Rollemberg propõe reajuste menor, mas distritais querem suspender todos os aumentos de passagem

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ANA VIRIATO

Não houve consenso entre o governador Rodrigo Rollemberg e deputados distritais, na reunião desta segunda-feira (2/1) sobre o reajuste no valor de passagens de ônibus e do metrô. Os parlamentares solicitaram que Rollemberg suspendesse o decreto de revisão tarifária, até que os poderes Executivo e Legislativo esgotem as possibilidades de deliberação. Devido à divergência, a Câmara convocará uma sessão extraordinária para apresentar o projeto de decreto Legislativo que pode sustar os efeitos da resolução do chefe do Palácio do Buriti.

Os distritais Rodrigo Delmasso (Podemos), Chico Leite (Rede), Joe Valle (PDT) e Julio Cesar (PRB) participaram do debate com o governador. Wellington Luiz (PMDB), Raimundo Ribeiro (PPS) e Wasny de Roure (PT) anunciaram o impasse.

Os deputados distritais afirmam que poderiam conceder R$ 50 milhões, provenientes de sobras orçamentárias, ao Palácio do Buriti. E ofereceram um debate sobre possíveis ajustes no sistema de gratuidade do transporte público, caso Rollemberg suspendesse a determinação. Ainda assim, o chefe do Palácio do Buriti propôs apenas o decréscimo do aumento nas passagens de linhas de longa distância e do metrô – o valor passaria de R$ 5 para R$ 4,50.

Aumento é “fundamental”, diz governador

Se a Câmara apresentar o projeto de decreto Legislativo, a proposta precisará de maioria simples, em um quórum mínimo de 13 parlamentares, para entrar em vigor. Rollemberg alegou que não há nenhuma ilegalidade no reajuste das passagens. “Não estamos descumprindo nenhum dispositivo legal. Se o gesto da Câmara realmente acontecer, será questionado na Justiça”, alegou o governador. “Não temos como suspender o aumento, porque ele é fundamental para que o sistema continue funcionando. Só podemos rever qualquer coisa, se tivermos os recursos assegurados para a manutenção do transporte”, argumentou o governador.

“O que eu disse para a Câmara é que estamos completamente abertos ao diálogo para construir outras alternativas que garantam o funcionamento do sistema. Portanto, se o Legislativo, por exemplo, se dispor a reduzir a gratuidade para estudantes de escolas privadas e, assim, fornecer a gratuidade apenas para os alunos que realmente precisam. Afinal, precisamos de recurso pra manter o sistema”, finalizou Rollemberg.

Deputados reclamam

Deputados reclamaram da falta de negociação. “Não houve acordo. O governador foi extremamente intransigente”. Disse que quer que a Câmara discuta a questão da gratuidade, e nós, de fato, entendemos a necessidade desse diálogo. Hoje, os benefícios custam muito caro para o GDF. Nos dispomos, até mesmo, a convocar uma sessão extraordinária para discutir esse pleito. O que não aceitamos é manter esse aumento discrepante. Ainda mais da maneira que foi conduzido”, afirmou o vice-presidente da Câmara, Wellington Luiz (PMDB).

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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