Temer abandona Filippelli: sai exoneração sem o termo “a pedido”

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ANA MARIA CAMPOS

No noticiário da Operação Panatenaico, o ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) teve mais destaque que os ex-governadores Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR).

É a força da função de assessor especial do presidente da República, cargo que ele perdeu hoje (24/05). A exoneração está publicada na primeira página do Diário Oficial da União, assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Logo ele, histórico aliado de Filippelli.

O PMDB não saiu em defesa do ex-vice-governador do DF. Para ele, não valeu a regra de Temer: afasta se houver denúncia e demite quando o processo é aberto pela Justiça. Foi assim que o presidente respondeu às críticas de que manteve na Esplanada peemedebistas investigados, como o próprio Padilha e Moreira Franco, ministro da Secretaria-geral da Presidência da República, citados em delações de executivos da Odebrecht.

Filippelli ainda não foi denunciado e já foi rifado, no mesmo dia da prisão ontem (23/05), quando o Palácio do Planalto anunciou a exoneração. Ele nem teve a chance de dizer que pediu para sair. No ato, não consta o termo “a pedido”. Em tempos de pré-impeachment, é o salve-se quem puder. Temer não podia carregar mais esse desgaste.

Filippelli entra na lista de assessores de Temer que deixaram o cargo. Além dele, saíram José Yunes, Geddel Vieira Lima e o deputado Rodrigo Rocha Loures. Sandro Mabel pediu para deixar o cargo de assessor especial.

Presidente do PMDB-DF, Filippelli sempre teve força no partido. Era muito próximo de Padilha e do próprio Temer. Com esse prestígio, ele conseguiu até isolar o antigo padrinho político, Joaquim Roriz, em 2010. Depois de governar o Distrito Federal quatro vezes, Roriz precisou sair do PMDB para tentar, naquele ano, ser candidato novamente. O PMDB preferiu Filippelli.

A denúncia do Ministério Público Federal contra Filippelli e os demais envolvidos nos supostos desvios de recursos da construção do estádio Mané Garrincha não deve demorar. No pedido de prisão, a Polícia Federal e o MP apontaram vários crimes de corrupção.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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