“Trump vem muito fortalecido e com um pouco de sede de vingança”, diz João Carlos Souto

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Eixo Capital – À queima-roupa publicado em 19 de janeiro de 2025, por Ana Maria Campos

“Trump vem muito fortalecido e, espero que eu esteja errado, com um pouco de sede de vingança dos embates que teve”

Confira entrevista com o João Carlos Souto, professor de direito constitucional, procurador da Fazenda Nacional, diretor da Escola Superior da AGU, autor do livro Suprema Corte dos Estados Unidos — Principais Decisões

O que esperar do governo de Donald Trump?

Trump vem empoderado, fortalecido pela votação que obteve, pela conquista da maioria no Senado, que os republicanos não tinham até essa eleição. Haviam perdido, inclusive, quando ele era presidente, na midterm election da época. Perderam a maioria no Senado. Eles tinham maioria na Câmara, os republicanos mantiveram, e além disso, Trump ganhou nos sete swing states, que são os estados-pêndulos, aqueles que, por vezes, votam com os republicanos, por vezes votam com os democratas. A exemplo da Geórgia, a exemplo da Pensilvânia, que, na eleição passada, votaram com Joe Biden e, agora, votaram com Trump. Então, ele vem muito fortalecido por isso e, espero que eu esteja errado, com um pouco de sede de vingança dos embates que teve, os dois impeachments sofridos, o processo em Nova York.  Então, ele vem com uma sede de retribuição, é o que ele chama de retribution. Ele vem com essa contra a China, com a postura de aumentar tarifas e também com pouca paciência com a Europa. Isso pode ter repercussão enorme e mudar muito o cenário que vem sendo construído há 80 anos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O ex-presidente Jair Bolsonaro não obteve autorização do ministro Alexandre de Moraes para acompanhar a posse de Trump. Por que, na sua avaliação, Trump não se empenhou pela presença do brasileiro?

O Trump não se empenhou porque ele é um ex-presidente, porque o Brasil não está há muito tempo na zona de prioridade dos Estados Unidos. O Brasil não está no Oriente Médio, para o bem e para o mal. O Brasil não é rota de passagem de transporte de petróleo. O Brasil não está perto da Ásia. Os Estados Unidos vêm dando prioridade à Ásia, que é a questão do mar do sul da China, a questão das relações da China com os seus países próximos. Então, há muito tempo que o Brasil deixou de ser prioridade. Não é questão desse governo, não é questão do governo Biden, desse governo, do atual governo brasileiro, não. É uma questão que vem de longa data.

Se Bolsonaro buscasse asilo nos Estados Unidos, legalmente conseguiria?

Olha, é difícil antecipar. Talvez sim, talvez não. Depende de muitas questões. O processo aqui no Brasil segue dentro de uma normalidade, a meu ver, segue um rito que é estabelecido na Constituição e no regimento interno do Supremo. No Brasil, o processo segue normal. Agora, como os Estados Unidos vão interpretar isso é outra forma. Bem, se o ex-presidente ia fugir ou não, eu prefiro não comentar.

O presidente Lula não foi convidado para a posse. Como será, na sua visão, a relação entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos?

Muito simples, nenhum presidente brasileiro foi convidado para a posse de presidente americano. Nenhum. Nenhum presidente brasileiro, nenhum presidente colombiano, nenhum presidente francês. Nenhum presidente alemão, ou primeiro-ministro alemão, nenhum primeiro-ministro da França, não é comum. Os Estados Unidos não têm condições, por ser a maior potência do mundo desde o início do século 20, de receber tantos dignatários, tantas pessoas importantes. Então, não é comum. A rainha da Inglaterra nunca foi para a posse do presidente dos Estados Unidos, e nenhum outro dignatário de uma grande nação. Então, não vejo problema nenhum.

Jaqueline Fonseca

Subeditora do Correio Braziliense. Especialista em jornalismo investigativo com dez anos de experiência em cobertura de política, economia, judiciário e Cidades.

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