Tenho a missão de combater qualquer espécie de irregularidade, diz novo diretor do Detran-DF

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Coluna Eixo Capital/Por Ana Maria Campos

À QUEIMA-ROUPA

Procurador Zélio Maia, futuro diretor-geral do Detran-DF

O que muda no Detran?
Em pouco mais de um ano, o Detran trocou de comando três vezes e eu serei o quarto diretor-geral. Isso por si já indica que o órgão precisa ser repensando como instituição que deve prestar um serviço de qualidade para toda a comunidade do DF. Lembro que a atuação do Detran tem repercussão direta e imediata em cada um dos moradores da cidade. O que muda é essencialmente a mentalidade da nova direção. Na linha do que tem defendido o governador Ibaneis Rocha, temos que cuidar de nossa cidade. Defendo que o trânsito de qualquer cidade deve pensar mais nas pessoas que a habitam e não nos carros que por suas vias circulam diariamente.

Existe alguma suspeita de irregularidade?
Assumirei o órgão no início de março. Tenho conhecimento pela imprensa de irregularidades que somente após assumir a direção poderei avaliar, e, consequentemente, emitir juízo de valor. Antecipo que em minha gestão não será tolerada qualquer espécie de irregularidade, seja desvio de uma caneta ou de milhões de reais. Zelarei pelo patrimônio público com todas as minhas energias e para dar uma satisfação à sociedade em relação ao uso do dinheiro público. Adianto que eventuais desvios de conduta pontuais de servidores públicos não podem levar ao descrédito de todos os servidores do órgão. Os servidores são, como regra, comprometidos com suas atribuições e com o compromisso decorrente de seus cargos e não tenho dúvida de que não compactuam com eventuais irregularidades acaso existentes no órgão.

Você terá liberdade para montar a própria equipe?
Tive reuniões com o governador e ele está muito preocupado com ocorrências que vem sendo divulgadas em relação a irregularidades no órgão. Em razão disso, terei ampla liberdade para montar minha equipe e o farei por critérios técnicos e buscando profissionais capacitados e conhecedores da gestão pública para apresentar soluções estruturais a longo prazo e também que possam trazer benefícios imediatos.
Tenho algumas missões ao assumir o órgão, entre elas combater qualquer espécie de irregularidade porventura existente, modernizar o funcionamento interno do Detran e o atendimento ao público, uma vez que não se justifica demoras excessivas em processos de transferência de veículos e demais serviços prestados e ainda buscaremos dar condições de trabalho aos servidores comprometidos que certamente será revertido em benefícios a toda a comunidade.

Qual é a sua avaliação sobre o uso de pardais como redutores de velocidade?
Os equipamentos de fiscalização de velocidade, conhecidos como pardais sequer deveriam existir no mundo ideal, assim como os quebra-molas. No entanto, devemos conviver com a realidade de que temos um dos trânsitos mais violentos do mundo. Isso exige medidas emergenciais e dentre elas coloco os pardais como um mal necessário. Sua utilização, porém, não pode ser desproporcional, devendo sua instalação vir sempre precedida de um estudo técnico e com critérios objetivos de sua necessidade, estudos esses de amplo acesso ao cidadão. Faremos campanhas de educação no trânsito de modo a tentar reduzir a violência no trânsito, mas igualmente sabemos que atingir o bolso do infrator é uma das formas que mais dá resultado. Daí a multa deve existir de forma proporcional à infração cometida e, acima de tudo, contar com fiscalização para que o motorista tenha ciência da sua responsabilidade social na condução de veículos nas vias públicas.

Existe uma indústria da multa?
Tema bastante discutido. Atualmente não posso afirmar que exista uma indústria das multas no DF, uma vez que ainda estou estudando os processos internos do órgão, mas não acredito que tal situação exista. Em qualquer país onde tenhamos um mínimo de organização no trânsito, as multas são uma forma de coibir o desrespeito às normas, inclusive com pesadas multas que normalmente são muito superiores às praticadas no Brasil.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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