À Queima Roupa
Entrevista: Marlos Vinícius Barbosa do Valle, eleito presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF)
“O sindicato tem uma atuação institucional, voltada exclusivamente aos interesses da categoria. O que fazemos é dialogar com todos os candidatos, ouvir propostas, apresentar as demandas da Polícia Civil e levar essas informações para a categoria. Cada policial tem sua liberdade de escolha, e isso sempre será respeitado”
O agente da Polícia Civil Marlos Vinícius Barbosa do Valle foi eleito presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) em eleição finalizada na madrugada desta quinta-feira (9/4).
A chapa 10 foi eleita com 1.858 votos, superando a chapa 30, que obteve 901 votos. Marlos Vinícius ingressou na carreira há 15 anos, com atuação na Seção de Investigação de Crimes Violentos (SICVIO) da 31ª Delegacia de Planaltina (Planaltina) e em investigações de homicídios, combate a organizações criminosas e operações integradas.
O que muda com a posse da nova diretoria do Sinpol-DF?
A gestão atual fica até o final de julho e deixa avanços importantes, e a ideia é dar continuidade ao que funcionou, mas sempre buscando evoluir. Nosso compromisso é estar ainda mais próximo da base, ouvindo os policiais civis que estão na linha de frente da investigação, que é peça-chave no enfrentamento ao crime organizado. Também queremos fortalecer a união da categoria. Uma polícia civil unida é mais forte e reflete diretamente na segurança da nossa sociedade.
Quais são as demandas prioritárias?
Temos como prioridade a sanção da lei complementar da previdência da PCDF, já aprovada pela Câmara Legislativa em cumprimento ao STF. É um passo importante para a recomposição de direitos da categoria. Seguimos também na luta pela simetria salarial com as Polícias Civis dos ex-Territórios, uma pauta histórica que precisa avançar. Além disso, é fundamental garantir recursos no orçamento de 2027 para manter a qualidade do serviço prestado à população e fortalecer o combate ao crime organizado.
O Sinpol vai apoiar alguma candidatura ao Governo?
O sindicato tem uma atuação institucional, voltada exclusivamente aos interesses da categoria. O que fazemos é dialogar com todos os candidatos, ouvir propostas, apresentar as demandas da Polícia Civil e levar essas informações para a categoria. Cada policial tem sua liberdade de escolha, e isso sempre será respeitado.
Terá representantes na disputa à Câmara Legislativa? Vai apoiar a reeleição do deputado Wellington Luiz?
Nenhum integrante da diretoria irá disputar cargos políticos ou sequer é filiado a partido político. O deputado Wellington Luiz tem uma história de diálogo e participação em pautas importantes da PCDF, sendo reconhecido tanto pela diretoria quanto pela categoria por sua atuação ao longo dos anos. Outros parlamentares também contribuíram em momentos relevantes, como a senadora Leila do Vôlei, os deputados federais Rafael Prudente e Érika Kokay, a deputada distrital Jane Klebia, entre outros. O sindicato seguirá com essa postura de diálogo amplo, reconhecendo quem ajuda a categoria e, acima de tudo, mantendo sua independência institucional.
Qual é a principal reivindicação e expectativa para o futuro governo do DF?
A expectativa é manter um canal de diálogo aberto e responsável, que permita avançar nas pautas da PCDF. Investir na investigação é essencial, especialmente no combate ao crime organizado, crimes cibernéticos, estelionatos, tráfico. Isso passa, necessariamente, pela valorização do policial civil. Também seguimos na busca pela isonomia salarial e por mecanismos que permitam reinvestir recursos oriundos do crime no fortalecimento da própria polícia.
A sua eleição representa continuidade ou mudança?
Temos um pouco dos dois. Mantemos a experiência de parte da diretoria atual, que trouxe avanços importantes, mas também contamos com uma renovação significativa. Isso nos dá condições de preservar o que deu certo e, ao mesmo tempo, trazer novas ideias e soluções a partir das demandas da base. O objetivo é evoluir com responsabilidade e muito diálogo e, com isso, deixar nossa marca.
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