Secretária nacional do governo federal denuncia ação abusiva da PM em manifestação pró-Lula

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ISA STACCIARINI

A secretária de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para Mulheres, Rose Scalabrin, e Socorro Dachi, assessora do deputado federal Sibá Machado (PT-AC), alegam ter sido vítimas de uma ação policial abusiva na noite de sexta-feira (4/3) — Rose é mulher do parlamentar. Elas contam em depoimento que ao irem embora a pé do protesto de movimentos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) na W3 Norte, passaram por um carro da Polícia Militar e um dos homens teria xingado Socorro e a amiga de “vagabundas”. Ela também revidou verbalmente e, neste momento, de acordo com o testemunho, outro policial desceu do veículo e deu ordem de prisão a ela. Ao resistir, a mulher afirmou que teve o celular tomado pelos policiais. “Resisti à prisão, disse que era arbitrária, que quem tinha sido ofendida era eu, e que estava apenas me defendendo. Nesse momento, tomaram meu celular. Assim, do nada… E tentaram, com força, me jogar no camburão… Me empurravam muito e me mandavam calar a boca”, detalhou.

A  amiga Rose, que tentou ajudá-la, teria sido contida pela equipe da Polícia Militar com spray de pimenta. O depoimento das mulheres, divulgado para uma rede de amigos, se espalhou. “A Rose saiu cambaleando, cega, pois ao tentar me puxar das mãos dos policiais levou mais spray de pimenta nos olhos. Ela saiu, mesmo assim, atrás de alguém pra nos ajudar e testemunhar aquele absurdo. E os caras (uns cinco pelo menos) querendo me algemar e me empurrando paradentro da viatura… Apontando armas para mim. Senti medo naquela hora”, disse.

Testemunhas que presenciaram a cena também teriam sido atingidos com spray de pimenta. “Depois de um tempo chegou o comandante da operação, super grosseiro e autoritário, mandou me algemar, disse que eu estava insuflando as pessoas e me mandou para a delegacia. Pasmem: algemada”, reforçou.”Eles armaram um circo pra criar um fato, já que a manifestação tinha sido pacífica. Um sujeito à paisana já havia nos provocado um pouco antes e bem próximo às viaturas. Mas, decidimos continuar o caminho de casa. Depois, vimos o mesmo sujeito junto com a policia lá na delegacia. Tudo combinado”, alegou.

A deputada federal Erika Kokay se deslocou até a 5ª Delegacia de Polícia (Setor Central) na noite de sexta-feira (4/3) para acompanhar o caso. A parlamentar considerou o caso um ataque de gênero. “Ela reagiu, porque se sentiu agredida. A ação da Polícia Militar foi totalmente desproporcional e abusiva. O ato estava extremamente pacífico. Estive com elas na delegacia e lá estavam muitos carros do Patamo (Patrulhamento Tático Móvel)”, detalhou. “Seguramente mostra o despreparo da Polícia Militar e um comportamento abusivo com recorte de agressão de gênero”, acrescentou.

O advogado de Socorro, Jonatas Moreth, informou que vai representar denúncia no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e na Procuradoria de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil do DF (OAB-DF). “Quando apresentei minha carteirinha da OAB para comprovar que era advogado da Socorro, antes dela ser levada para a delegacia, os policiais disseram que eu só falaria com ela na DP, porque estava sendo detida. Quando tentei dar um passo para continuar a argumentação, ele lançou spray de pimenta no meu rosto. Mesmo de cabeça baixa, passando mal, um deles veio com a mão por baixo e disparou novamente no meu rosto”, contou.

O Correio tentou falar com as duas mulheres e com o deputado, mas não conseguiu contato.

Segundo a PM, “uma senhora foi deslocada para a 5ª DP, sem ser algemada, e foi conduzida no banco traseiro da viatura”. “Os policiais aguardavam a ordem do comandante da operação para atuar, quando a senhora se dirigiu aos policiais como ‘porcos’ e ‘facistas’. Foi dada a voz de prisão e ela foi conduzida à delegacia”, informou a corporação por meio de nota.

Matheus Teixeira

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