Da Coluna Eixo Capital, por Ana Maria Campos
O Bispo Robson Rodovalho pode ser um mentor espiritual para o ex-presidente Jair Bolsonaro durante os tempos duros na prisão na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A defesa de Bolsonaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos sobre os atos golpistas, um pedido de autorização, para que Rodovalho possa cuidar da assistência espiritual do ex-presidente. “Se for liberado, vou ajudá-lo a se recompor e enfrentar esse tempo difícil”, afirma Rodovalho, que é fundador e líder da Igreja Sara Nossa Terra. “Temos que trabalhar para fortalecer sua mente, suas emoções, sua fé no futuro. É normal um quadro depressivo, negativista e confuso”, acrescenta.
Um ministério para a Segurança Pública
Num momento em que o combate à violência é uma das principais preocupações da população, o Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp) divulgou carta institucional em que defende a criação do Ministério da Segurança Pública, para dedicação exclusiva do tema, aproveitando, também, o momento de mudança institucional com a saída do ministro Ricardo Lewandowski. No texto, os secretários de todos os estados e do Distrito Federal defendem, ainda, que a nova pasta, caso seja criada, fique a cargo de um gestor da área. “O momento revela-se oportuno e estratégico para a criação do Ministério da Segurança Pública não apenas pela conveniência do período de transição, mas sobretudo porque a segurança pública deve ser tratada como elemento estabilizador, tendo como fundamentos o diálogo e a capacidade de articulação permanente entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios”, afirma o Consesp, que é presidido atualmente pelo secretário de Segurança Pública e Defesa Social da Paraíba, Jean Francisco Bezerra Nunes.
Indicações
Na carta, o Consesp sustenta que o país dispõe de “quadros amplamente qualificados” para exercer a função de ministro da Segurança Pública e cita dois exemplos: o secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues (foto). Chico Lucas foi presidente da Ordem dos Advogados do Piauí (OABPI) e faz parte do corpo de Procuradores do Estado.
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BRB anuncia novos executivos
Sob a presidência de Nelson Antônio de Souza, o BRB anunciou mudanças em sua alta administração, com a nomeação de novos dirigentes para áreas estratégicas do banco, da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Financeira. No banco, Hugo Andreolly assumirá a Diretoria de Negócios Digitais (DINED). Empregado concursado desde 2007, Andreolly já ocupou posições de destaque como diretor-executivo de Finanças e Controladoria e diretor-executivo de Novos Negócios. Na Diretoria de Pessoas (DIPES), será nomeada Janiele Queiroz Mendes Caroba. Advogada de carreira na Caixa, Janiele exerceu funções de liderança como superintendente nacional de Atendimento Jurídico e Controle da Rede e gerente nacional de Governança e Pessoas. Reconhecida por sua capacidade de conduzir processos de transformação cultural e regeneração organizacional, também foi membro da Comissão de Ética da Caixa e do Conselho Fiscal da Funcef.
Experiência
Já na BRB DTVM, o novo presidente será Mario Ferreira Neto, executivo com sólida trajetória no setor financeiro. Neto atuou como CFO da Caixa Pré-Pagos, onde liderou processos de gestão financeira e expansão de negócios em meios de pagamento. No Conglomerado BRB, ocupou cargos de direção em áreas estratégicas. Na BRB CFI, três novos nomes passarão a compor a diretoria. Fabiano Nogueira Alves assume a presidência após uma trajetória marcada por quase uma década na Funcef, onde foi diretor interino e gerente de Investimentos em renda fixa e imobiliários, responsável por carteiras bilionárias e pela mesa de operações financeiras.
Importados da Caixa
Outros nomes experientes da Caixa assumirão cargos de destaque no BRB. Marcos Fernando Fontoura dos Santos Jacinto será responsável pela diretoria de Administração e Finanças (DIFAD). Com mais de 20 anos de experiência, Marcos foi vice-presidente da Caixa Econômica Federal, liderando políticas de gestão de pessoas para mais de 86 mil empregados e processos de governança corporativa. Já Renier Roosevelt Sampaio Barbosa Júnior vai comandar a diretoria de Crédito e Liquidez (DICLI). Executivo com mais de 13 anos de experiência no setor financeiro, Renier se destacou na Caixa como gerente-executivo de Estratégia Corporativa, responsável pela definição de objetivos de longo prazo do conglomerado, e mais recentemente como gerente nacional de Logística e Contratações, administrando contratos e orçamentos de grande porte e implementando projetos de eficiência operacional como o “Papel Zero”.
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Mandou bem
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado nesta sexta-feira (09/01), era aguardado há vários anos e ocorre num momento em que potências buscam medidas de domínio. O tratado tende a aumentar a oferta e baratear de produtos consumidos pelos brasileiros. O maior impacto ocorre sobre bens importados pelo Brasil da Europa, uma vez que o tratado prevê a redução gradual ou a eliminação total de tarifas de importação para uma ampla lista de produtos.
Mandou mal
Desde que teve a prisão decretada para cumprir a pena de 26 anos na cadeia, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma série de problemas de saúde, como os soluços, a necessidade de cirurgia e agora uma queda que causou um traumatismo cerebral leve. Essas crises deixam a dúvida para o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, se são tentativas de justificar um pedido de prisão domiciliar ou se são realmente necessidades de assistência médica.
Só papos
“Hoje, quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, visitei Jair Bolsonaro, que segue preso de forma ilegal e desumana em uma sala insalubre e molhada de cerca de 8 metros quadrados, soluçando, agora tomando antidepressivos e utilizando aparelhos para apneia do sono, sem exercícios primordiais, com traumatismo craniano leve e sem acompanhamento ideal para evitar a piora de seu estado clínico, psicológico e físico”
Carlos Bolsonaro, filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro
“Muitos no Brasil soluçaram pela perda de entes queridos na pandemia da Covid. Bolsonaro ria. Famílias foram destruídas. Pais perderam filhos, filhos perderam pais, com o vírus para trás deixando uma legião de órfaos. Bolsonaro ignorava. Foram 700 mil mortos. Não esqueceremos”
Senador Humberto Costa (PT-PE)
Enquanto isso… Na sala de Justiça
O presidente Lula sancionou, nesta sexta-feira, com vetos, a Lei Complementar 225/2026, que estabelece direitos, garantias e deveres aos contribuintes, ao mesmo tempo em que reforça o combate aos chamados devedores contumazes — aqueles que usam a inadimplência como estratégia de negócio. Advogados apontam avanços na medida, mas também identificam excesso de punições e caráter arrecadatório nas novas normas. Beatriz Naranjo, advogada tributarista do Diamantino Advogados Associados, afirma que a LC 225 “consolida-se como um marco normativo que pretende redefinir os contornos da relação entre Fisco e contribuinte”. “Todavia, ao estruturar programas de conformidade e instituir um regime rigoroso para o chamado devedor contumaz, desloca o eixo da proteção do contribuinte para a lógica da eficiência arrecadatória. O problema central é que os efeitos desse modelo não se limitam, necessariamente, aos contribuintes que deliberadamente deixam de pagar tributos como estratégia de negócio, mas também podem alcançar empresas que enfrentam dificuldades financeiras pontuais”, critica.
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À QUEIMA-ROUPA
Leonardo Jubé, promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito e Territórios (MPDFT)
“O julgamento no júri é democracia direta, os cidadãos são chamados a julgar a causa, conforme os valores da sociedade. Na Justiça Militar o julgamento é feito por um Conselho de oficiais e um juiz (sistema que se chama de escabinado), tendo em mente os valores militares”
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o soldado que assassinou a colega no quartel do Exército. O caso vai tramitar na Justiça Comum?
Com o recebimento da denúncia pelo Tribunal do Júri, a princípio vai seguir tramitando na Justiça Comum do DF. Existe uma divergência com a Justiça Militar da União, que também se entende competente. Havendo formalmente o que se chama de conflito de competência entre os dois juízos, cabe ao STJ decidir.
O crime ocorreu no quartel e envolveu dois militares. É a motivação que o leva à Justiça Comum?
A competência da Justiça Militar é exceção. A legislação permite entender que o caso seria da Justiça Militar. Aí é preciso interpretar em conjunto com a constituição e com a lógica das coisas. O assassinato da jovem nada teve a ver com as funções militares. Eram colegas no ambiente de trabalho, mas não pode ser esse trabalho que vai definir a competência. É preciso priorizar o mais importante que, no caso, é a morte de uma moça com menosprezo à sua condição de mulher.
Qual é a diferença de o julgamento ocorrer na Justiça Comum e na Justiça Militar?
Primeiro, a prioridade. Naturalmente, a razão de ser da Justiça Militar é a compreensão das peculiaridades e a proteção dos valores da caserna. A razão do júri, no Brasil, é a vida humana e a democracia. Outra questão é a forma de enfrentamento dos crimes. Por exemplo, a denúncia do Ministério Público acusou o assassino de uma causa de aumento de pena que não consta do indiciamento do inquérito policial militar. Ainda formulou acusação por destruição de cadáver, crime comum, que também não foi tratado no inquérito militar. Outro ponto importante: o julgamento no júri é democracia direta, os cidadãos são chamados a julgar a causa, conforme os valores da sociedade. Na Justiça Militar o julgamento é feito por um Conselho de oficiais e um juiz (sistema que se chama de escabinado), tendo em mente os valores militares.
Qual a sua opinião sobre o Tribunal do Júri? Acredita que faz mais justiça em geral?
Há muita controvérsia sobre o júri, que, no Brasil, tem um formato bastante peculiar. Seu valor democrático é inegável. Desde que o Estado, pela Polícia, pelo Ministério Público, consiga fazer um adequado trabalho sobre os fatos e suas circunstâncias, a sociedade tem condição de julgar, aplicando ao caso seus valores éticos e morais, avaliando com sua experiência de vida. Isso às vezes pode significar uma pena maior que a que seria aplicada com um julgamento técnico por um juiz. Às vezes, também pode implicar pena menor ou mesmo absolvição.
Por que, na sua opinião, tem crescido o número de casos de feminicídios?
Infelizmente, é um fato. Tem muita gente qualificada estudando o tema. O DF conta com uma segurança pública de qualidade destacada, que vem buscando enfrentar o problema. Mas é muito complexo, são muitos fatores. Necessariamente, o enquadramento passa pelo aspecto cultural. A mulher vem conquistando cada vez mais e mais seu espaço, e isso talvez arranhe uma estrutura de pensamento muito entranhada na gente, homens e mesmo nas próprias mulheres. Uma médica culta e com experiência me falou esses dias sobre um fator que me tem feito refletir. Pode ser que, como o “homem machão” (em verdade um rematado covarde) já não tem mais a mulher à sua disposição (ela tem brilho próprio), diante de qualquer insatisfação, já não lhe importa mais preservar a vida dela, que já não lhe serve mais, não mais vive para servi-lo. Precisamos todos refletir, o problema anda muito sério e é desafiador. Precisamos falar sobre o assunto, desmistificá-lo, em casa, na escola, no dia a dia. O problema anda muito sério e é desafiador.

