Rafael Prudente: “Meu pai é um exemplo político para mim”

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Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil.

DA COLUNA EIXO CAPITAL

Ele é a cara do pai. Filho do ex-presidente da Câmara Legislativa Leonardo Prudente, um dos símbolos da Operação Caixa de Pandora, o deputado Rafael Prudente (PMDB) é o novo corregedor da Câmara Legislativa.

Rafael Prudente, 31 anos, se candidatou a deputado distrital depois que o pai foi retirado da política em função dos escândalos das imagens em que aparece escondendo dinheiro nas meias e na famosa “oração da propina”.

Em entrevista, Rafael diz que o pai é um exemplo a seguir, mas diz que tem carreira própria.

Como foi a negociação para levá-lo à corregedoria?
A corregedoria estava no nosso bloco, formado pelo PMDB e PTB, exercida pelo deputado Dr. Michel. Quando ele foi para o Tribunal de Contas, o cargo ficou vago. Houve um entendimento de que poderia ser eu. É uma missão. Não fiz campanha para ser corregedor.

Você é filho e herdeiro político de um parlamentar, Leonardo Prudente, que teve de renunciar para não ser cassado durante os desdobramentos das denúncias da Operação Caixa de Pandora. Sente o peso desse episódio?
Desde que comecei a campanha, quando fui para a rua, em momento algum fui questionado por ser filho do ex-deputado Leonardo Prudente. Tenho a minha própria cara, meus próprios projetos e a minha própria bandeira.

Qual é a sua bandeira?
É a geração de empregos.

Acha que ninguém lembra de que você é filho de Leonardo Prudente, o deputado das meias?
Olha: se perguntarem se assumo a defesa dele, claro que assumo porque o conheço bem. Mas esse episódio está judicializado. Se perguntarem para mim, estou do lado dele, claro que estou. Ele é o meu pai. Mas a Justiça é que vai decidir se ele é culpado ou inocente. Não entro nessas questões.

Seu pai agiu errado ao receber dinheiro de Durval Barbosa?
Tenho por ele os olhos de um filho. Jamais o julgaria. Mas se pudesse julgar, diria que é inocente.

Ele é um exemplo político para você ou vai seguir caminho próprio?
Ele é um exemplo político. Mas meu mandato não é uma continuidade do mandato dele. Ele tinha os projetos dele e eu tenho um trabalho diferente. Meu eleitorado é mais carente. É o microempresário que quer crescer, é quem precisa de emprego. Olho mais para essas pessoas.

Na condição de corregedor, será rigoroso ou acha que para abrir processo precisa de decisão judicial transitada em julgado?
Cada caso é um caso. Não dá para fazer um pré-julgamento. Se tiver fundamento, encaminho para a Comissão de Ética. Sou bem prático nesses casos. Acho que os julgamentos na Câmara e na Justiça são instâncias diferentes. Mas um deputado não pode julgar com o coração.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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Ana Maria Campos

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