Temer: na crise do IOF “faltou diálogo” como havia em sua gestão

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ANA MARIA CAMPOS

Foto: Mariana Campos/CB

Lisboa – O ex-presidente Michel Temer enxerga dois pontos causadores da crise do IOF que provocou um embate entre os três poderes no Brasil: a falta de diálogo do Executivo com o Congresso e a motivação do ministério da Fazenda para propor o aumento das alíquotas do imposto.

Em Portugal, para participar do XIII Fórum de Lisboa, Temer afirmou que a pacificação do país é fundamental para a democracia. “Eu tenho pregado isso com muita constância porque não faço apenas por desejo próprio, mas por uma determinação da Constituição Federal”, afirma. “A Constituição Federal, desde o preâmbulo, é plena de dispositivos que apontaram a criação de um novo Estado brasileiro com a solução pacífica de controvérsias, tanto no plano interno quanto internacional. Pacificar o país é o que os brasileiros querem e necessitam”, ressaltou, ao entrevista ao Correio.

O caminho para a pacificação é o diálogo, segundo Temer. “As pessoas devem ler a Constituição e perceber o que ela estabelece, que é a pacificação”, afirma. “Há um aparente desajustamento e muita divergência interna. Isso não é bom e muitas vezes gera a ideia de invasão de competências. Ora, se os poderes se entenderem, não haverá invasão de competências. Cada um ficará no seu quadrado constitucional”, avalia o ex-presidente.

Em relação à iniciativa do Congresso de derrubar o decreto presidencial que aumentou as alíquotas do IOF e a judicialização do tema por parte do Executivo, Temer considera que cada poder exerceu a sua competência. “O Congresso teve competência para o que fez e o Executivo, seguramente, também teve competência para o que fez”, explica.

Segundo Temer, o problema foi a forma como se deu a tramitação da proposta do governo Lula. “Houve dois equívocos: primeiro não houve diálogo com o Congresso Nacional, com a Câmara dos Deputados, o que havia permanentemente na minha gestão. E também, em segundo ponto, também se alardeou muito que se instituiu o aumento do IOF para aumentar a arrecadação e ele (o imposto) existe apenas para regular as relações fiscais”, apontou.

Almoço

Temer se reuniu com vários políticos presentes em Lisboa em almoço oferecido a ele pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em famoso restaurante da cidade. Estavam presentes, entre outras autoridades que vieram a Lisboa, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.


Foi uma oportunidade para tratar do assunto e aconselhar os responsáveis por uma solução para a crise.

No Fórum de Lisboa, Temer foi tratado com muita deferência por estudantes e advogados presentes no auditório da reitoria da Universidade de Lisboa. Muitos paravam para cumprimenta-lo e pedir uma foto. O ex-presidente atendia a todos com empatia.

Tema

Com o tema “O mundo em transformação – Direito, Democracia e Sustentabilidade na Era Inteligente”, o evento reúne, até amanhã (04/07), autoridades públicas, acadêmicos, juristas e representantes do setor privado do Brasil, Portugal e Estados Unidos.

Ao todo, mais de 2.500 pessoas estão inscritas para os cerca de 60 painéis de discussões com 400 palestrantes convidados.

Ao longo do dia, temas como automação, economia verde, segurança alimentar, mercado de seguros, reforma tributária, direitos fundamentais, IA no jornalismo e novos modelos de governança estarão em debate em mais de 20 painéis simultâneos nos anfiteatros da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

*Programação completa, inscrições e mais informações:*

🔗 www.forumdelisboa.com/2025/

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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