de helic\u00f3ptero da Pol\u00edcia Civil. Ex-assessora da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do DF, Sandra Silveira est\u00e1 aposentada. Os dois s\u00e3o citados na den\u00fancia como os respons\u00e1veis pelo vazamento de informa\u00e7\u00f5es relacionadas aos demais envolvidos, principalmente Fayed Traboulsi e Toledo.<\/p>\n<p>Pela participa\u00e7\u00e3o no esquema, Barongeno, Sandra e Toledo foram denunciados ao Tribunal de Justi\u00e7a do DF pelos crimes de amea\u00e7a, desacato e viola\u00e7\u00e3o de sigilo funcional. No caso de Sandra, h\u00e1 ainda outra den\u00fancia, de corrup\u00e7\u00e3o passiva. As investiga\u00e7\u00f5es revelaram que ela recebeu R$ 50 mil de Fayed Traboulsi como pagamento pelos servi\u00e7os prestados.<\/p>\n<p>As den\u00fancias s\u00e3o mais um cap\u00edtulo do esc\u00e2ndalo que come\u00e7ou a ser investigado em 2009, pela Pol\u00edcia Civil do Distrito Federal, a partir da descoberta de ind\u00edcios de movimenta\u00e7\u00f5es financeiras milion\u00e1rias em empresas fantasmas sob o comando de Fayed. Informa\u00e7\u00f5es do caso vazaram e as investiga\u00e7\u00f5es da Delegacia de Combate aos Crimes contra a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (Decap) e da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) foram interrompidas, devido a inger\u00eancias pol\u00edticas.<\/p>\n<p>J\u00e1 sob a coordena\u00e7\u00e3o do MPF e da Pol\u00edcia Federal, em setembro de 2013, foi deflagrada a Opera\u00e7\u00e3o Miqu\u00e9ias.\u00a0Mais de trezentos policiais cumpriram na \u00e9poca 102 mandados judiciais, sendo 5 de pris\u00e3o preventiva, 22 de pris\u00e3o tempor\u00e1ria e 75 de busca e apreens\u00e3o no Distrito Federal e nos estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goi\u00e1s, Maranh\u00e3o, Amazonas e Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>O objetivo era desmantelar um esquema criminoso que desviava recursos de institutos previdenci\u00e1rios municipais por meio da coopta\u00e7\u00e3o de gestores municipais e da lavagem de dinheiro. A estimativa dos investigadores \u00e9 que o grupo tenha movimentado cifras milion\u00e1rias durante quase uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Como funcionava o esquema &#8211; Nas a\u00e7\u00f5es enviadas \u00e0 Justi\u00e7a, o procurador da Rep\u00fablica Wellington Divino Marques de Oliveira detalha a participa\u00e7\u00e3o de cada um dos envolvidos e a forma como se deu a execu\u00e7\u00e3o dos crimes. Em um dos trechos, ele cita as conclus\u00f5es de inqu\u00e9rito instaurado em 2013, a partir de uma auditoria do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social. Na \u00e9poca, muitos munic\u00edpios aplicavam recursos do Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia Social (RPPS) em fundos de investimentos de cr\u00e9dito privado pouco atrativos \u2013 o que, conforme revelaram as investiga\u00e7\u00f5es, resultou em preju\u00edzos financeiros. A escolha dos investimentos era feita a partir de orienta\u00e7\u00f5es de \u201cempresas de consultoria financeira\u201d.<\/p>\n<p>O aprofundamento da apura\u00e7\u00e3o levou os investigadores at\u00e9 a empresa Invista Investimentos Inteligentes, de propriedade de quatro dos denunciados e que era utilizada para a coopta\u00e7\u00e3o dos agentes p\u00fablicos respons\u00e1veis pela administra\u00e7\u00e3o dos fundos previdenci\u00e1rios. \u201cUma vez feito o contato, os prefeitos\/gestores eram corrompidos pelo oferecimento de retorno financeiro pessoal (geralmente em um percentual da quantia investida) e acabavam por concordar em investir nos fundos apresentados pela Invista\u201d, detalha um dos trechos da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O procurador frisa ainda que o contato com o agente p\u00fablico era feito normalmente por \u201cmulheres muito bonitas\u201d, que ficaram conhecidas como pastinhas, ou por lobistas que apresentavam os fundos de investimento. Para dar mais credibilidade ao neg\u00f3cio, era comum a presen\u00e7a de um auditor fiscal da Receita Federal, a quem cabia fornecer informa\u00e7\u00f5es privilegiadas sobre a situa\u00e7\u00e3o dois fundos.<\/p>\n<p>O que se seguia \u00e0 assinatura dos contratos era uma sequ\u00eancia de irregularidades que inclu\u00edam a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos fundos, a emiss\u00e3o irregular de t\u00edtulos e dep\u00f3sitos dos valores aplicados pelos munic\u00edpios em contas banc\u00e1rias abertas em nome de fantasmas. A etapa seguinte eram os saques de grandes quantias em esp\u00e9cie e a distribui\u00e7\u00e3o dos valores entre os envolvidos no esquema criminoso, incluindo os gestores dos regimes de previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Durante as investiga\u00e7\u00f5es feitas pela Pol\u00edcia Civil do Distrito Federal, o monitoramento de integrantes da organiza\u00e7\u00e3o criminosa comprovou a movimenta\u00e7\u00e3o financeira do esquema. O irm\u00e3o do doleiro Fayed Louis Traboulsi foi um dos monitorados. A suspeita \u00e9 que, em um \u00fanico dia, em 2009, ele tenha sacado R$ 240 mil, valor distribu\u00eddo entre os envolvidos.<\/p>\n<p>Outros crimes &#8211; Na a\u00e7\u00e3o judicial, o MPF destaca a exist\u00eancia de \u201ccrimes antecedentes\u201d como tr\u00e1fico de drogas, corrup\u00e7\u00e3o, viola\u00e7\u00e3o de sigilo funcional e outros, j\u00e1 denunciados ou ainda em fase de investiga\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o MPF ressalta que, em decorr\u00eancia da grande quantidade de envolvidos nas pr\u00e1ticas criminosas, aquelas pessoas cujas provas apontam a participa\u00e7\u00e3o apenas como \u201claranjas\u201d n\u00e3o foram inclu\u00eddas nas den\u00fancias encaminhadas neste momento \u00e0 Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n<p>J\u00e1 a op\u00e7\u00e3o de dividir os casos em duas a\u00e7\u00f5es distintas tem o objetivo de facilitar e agilizar o andamento dos processos. Das 43 pessoas denunciadas, tr\u00eas delas, aparecem nas duas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Rela\u00e7\u00e3o de denunciados<\/p>\n<p>1)Fayed Antoine Traboulsi<\/p>\n<p>2) Marcelo Toledo Watson<\/p>\n<p>3) Carlos Eduardo Rocha Marzola<\/p>\n<p>4) Flavio Junior de Carvalho<\/p>\n<p>5) Francisco de Melo da Cruz<\/p>\n<p>6) Louis Antoine Traboulsi<\/p>\n<p>7) Carlos Felipe Rocha Marzola de Carvalho<\/p>\n<p>8) Mozart Medeiros Filho<\/p>\n<p>9) Gutembergue Santiago do Nascimento<\/p>\n<p>10) Sanjer In\u00e1cio da Silva<\/p>\n<p>11) Ana Cristina Barbosa Oliveira<\/p>\n<p>12) Ivanise Kechaloski<\/p>\n<p>13) Marcos Neves Bresaola<\/p>\n<p>14) Flavia Peralta de Carvalho<\/p>\n<p>15) Luiz Romildo de Melo<\/p>\n<p>16) Luis Fernando Cassela<\/p>\n<p>17) M\u00e1rcia Regina Flausion Traboulsi<\/p>\n<p>18) Sandra Maria da Silveira<\/p>\n<p>19) Paulo Cesar Bober Barongeno<\/p>\n<p>20) Sylvio Costa Junior<\/p>\n<p>21) Carlos Eduardo Carneiro Lemos<\/p>\n<p>22) Guilherme Oliva Souza<\/p>\n<p>23) Paulo Augusto Freitas de Souza<\/p>\n<p>24) Get\u00falio Francisco Coelho<\/p>\n<p>25) Luciane Lauzimar Hoepers<\/p>\n<p>26) Almir Fonseca Bento<\/p>\n<p>27) Isabela Helena Carneiro de Barros<\/p>\n<p>28) Fernanda Cardoso<\/p>\n<p>29) Cynthia Cabral Soares da Cruz<\/p>\n<p>30) Alline Teixera Olivier<\/p>\n<p>31) Idailson Jos\u00e9 Vilas Boas Macedo<\/p>\n<p>32) Emerson Rodrigues dos Reis<\/p>\n<p>33) Gustavo Alberto Starling Soares Filho<\/p>\n<p>34) Danielle Vasconcelos Correia Lima Leite<\/p>\n<p>35) Andr\u00e9a de F\u00e1tima Ribeiro Pinto<\/p>\n<p>36) Marcelo Rodrigues de Godoy<\/p>\n<p>37) Leomar Alves da Cruz<\/p>\n<p>38) Cristiano S\u00e1 Freire Lefreve<\/p>\n<p>39) Ab\u00edlio Siqueira Filho<\/p>\n<p>40) Thays Cardoso Martins<\/p>\n<p>41) Zaqueu Maciano da Silva<\/p>\n<p>42) Robson Silva dos Santos<\/p>\n<p>43) Rosimaire Atti\u00ea<\/p>\n<p>Com informa\u00e7\u00f5es da assessoria de imprensa do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal no Distrito Federal<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal ajuizou duas a\u00e7\u00f5es penais<\/p>\n<p>Opera\u00e7\u00e3o Miqueias, deflagrada em setembro de 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O agente aposentado da Pol\u00edcia Civil Marcelo Toledo Watson (foto), o doleiro Fayed Traboulsi e os delegados Paulo C\u00e9sar Barongeno e Sandra Maria da Silveira foram denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em duas a\u00e7\u00f5es penais da Opera\u00e7\u00e3o Miqu\u00e9ias, deflagrada em setembro de 2013. 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